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Agricultores expostos a pesticidas podem desenvolver câncer

8 de fevereiro de 2010

Le Monde

Existe uma ligação entre a exposição dos agricultores aos pesticidas e anomalias do genoma podendo desenvolver um câncer. Em um congresso realizado em Marseille, na sexta-feira (5/2), pela Liga contra o Câncer, Bertrand Nadel (Centre d'immunologie de Marseille-Luminy) apresentou resultados obtidos durante um estudo (Agrican) lançado em 2005. Esses trabalhos poderiam resultar em uma estratégia de descoberta precoce de câncer do sistema linfático.

Agrican é um grande estudo efetuado com os afiliados da Mutuelle sociale agricole, o regime de segurança social dos agricultores. Ele compreende um lado epidemiológico, apoiado em um questionário, e um lado biológico, com a retirada de sangue.

Em 2008, Bertrand Nadel e Sandrine Rouland tinham apresentado trabalhos mostrando um risco mais elevado de câncer linfático nos agricultores. Com o apoio financeiro da Liga contra o câncer, eles continuaram suas pesquisas e obtiveram novos resultados, que já foram publicados, em julho de 2009, no Journal of Experimental Medicine.

A idéia deles era encontrar biomarcadores de probabilidade, pois todos os indivíduos expostos aos pesticidas não desenvolvem um linfoma. Os pesquisadores marselheses detectaram nos exames sanguíneos de várias dezenas de participantes do estudo Agrican células que são normalmente ausentes e que representam os precursores das células de tumores.

Anomalia Genética

"Nós colocamos em evidência biomarcadores que testemunham uma ligação molecular entre a exposição dos agricultores aos pesticidas, a anomalia genética e a proliferação dessas células, que são precursoras de câncer. Esse efeito é função da dose e do tempo de exposição", resume Bertrand
Nadel.

Em ocorrência, os pesquisadores identificaram uma anomalia genética: um fragmento do cromossomo 14 se desliga e vem ativar um oncogene tio situado no cromossomo 18. As pessoas expostas aos pesticidas apresentam em certas células sanguíneas (linfócitos) essa anomalia genética de maneira muito mais freqüente que as pessoas não expostas. A ausência de regulação da expressão desse oncogene faz com que células que deveriam morrer se proliferem.

"Trata-se de uma condição necessária ao desenvolvimento de um linfoma folicular, mas não é suficiente. Existem outras anomalias como uma instabilidade geral do genoma: dois genes são exprimidos ao mesmo tempo enquanto que normalmente ele não o são, o que permite às células anormais de resistir aos mecanismos de morte celular programado", explica Bertrand Nadel.

A equipe de Bertrand Nadel, que espera chegar a um meio de diagnóstico precoce, vai agora estudar uma população de pessoas que tenham desenvolvido o mesmo tipo de linfoma afim de documentar a presença destes biomarcadores.

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