Luta Anti-imperialista
Manifestação condena ação de Trump na Venezuela e alerta para riscos à soberania regional
Mais de mil pessoas se reuniram na tarde desta segunda-feira (5), em frente ao Consulado dos Estados Unidos, na zona sul de São Paulo

Por Felipe Bianchi
Do Barão de Itararé
Convocado por um amplo conjunto de organizações populares, partidos e movimentos sociais, o ato em São Paulo foi marcado pelo caráter unitário entre diversas forças políticas e sociais, reunindo lideranças partidárias, movimentos da juventude, militantes de organizações populares, comunicadores e venezuelanos residentes em São Paulo.

Para o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Gilmar Mauro, a ação dos Estados Unidos é um grave ataque à Venezuela, à América Latina e também ao Direito internacional. “O sequestro do presidente legítimo Nicolás Maduro e sua esposa, a deputada Cilia Flores, representa um assalto à soberania do povo venezuelano e de todos os povos do continente. O que está em jogo é o nosso futuro, o futuro dos nossos recursos naturais”, afirmou. Segundo ele, a ofensiva não se limita à Venezuela: “O recado vale também para o Brasil, para a Colômbia, para o México e para os demais países da região”.
A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, ressaltou a importância da unidade diante da agressão estadunidense: “Viemos manifestar a nossa solidariedade à Venezuela e defender a soberania da nossa região. A escalada militar promovida por Trump é grave e preocupante”.
“Todos somos vítimas do imperialismo estadunidense — e nosso país pode ser o próximo alvo”, alertou. Bianca recorda que, meses atrás, os movimentos estiveram em frente ao consulado para protestar contra o tarifaço de Trump, empregado naquele momento como uma forma de chantagem contra a iminente condenação de Bolsonaro e dos golpistas pelo STF. “Precisamos de unidade, como na construção dessa mobilização, porque acreditamos que outra América é possível e imprescindível”, defende.

Mídia hegemônica sustenta ataque à Venezuela
Militante e quadro histórico do Partido dos Trabalhadores (PT), José Genoíno, destacou que a ofensiva imperialista se sustenta também em uma disputa de narrativas. “O imperialismo criou uma narrativa mentirosa. Usa a premissa de combate ao narcotráfico para intervir na região e divulga teorias conspiratórias sobre o que acontece na Venezuela para tentar desmoralizar as lideranças da Revolução Bolivariana”, afirmou.
Genoíno também criticou o papel da mídia comercial e enfatizou a importância da comunicação alternativa: “A mídia monopolista reproduz as narrativas do imperialismo norte-americano. É fundamental o papel da mídia independente para amplificar a denúncia e levar a verdade ao povo”.
Membro do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Hector Batista reforçou a crítica ao papel jogado pela “mídia colonizada”: “Enquanto a mídia hegemônica vende a versão da Casa Branca, nós viemos aqui dizer que a agressão de Trump não é sobre restaurar a democracia, mas para explorar nossas riquezas. Não só a exploração do petróleo venezuelano, mas de todos os recursos da região, com o intuito de recolonizar nossos povos”.
Alerta máximo no Brasil e no continente
Militante da Marcha Mundial das Mulheres, Miriam Nobre ressaltou que a agressão à Venezuela tem produzido consequências concretas e violentas. “Para além do sequestro ilegal de Maduro e Cilia Flores, o ataque de Trump à Venezuela causou dezenas de mortes. Essa ameaça já vinha se desenhando com assassinatos extrajudiciais de pescadores em embarcações no mar do Caribe, sob o pretexto de combate ao narcotráfico. Tudo em busca do controle das riquezas da região”, denunciou. Para ela, os ataques se articulam em diferentes países do continente, o que exige vigilância permanente também no Brasil.
Já Carolina Ucha, militante do MES-PSOL, destacou o caráter nacional e a amplitude das mobilizações. “São atos por todo o Brasil para condenar a ação absurda de Trump na Venezuela. O rapto de Maduro e de Cilia Flores é uma afronta à soberania de toda a América Latina”, afirmou. Segundo ela, “a luta anti-imperialista segue vigente e precisa ser central”.
De acordo com Renê Vicente, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a “fabricação jurídica” contra Maduro é inadmissível. “A primeira coisa que Trump faz após sequestrar Maduro é ameaçar Gustavo Petro na Colômbia. É claro que também é uma ameaça às eleições no Brasil”, opina. “O dedo podre do imperialismo só gera morte, miséria e empobrecimento dos povos, como vimos na Líbia, na Síria, no Iraque e no Afeganistão. Por isso, viemos rechaçar o ataque contra a Venezuela”.
A manifestação em São Paulo integrou uma jornada de mobilizações em defesa da paz, da soberania dos povos latino-americanos e contra a ingerência dos Estados Unidos nos destinos da região. Os atos nos dias 4 e 5 de janeiro também ocorreram em capitais como Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, Florianópolis, Brasília, Belo Horizonte, São Luís e Aracaju.



