Contribua com a luta pela Reforma Agrária!

Estamos, neste ano, comemorando o 25º aniversário do MST. Construímos uma das mais fortes e atuantes organizações dos camponeses e da classe trabalhadora brasileira. São mais de 350 mil famílias que conquistaram a terra através da nossa organização e das nossas lutas.

As adversidades, nesses 25 anos, foram gigantescas. Mas em nenhum momento deixamos de empunhar a bandeira da reforma agrária. Em nenhum momento demos tréguas ao latifúndio. Podemos nos orgulhar da obra – o MST – que construímos. Nele há um pouco de cada um de nós.

Mas o MST não é apenas resultante do esforço e da capacidade dos trabalhadores rurais sem terra. Nestes 25 anos, nunca nos faltou a ajuda e a solidariedade do povo brasileiro e dos povos de centenas de países. Graças a estas ajudas, pudemos organizar cursos, ter o Jornal e a Revista Sem Terra, editar cartilhas e cartazes, organizar a produção agrícola e promover atividades políticas em defesa da reforma agrária. A estes companheiros e companheiras, do Brasil e dos outros países, seremos eternamente gratos. Há, também, um pouquinho de cada um deles na construção do MST.

No entanto, na medida em que crescemos e aumentaram nossas necessidades, precisamos qualificar a nossa organização. E um dos principais desafios que devemos enfrentar é exatamente o de garantir a autonomia financeira da nossa organização.

O sucesso dessa campanha depende somente da compreensão desta proposta política, do empenho e da força de vontade de cada militante, amigo e apoiador que se orgulha do MST.

25 ANOS DE LUTA, RESISTENCIA E CONQUISTAS!

Construir o MST nos custou muitos dias de trabalho, muito sacrifício pessoal, muita persistência, muita luta. Muitas noites mal dormidas. Houve prisões e perseguições políticas. Há centenas de militantes que, até hoje, estão sendo processados pelo poder judiciário. Mas dessas lutas e da persistência e dedicação de cada militante, nasceu e se consolidou o MST. Podemos dizer, sem medo, que o MST é resultado da persistência da luta coletiva!

Neste ano, estamos comemorando 25 anos de existência do MST. O tempo passa rápido e novas conquistas e novos desafios se misturam no processo de construção do nosso Movimento.

Nessa caminhada do MST, conquistamos muitas e grandes vitórias. Arrancamos do latifúndio milhares de hectares. Terras antes improdutivas e mal utilizadas, agora, são assentamentos rurais com milhares de famílias, com escolas, áreas de laser, de produção de alimentos e de preservação ambiental. Através da nossa luta, milhares de famílias conquistaram sua terra e asseguraram vida digna para todos seus familiares.

Construímos muitas associações e cooperativas, e temos experiências de agroindústrias que são exemplo para toda sociedade!

Construímos, como um valor, o direito de estudar e de ter escolas próximas aos nossos locais de moradia. Superamos obstáculos para que a juventude dos assentamentos tivesse acesso ao ensino médio, à universidade e até mesmo aos cursos de pós-graduação.

Conquistamos um programa de construção de moradia e de energia elétrica para todos os assentamentos. Muitos ainda não foram beneficiados com esses programas. Por isso será uma luta duradoura, porque todos merecem morar com dignidade.

Mas, descobrimos também que não basta ter terra, escola, energia elétrica e produzir alimentos. É necessário adquiri e desenvolver novos conhecimentos para produzir alimentos saudáveis e assegurar a preservação da natureza. Produzir sem o uso de venenos. Sem contaminar o solo e a água. Por isso passamos a organizar cursos de agroecologia. Queremos formar técnicos agrícolas e agrônomos que dominem os conhecimentos científicos da agroecologia, para desenvolver novos métodos de produzir alimentos e de aumentar a produtividade agrícola, sempre equilíbrio com a natureza.

Desde o início do MST, aprendemos os valores do intercâmbio e da solidariedade internacional. Percebemos que, como movimento social, deveríamos trabalhar para que os camponeses do Brasil, da América Latina e de todo mundo construíssem uma articulação política e de lutas entre eles. Internamente no Brasil, ajudamos a construir a Via Campesina Brasileira. Na América Latina, participamos na construção da Coordenação Latino-americana das Organizações do Campo (CLOC). E agora, estamos empenhados em articular os movimentos sociais para construir a Alternativa Bolivariana (Alba) para as Américas. São nossas ferramentas nas lutas contra o uso de sementes transgênicas e contra as espoliações que as empresas transnacionais fazem em nosso país. Ao mesmo tempo, são mecanismos que nos ajudam a promover a solidariedade com todos os trabalhadores em qualquer parte do mundo.

No território nacional, buscamos sempre somar forças com a classe trabalhadora urbana. Assim, nos articulamos com os metalúrgicos, professores, petroleiros, desempregados, urbanitários, estudantes etc. Nos articulamos com as centrais sindicais e pastorais sociais. Ajudamos construir a Coordenação de Movimentos Sociais (CMS) e a Assembléia Popular.

Tudo isso são conquistas importantes. Mas, talvez, a mais importante é a de ter resgatado a dignidade do trabalhador Sem Terra. O Sem Terra quando passa a participar nas lutas e a construir sua organização política, se transforma em verdadeiro cidadão. A nossa luta possibilita que os camponeses Sem Terra conquistem sua terra. Mas também contribui na luta pela conquista de uma sociedade mais justa, democrática e igualitária. Por isso recebemos os respeito e reconhecimento da sociedade, com nossa organização.
Tivemos muitas conquistas. Construímos uma organização de camponeses que é reconhecida no Brasil e a nível internacional. Mas os desafios são cada vez mais numerosos. Os nossos inimigos – da Reforma agrária e das lutas contra a desigualdade social – são fortes e cada vez mais bem articulados para nos derrotar. Por isso precisamos fortalecer e qualificar ainda mais nossa organização.

Este mutirão de reorganização interna, priorizando o aspecto financeiro, é extremamente importante para que possamos continuar avançando nas lutas e obtendo novas vitórias. Mais do que resolver os problemas financeiros que hoje enfrentamos, essa campanha faz parte de um trabalho para preparar e fortalecer nossa organização para as batalhas futuras. Um desafio que somente iremos vencê-lo se, mais uma vez, houver a participação de todas e todos.

Viva o MST
Viva a Reforma agrária popular!

Direção nacional do MST