XIV Encontro Nacional
Começa o 14º Encontro Nacional do MST: “A luta contra o imperialismo é central hoje”
Em Salvador, três mil delegados e delegadas iniciam debate sobre geopolítica e ofensiva imperialista na América Latina

Por Janelson Ferreira e Nadson Ayres
Da Página do MST
Teve início na manhã desta segunda-feira (19), em Salvador (BA), o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Cerca de três mil militantes de todo o país estão reunidos na capital baiana para discutir a estratégia política do Movimento. Ao longo da semana, o Encontro debaterá as normas gerais do MST, sua estrutura organizativa, tática e planejamento para o próximo período.
“Há 17 anos não realizávamos uma reunião desta instância”, destacou Evanildo Costa, da direção nacional do MST na Bahia. Segundo ele, diante da atual conjuntura política e internacional, o Encontro ganha relevância ainda maior. “Reunir toda essa militância demonstra a força acumulada ao longo da nossa história, mas também evidencia os desafios que temos pela frente”, afirmou.
Em termos de representatividade, o Encontro Nacional é a segunda instância mais ampla do MST, ficando atrás apenas do Congresso Nacional do Movimento.
Geopolítica e crise do imperialismo
A mesa de abertura foi dedicada ao debate sobre a geopolítica mundial e a conjuntura internacional. Participaram o jornalista Breno Altman e a militante da Articulação Internacional dos Povos, Stephanie Weatherbee.
Ambos destacaram o cenário de crise de hegemonia do imperialismo estadunidense. “O mundo vive uma contradição que marcará os próximos anos: entre uma ordem unipolar moribunda, liderada pelos Estados Unidos, e a ascensão de uma ordem multipolar ainda em formação, impulsionada principalmente pelo crescimento econômico da China e pelo fortalecimento do Estado nacional russo”, analisou Breno Altman.

De acordo com o jornalista, a crise dos Estados Unidos não significa enfraquecimento automático. “O imperialismo em crise não se torna mais afável, mas mais violento, como uma fera ferida. O renascimento de movimentos fascistas nos países imperialistas é produto dessa crise”, afirmou.
Para Altman, esse processo se expressa de forma intensa na América Latina. “Os Estados Unidos decidiram retomar o controle da região na ponta do fuzil”, destacou.
Na mesma linha, Stephanie Weatherbee analisou os instrumentos utilizados pelos EUA para reforçar sua influência no continente. “Como os Estados Unidos são um parceiro econômico central para muitos países latino-americanos, conseguem manipular essa relação”, explicou.
Segundo ela, esses mecanismos dependem da atuação de operadores locais. “Os EUA alimentam na América Latina uma extrema direita e uma burguesia que colocam seus interesses acima de qualquer projeto de desenvolvimento nacional”, afirmou. Weatherbee alertou ainda para o papel de setores progressistas que, ao adotarem posturas moderadas ou críticas a processos revolucionários a partir de uma ótica liberal, acabam legitimando narrativas imperialistas.

Para a militante, a luta contra a unipolaridade passa pela construção de uma nova ordem multipolar, mas esse processo não pode ser um fim em si mesmo. “Sem projetos revolucionários no Sul Global, a multipolaridade não terá força para enfrentar o imperialismo. Não podemos terceirizar nossa libertação: precisamos ser protagonistas na queda do imperialismo”, concluiu.
Mesmo diante do avanço da ofensiva imperialista sobre o Sul Global, Breno Altman ressaltou a importância da luta popular. “Nosso inimigo é forte, mas não é invencível. Ele pode muito, mas não pode tudo. Vive o momento histórico de sua decadência. Não é hora de recuo nem de intimidação”, afirmou.
Um dos encontros mais importantes do MST

A última vez que o MST realizou um Encontro Nacional dessa instância foi em 2009, na cidade de Sarandi (RS). Agora, ao reunir mais de três mil militantes, o Movimento busca fortalecer seu plano estratégico de luta pela terra, a construção da Reforma Agrária Popular e o acúmulo de forças rumo ao socialismo.
Ao longo dos cinco dias de atividades, o Encontro debaterá a atuação do capital na agricultura, a conjuntura econômica e política brasileira e o papel do MST como força política. Também será realizado um balanço das ações do Movimento na formação política, na agroecologia, na cooperação e na agroindustrialização.
Além disso, o Encontro definirá a tática para o próximo período, aprovará as normas gerais e o Programa Agrário e lançará a Inteligência Artificial da Reforma Agrária e Agroecologia (IARAA).
Editado por Iris Pacheco



