Organização popular

Comunas ao centro

Boletim Venezuela em Foco #14

Imagem: Reprodução/Nueva Sociedad

Da Página do MST

O governo venezuelano convocou a primeira consulta popular das comunas após os ataques dos Estados Unidos. A iniciativa reafirma o papel do poder comunal como eixo da organização popular e da soberania nacional em um contexto de ingerência imperialista, além de dar continuidade a uma política iniciada ainda no tempo de Hugo Chávez.

A consulta permite que as comunidades escolham diretamente os projetos a serem executados, fortalecendo a participação popular como instrumento de continuidade institucional. Em meio ao cerco, a aposta nas comunas indica que a resposta venezuelana não se limita aos campos militar e diplomático, mas se ancora na mobilização do povo organizado. O foco dos projetos é a transformação econômica para geração de renda e infraestrutura. A votação está marcada para 8 de março, em celebração ao Dia Internacional da Mulher. 

Na mesma linha, a atual presidente interina do país, Delcy Rodríguez afirmou que “nos toca hoje a batalha por Venezuela”, ressaltando que Nicolás Maduro carrega a história do país e a legitimidade popular para seguir na luta. A declaração dialoga com a centralidade atribuída às comunas, apontando para uma estratégia de resistência baseada na organização interna e na coesão social.

Do lado dos Estados Unidos, o discurso belicista do governo norte-americano ganhou novos contornos com declarações de Donald Trump, ao afirmar que os Estados Unidos utilizaram uma “arma secreta” durante a operação que culminou no sequestro de Nicolás Maduro. Segundo o próprio presidente, trata-se de um armamento exclusivo, inexistente em outros países, que teria incapacitado as forças venezuelanas. 

Trump também voltou a admitir que havia uma “segunda onda” de ataques prevista contra a Venezuela, afirmando que não foi necessária após o bombardeio e o sequestro de Maduro. A declaração reforça que a agressão não foi um episódio isolado, mas parte de uma política deliberada de intimidação e intervenção ilegal.

No Brasil, o MST anunciou o envio de brigadas para a Venezuela e à Faixa de Gaza, com foco na reconstrução e no apoio direto às populações afetadas pela guerra.

A agressão à Venezuela também repercute nas relações internacionais. O ministro do Interior da Rússia tratou do ataque dos EUA em reunião com Raúl Castro, em Havana, evidenciando o impacto regional e global da escalada militar. Analistas alertam que a postura de Washington aprofunda uma lógica de força à margem do direito internacional.

Para saber mais:

ArtigoVenezuela 2026: pulverizar corpos, matriz de traição e resistências (Argmedios – Espanhol).