MST-RR fortalece Agroecologia e Agricultura Familiar no Assentamento Comunidade dos Sonhos
Processo formativo leva conhecimento sobre produção orgânica, manejo sustentável e recuperação ambiental para os assentados.

Por Tarcio Oliveira
Do MST em RR
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra em Roraima (MST-RR) vem desenvolvendo há alguns meses um processo formativo iniciado em Agosto de 2024, no Assentamento Comunidade dos Sonhos, no município de Mucajaí-RR. A formação tem levado conhecimentos sobre Agroecologia, produção orgânica e desenvolvimento sustentável para os trabalhadores e trabalhadoras do campo. A iniciativa, que busca fortalecer a autonomia dos assentados, alia teoria e prática para garantir a aplicação de técnicas que promovem a produção de alimentos saudáveis sem o uso de agrotóxicos.
Nos dias 1 e 2 de março, o assentamento foi palco de momentos fundamentais para o fortalecimento da agricultura familiar. A ação foi realizada por meio de uma parceria entre o MST-RR, Superintendência Federal do Desenvolvimento Agrário Nacional – MDA/RR, Associação de Produtores Rurais da Comunidade dos Sonhos (APROCS) e Instituto Social Irmã Dorothy (ISID).
No dia 1º de março, foram realizadas visitas a oito propriedades do assentamento, com o objetivo de orientar e fortalecer os agricultores locais. Já no dia 2 de março, dentro do projeto “Vida nos Territórios: Formação para Proteger – Defensores e Defensoras na Promoção da Justiça Climática”, aconteceram oficinas essenciais para a sustentabilidade e o desenvolvimento rural, abordando temas como: Agroflorestas e recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs), Divulgação e esclarecimento sobre o PRONAF (em parceria com o MDA)

Formação na prática: aprendendo a produzir sem veneno
Ao longo da formação, os assentados têm acesso a um conjunto de conhecimentos que vão desde a preparação do solo até a colheita de alimentos livres de agrotóxicos. As atividades incluem oficinas práticas de compostagem, adubação natural, produção de biofertilizantes e controle biológico de pragas. Além disso, são promovidas discussões sobre os impactos dos modelos convencionais de produção agrícola, os danos causados pelo agronegócio e a importância da adoção de sistemas sustentáveis para a saúde humana e para o meio ambiente.

Outro ponto fundamental da formação é a troca de saberes entre os próprios trabalhadores e trabalhadoras rurais. Muitas das práticas agroecológicas ensinadas durante o processo formativo têm suas bases no conhecimento popular, sendo adaptadas e aprimoradas a partir das experiências e necessidades locais. Dessa forma, o MST-RR reforça que a Agroecologia não é apenas uma técnica produtiva, mas também um processo coletivo de construção do conhecimento e resistência no campo.

A importância da Agroecologia para a soberania alimentar
A expansão da produção agroecológica no Assentamento Comunidade dos Sonhos fortalece a segurança alimentar dos assentados, garantindo uma alimentação saudável para suas famílias e oferecendo uma alternativa econômica viável. Com a diversificação das culturas e o uso sustentável dos recursos naturais, as famílias conseguem produzir de forma mais autônoma e sustentável, reduzindo a dependência de insumos químicos e externos.
Além disso, a formação contribui para a organização coletiva dentro do assentamento, incentivando a criação de redes de produção e comercialização solidária. A venda de alimentos orgânicos diretamente para consumidores, feiras agroecológicas e programas de aquisição de alimentos são algumas das possibilidades que se abrem para os assentados, garantindo renda e incentivando a permanência das famílias no campo.
O MST-RR e a luta por um campo produtivo e sustentável
Com essa e outras formações em andamento, o MST-RR reafirma seu compromisso com a
construção de um modelo agrícola baseado na Agroecologia, no respeito à natureza e na
valorização do trabalho camponês. O Assentamento Comunidade dos Sonhos é um exemplo
de como a formação e a organização popular podem transformar a realidade do campo, fortalecendo um modelo de produção que alia sustentabilidade, justiça social e soberania
alimentar.
A Agroecologia, mais do que uma prática produtiva, é um projeto de sociedade. E, através da educação e da luta coletiva, os trabalhadores e trabalhadoras do campo seguem construindo um futuro onde a terra cumpra sua verdadeira função: alimentar com qualidade, respeitando o meio ambiente e garantindo dignidade para quem nela trabalha.



*Editado por Leonardo Correia