Paraná
MST celebra 15 anos de transformação de latifúndio em território da Reforma Agrária no PR
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Por Setor de Comunicação e Cultura do MST PR
Da Página do MST
Fotos: Arquivo da comunidade
No dia 1 de novembro, o MST no Paraná celebra 15 anos de transformação de uma extensa área de monocultivo cana e de situações de trabalho análogo à ecravidão em territórios libertados pela Reforma Agrária, no Norte do estado.
No ano de 2008, 2 mil camponeses e camponesas Sem Terra do Paraná ocuparam a Fazenda Variante, no município de Porecatu. A ocupação ocorreu no contexto de um conjunto de greves e grande mobilização que chegou a reunir 4 mil trabalhadores da Usina Central do Paraná, reivindicando pagamento de salários atrasados, recolhimento do FGTS e outros benefícios. Sindicalistas e outras instituições que apoiavam os trabalhadores, se juntaram à greve, realizando trancamento de rodovia e outras mobilizações em defesa dos trabalhadores que viviam a crise da usina, com destaque em matérias de jornal de grande circulação na época.
O aprofundamento da crise e falência da usina, levou a um conjunto de ações do Ministério do Trabalho, Ministério Público e Polícia Federal que autuaram a usina resgatando 228 trabalhadores em regime análogo à escravidão, além de dívidas com a União e o Estado.
Essas mobilizações e denúncias, impulsionaram a ocupação da terra pelas famílias do MST e, em seguida, uma vistoria do Incra notificou a improdutividade da área do Grupo Atalla, dando maior legitimidade às famílias para transformar a monocultura da cana em território de Reforma Agrária.
No dia 1º de novembro o acampamento foi batizado de Herdeiros da luta de Porecatu, o nome homenageia camponeses e camponesas que na década de 1950 deflagraram a Revolta de Porecatu, fazendo a luta e resistência contra o latifúndio e a grilagem naquela região, onde muitos companheiros e companheiras foram mortos e expulsos de suas terras pelos jagunços da época.
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O processo de luta pela terra, teve como resultado a construção de 5 comunidades camponesas localizadas nos municípios de Centenário do Sul, Porecatu, Florestópolis e Alvorada do Sul. Ao todo, são cerca de 11 mil hectares.
Nesses 15 anos de Luta, a comunidade segue organizando as famílias com acesso à terra, com a escola itinerante existente na comunidade desde à ocupação, organizando a produção de alimentos que garantem alimentação e renda para as famílias e toda dimensão da vida humana, vivenciado a luta pela democratização da terra, realização da Reforma Agrária e transformação da sociedade.
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Hoje, 250 famílias vivem e trabalham na comunidade, e seguem organizados de forma a defender a luta pela terra, plantando e distribuindo alimentos saudáveis, reafirmando a aliança campo e cidade como parte do processo, que se soma no sentido de garantir a conquista definitiva das terras para as famílias, e no avanço do projeto de Reforma Agrária Popular. As famílias participaram ativamente das campanhas de solidariedade, doando toneladas de alimentos cultivados na comunidade para famílias carentes de Porecatu e Londrina.
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Como parte desta construção da vida em comunidade, um dos grandes pilares é a Escola Itinerante Herdeiros da Luta de Porecatu, criada logo no primeiro ano do acampamento e atende hoje um total de 90 educandos e educandas matriculados desde a educação infantil ao ensino médio. Também como parte deste amplo projeto de formação humana, a escola recebe um núcleo da Orquestra Popular Camponesa, projeto de iniciação e prática musical que também é realizado no Assentamento Eli Vive. No acampamento o projeto conta com duas turmas de iniciação instrumental, sendo uma de violão popular e outra de música clássica orquestral.
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*Editado por Gustavo Marinho