Violência no Campo
Famílias Sem Terra acampadas sofrem ataque violento em Bom Jesus da Lapa (BA)
Na noite do último domingo (23), três homens encapuzados e armados invadiram o acampamento Egídio Bruneto, no município de Bom Jesus da Lapa (BA), e promoveram um ataque violento contra as famílias Sem Terra

Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia
Da Página do MST
Por volta das 19h do último domingo, agressores chegaram em um carro de cor cinza e efetuaram disparos de arma de fogo e incendiaram um dos barracos dentro do acampamento. Antes de deixar o local, ainda ameaçaram retornar, intensificando o clima de terror contra as famílias acampadas. Apesar da gravidade do atentado, ninguém ficou ferido. No entanto, o ataque representa mais um episódio da crescente violência contra trabalhadores e trabalhadoras rurais que lutam pelo direito à terra.
O acampamento Egídio Brunetto está localizado na antiga Fazenda Carnayba e abriga cerca de 80 famílias que vivem na área desde 2012. Parte dos 2.580 hectares de terra está registrada em nome de Wellington Coimbra, enquanto outra parte pertence à União, sendo uma área pública sob responsabilidade do Serviço de Patrimônio da União (SPU). Em momentos anteriores, houve interesse por parte do proprietário em negociar a área, porém, com a paralisação da reforma agrária e da obtenção de terras durante o último governo, as terras não foram repassadas ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).
Nos últimos meses, as famílias do acampamento têm sofrido ameaças constantes de pistoleiros e milicianos rurais, que permanecem nas proximidades efetuando disparos e tentando intimidá-las. Na noite do ataque, os criminosos destruíram um barraco e atearam fogo, além de ameaçar incendiar todo o acampamento. Durante a madrugada, houve mais disparos em outro acampamento próximo, com o objetivo de amedrontar e coagir os moradores.
Segundo relatos, os ataques são sustentados por uma empresa de segurança privada, que atua de maneira ilegal na tentativa de realizar reintegrações de posse clandestina. A situação é extremamente delicada, e as famílias estão em estado de alerta, temendo que novos conflitos possam ocorrer a qualquer momento.
Diante desse cenário, é urgente que o governo federal, por meio do INCRA, intervenha imediatamente para intermediar a situação, abrir um processo de negociação e regularizar as terras definitivamente para as famílias Sem Terra. Como parte da área é pública, é fundamental que o Estado assuma a sua responsabilidade e impeça que a violência continue ameaçando a vida e os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais.
*Editado por Fernanda Alcântara