Internacionalismo
Internacionalismo marca 14º Encontro Nacional do MST com delegações de 22 países

Da Página do MST
Durante o 14º Encontro Nacional do MST, realizado entre os dias 19 e 23 de janeiro, no Parque de Exposições Agropecuárias de Salvador (BA), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra reafirmou o internacionalismo como princípio político e prática concreta da luta popular. Além de reunir trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra de todas as regiões do país, o Encontro contou com a presença de uma delegação internacional composta por 69 convidados de 22 países da América, Europa, Ásia e África.
Ao longo da programação, representantes internacionais realizaram saudações ao MST e compartilharam as experiências de luta e resistência de seus povos diante do avanço do imperialismo, do colonialismo e da exploração capitalista em seus territórios.
Para Simone Magalhães, do Setor de Internacionalismo do MST, este não é um conceito abstrato, mas uma prática viva de solidariedade entre os povos em luta. “Para o MST, o internacionalismo é a solidariedade real entre os povos do mundo. Pudemos dialogar, por meio da mística e da simbologia, sobre os processos de resistência que os povos vêm construindo frente à sanha do imperialismo”, afirmou.
Segundo Simone, o Encontro reafirmou a solidariedade incondicional do Movimento aos povos da Palestina, Venezuela, Haiti e Cuba. “A resistência do povo palestino em Gaza é a resistência de todos e todas que lutam por um mundo melhor, livre do colonialismo, um mundo transformado”, completou.
Solidariedade na prática
Como expressão concreta desse compromisso, as trabalhadoras e os trabalhadores Sem Terra realizaram atos de solidariedade aos povos da Venezuela, Cuba, Haiti e Palestina, reforçando o caráter histórico do MST na construção da unidade internacional da classe trabalhadora.
Durante a Jornada Socialista, o dirigente nacional do MST, João Pedro Stédile, destacou que a prática do internacionalismo foi aprendida com a classe trabalhadora mundial. “Aprendemos um método de prática internacionalista a partir das brigadas de militantes, que iam de país em país fazer intercâmbios, compartilhar conhecimentos e, sobretudo, construir solidariedade. A prática internacionalista nasce dos movimentos revolucionários”, afirmou.
Para o dirigente, diante da atual ofensiva imperialista, a unidade dos povos não é uma escolha tática, mas um compromisso histórico da classe trabalhadora em todo o mundo.
A luta do povo do Sahel

Entre as falas internacionais, destacou-se a intervenção de Ouedraogo Samdpawendé, do Comitê Memorial Thomas Sankara, de Burkina Faso, que compartilhou a experiência de luta dos povos do Sahel africano.
“Viemos a convite do MST para compartilhar a luta do povo do Sahel, que já dura quase dez anos. Para entender essa realidade, é preciso lembrar o que a OTAN fez na Líbia ao atacar o presidente Muammar Gaddafi, o que resultou na disseminação de armas e no avanço do terrorismo em países como Mali, Burkina Faso e Níger”, explicou.
Segundo Samdpawendé, a guerra na região é uma luta por procuração, marcada pela atuação de grupos armados financiados por interesses imperialistas. “O Sahel é muito rico, nosso solo é fértil, mas o imperialismo busca apenas as riquezas do subsolo. Trata-se de uma continuidade do colonialismo em nossos territórios”, denunciou.
Ele destacou ainda a criação de um exército confederado pelos países da região e a importância da comunicação popular para conscientizar a população sobre os interesses em jogo. “Essa luta é diária. O imperialismo pode estar falhando, mas isso exige de nós mais vigilância, solidariedade e organização, porque ele sempre atua por meio de representantes locais para desestabilizar nossos países”, alertou.
Ato em solidariedade à Venezuela

Na tarde desta quinta-feira (22), o MST realizou um grande ato em solidariedade ao povo venezuelano, ocupando as ruas do Pelourinho, no centro histórico de Salvador. Cerca de 3 mil pessoas participaram da marcha, que integrou a programação oficial do 14º Encontro Nacional.
Além dos trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra, estiveram presentes delegações internacionais, dirigentes de centrais sindicais, partidos políticos, movimentos populares, do movimento negro e sem teto, além de representantes da Venezuela e de outros países marcados pela resistência às intervenções dos Estados Unidos, como Cuba, Haiti, Burkina Faso e Palestina.
O ato político contou ainda com a participação do dirigente João Pedro Stédile e reafirmou a solidariedade internacional como eixo central da luta do MST e da classe trabalhadora mundial frente ao imperialismo, às guerras e às tentativas de dominação dos povos.
*Editado por Iris Pacheco



