Nas eleições deste ano, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) lançou 16 candidaturas próprias para cargos eletivos do Legislativo estadual e federal, com representantes de 13 estados.
Entre as propostas assumidas por essas candidaturas como compromissos de campanha estão: o apoio à democratização do acesso à terra; o incentivo à produção e à cooperação para a oferta de alimentos saudáveis e o combate à fome; iniciativas de sustentabilidade e cuidado permanente com o meio ambiente; e a defesa da educação, da saúde, da cultura e da diversidade.
Para consolidar os compromissos de campanha assumidos pelo Movimento, foi elaborada uma síntese denominada Plataforma das Prioridades Políticas da organização, que suas candidaturas se comprometem a desenvolver em seus mandatos.
Trata-se de transformar o voto em instrumento de mudanças estruturais de base fundamentais para o Brasil. O documento reúne 15 linhas políticas que formam um conjunto de diretrizes que refletem o acúmulo de décadas de organização popular no campo brasileiro.
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Compromissos do MST nas eleições de 2026:
Defender a soberania, a natureza e transformar a vida do povo brasileiroAs eleições de 2026 definirão o ciclo de lutas do próximo período! Queremos convocar toda a sociedade a debater um PROJETO DE FUTURO e posicionar a luta pelo Socialismo como caminho de esperança e de ruptura com todas as mazelas e violências causadas pelo capitalismo. É preciso que se diga que o capitalismo não é eterno e não tem soluções para a vida da classe trabalhadora.
Logo, enfrentaremos uma batalha entre quem defende verdadeiramente os interesses do povo brasileiro e a soberania de nossa pátria e quem escolhe se curvar e bater continência para os Estados Unidos e as demais potências imperialistas. Precisamos derrotar nas urnas e nas ruas todos aqueles que defendem um projeto de país que se alicerça na manutenção e aprofundamento da pobreza, das violências e do colapso ambiental.
O capital e a classe dominante nacional e mundial jamais assumirão o compromisso com a melhoria de vida das gerações atuais e futuras. A extrema-direita neofacista é produto deles, que buscam se apropriar do Estado como forma de assegurar benesses para o agronegócio, à mineração e os bancos, garantindo seus lucros e a ganância imperialista.
São eles que, historicamente, controlam o Congresso Nacional, o Poder Judiciário, mas também a Mídia hegemônica e as Big Techs; e como temos visto em outros países, intervirão nas eleições com ameaças de caos econômico, sabotagem, sensacionalismo, discurso de ódio, movendo esforços para manipular ideologicamente o povo, inclusive através de sua fé. O triunfo desse projeto representa o avanço de uma agenda econômica e social de retrocessos para a população brasileira.
O projeto que defendemos é de vida, justiça social e dignidade. Por isso, lutamos! Essas eleições serão a nossa grande batalha do momento, e a classe trabalhadora do campo e da cidade será a protagonista dessa vitória mais uma vez.
Nos comprometemos em espalhar sementes de esperança no futuro e convocamos a sociedade a se somar nesse cultivo, assumindo conosco a tarefa prioritária de eleger Lula, governos e parlamentares de esquerda comprometidos com a transformação do Brasil. Conclamamos que todos/as os/as candidatos/as que se identificam com nosso Movimento, com a classe trabalhadora e com a esquerda, assumam esse programa para debater com a população nesse período eleitoral, para que a campanha ajude a elevar o nível de consciência e a vontade de se organizar e lutar de nosso povo.
Assim, rumo à construção de um projeto popular de país, afirmamos os seguintes compromissos:
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Defender a soberania nacional e enfrentar o imperialismo:
Lutar contra as guerras, sanções e bloqueios que ameaçam a soberania dos povos, enfrentando a dominação das potências imperialistas e das empresas transnacionais. Mobilizar esforços em solidariedade à Cuba, Venezuela, Haiti e Palestina, diante da perseguição e cerco dos Estados Unidos e Israel. Defender o território brasileiro, os bens comuns da natureza, as empresas públicas e a nossa cultura. Defender a necessidade de reestatização de empresas estratégicas para nosso povo, como a Petrobras distribuidora, a Eletrobrás, a Vale e a EMBRAER.
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Enfrentar a crise ambiental e defender os bens comuns da natureza:
Lutar pelo desmatamento zero, pela preservação das águas, dos biomas, das sementes e da biodiversidade. Combater a financeirização da natureza e a exploração predatória dos bens comuns promovida pelo capital internacional, através do agronegócio, das mineradoras, das empresas energéticas e das falsas soluções para a natureza do capitalismo verde. Promover um programa amplo de reflorestamento no campo e na cidade.
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Construir um Projeto Popular para o Brasil e lutar pelo Socialismo:
Construir uma agenda de planejamento econômico pautado nas necessidades do povo, reindustrialização, criação de empregos dignos, na democratização da economia, na distribuição da riqueza e no fortalecimento do papel do Estado em setores estratégicos. Defender um modelo de desenvolvimento baseado nas reformas estruturais, na soberania nacional, energética, alimentar e digital, na autodeterminação, na integração latino-americana e na justiça ambiental e social.
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Enfrentar o capital financeiro e a agenda neoliberal:
Combater o arcabouço fiscal, recuperar o controle do Banco Central, reduzir a taxa de juros, proibir as Bets e enfrentar o endividamento da população, além de aumentar a fiscalização sobre bancos e fintechs que lucram com esquemas de crédito consignado sobre servidores/as e aposentados/as. Lutar contra as privatizações e a influência do sistema financeiro na condução das políticas públicas brasileiras, sobretudo, na saúde, na educação, na reforma agrária e na agricultura.
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Enfrentar as violências e construir uma sociedade mais justa:
Combater a concentração da riqueza promovida pelo sistema financeiro e a desigualdade social. Enfrentar o capitalismo, o racismo, o patriarcado e o sexismo; combater o individualismo, o consumismo, o medo e a resignação. Fortalecer a construção de lutas por um mundo de justiça social, harmonia entre os seres humanos e a natureza, e que promova dignidade, solidariedade, humanismo e vida coletiva.
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Garantia de direitos e qualidade de vida para o povo:
Garantir educação pública, ciência e tecnologia com investimentos prioritários na educação pública em todos os níveis e modalidades de ensino, na educação do campo, no PRONERA, na pesquisa científica e na soberania tecnológica nacional. Impedir o fechamento das escolas do campo.
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Defender moradia digna, saúde pública e qualidade de vida:
Fortalecer o SUS, ampliar programas de habitação popular, garantir saneamento básico, acesso à água, à energia, internet, transporte público de qualidade, políticas de combate às desigualdades sociais e de fortalecimento da cultura e à democratização da comunicação.
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Propor políticas de coletivização do trabalho doméstico e de cuidados:
Fortalecer e ampliar políticas públicas como creches de período integral, lavanderias coletivas, cozinhas e restaurantes comunitários, redes de apoio no cuidado com idosos e criança, entre outras políticas de promoção da justa divisão do trabalho de cuidados. Defender a valorização, regulamentação e a justa remuneração para trabalhadoras(es) domésticas(os) e cuidadoras(es).
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Segurança pública e enfrentamento à militarização:
Combater a militarização frente a justificativa da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA de “combate ao narcotráfico” e os problemas políticos e sociais. Lutar contra a indústria das armas, o crime organizado, a economia do tráfico, a criminalização dos pobres e das lutas populares. Construir um modelo de segurança pública baseado na inclusão social, nos direitos humanos, no cuidado e na prevenção às violências contra os pobres e no fim do genocídio da juventude negra, das pessoas LGBTI+ e do feminícidio. Superar a lógica punitivista e o encarceramento em massa da classe trabalhadora.
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Defender a Reforma Agrária Popular e os direitos territoriais dos povos:
Desapropriar os latifúndios improdutivos e que cometem crimes ambientais e trabalhistas. Realizar uma política de reforma agrária popular e integral, garantir terra para quem nela vive e trabalha, e fortalecer a agricultura camponesa e familiar. Fortalecer uma política de massificação da agroecologia, a cooperativização e a agroindustrialização como pilares para a soberania alimentar, o cuidado com a natureza e a justiça social. Defender os territórios já conquistados, a demarcação dos territórios indígenas e a regularização das comunidades quilombolas e tradicionais.
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Produzir alimentos saudáveis para todo o povo:
Combater o modelo do agronegócio baseado nos agrotóxicos e nos ultraprocessados, garantindo a produção e o acesso universal a alimentos saudáveis, com prioridade para programas públicos de abastecimento à alimentação escolar e cozinhas solidárias.
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Fortalecer a agroecologia, a cooperação e as agroindústrias populares:
Defender políticas públicas de crédito, assistência técnica e investimentos para a agroecologia, agroflorestas, cooperativas e agroindústrias da agricultura camponesa e familiar, gerando empregos, renda e desenvolvimento local. Construir uma política de mecanização e desenvolvimento tecnológico, para superar a penosidade do trabalho e ampliar a rentabilidade camponesa. Fortalecer e estimular a participação das mulheres e da juventude em todas políticas.
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Combater a violência no campo e os crimes do agronegócio, da mineração e do extrativismo predatório:
Lutar contra a violência aos povos do campo e a impunidade. Responsabilizar esses setores frente aos seus crimes e aos impactos sociais e ambientais provocados pelas empresas do agronegócio, os grandes projetos minerários e das energias renováveis. Defender a taxação do agronegócio, dos agrotóxicos, a revogação da Lei Kandir e o controle popular sobre os recursos energéticos e minerais do país.
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Participação, organização popular e controle social:
Fortalecer a construção de força popular na sociedade. Ampliar mecanismos de consultas populares e participação social para definir as diretrizes de políticas e as prioridades de aplicação do orçamento público brasileiro, através da diversidade de instrumentos criados pela classe trabalhadora, assim como conselhos com caráter vinculativo e programas de agentes populares. Defender o controle popular das políticas públicas, com vistas a elevar o nível de consciência, organização, autonomia e poder popular.
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Construir caminhos para a Emancipação Humana:
Promover uma profunda transformação cultural, construindo novas formas de sociabilidade, não violentas, livres de todas as formas de exploração e dominação, que rompam com a desconexão entre ser humano e natureza, superando a desumanização da vida e as contradições impostas pelo capitalismo, o patriarcado e o racismo. Garantir políticas e equipamentos públicos que promovam a vida digna para o povo do campo e da cidade: trabalho, renda, saúde, esporte, lazer, arte e cultura.
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra,
08 de julho de 2026.
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