XIV Encontro Nacional

MST reafirma luta anti-imperialista e convoca povo brasileiro à Reforma Agrária Popular

Em Carta ao Povo Brasileiro, o Movimento reafirma enfrentamento ao capital, ao imperialismo, ao racismo, ao patriarcado e a todas as formas de opressão.

Posse da direção e coordenação nacional do MST. Foto: Laís Alanna

Por Iris Pacheco e Janelson Ferreira
Da Pagina do MST 

Entre os dias 19 a 23 de janeiro, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou seu 14º Encontro Nacional com mais de 3 mil militantes Sem Terra e representantes de organizações populares do Brasil e do mundo. Durante o ato final, foi divulgada uma Carta ao Povo Brasileiro, na qual se analisa a conjuntura internacional e nacional, reafirma seus princípios históricos e convoca a classe trabalhadora à luta por soberania, justiça social e Reforma Agrária Popular.

Na avaliação do Movimento, o mundo atravessa uma mudança de época marcada pelo aprofundamento das guerras, pela crise do capitalismo e pelo avanço do imperialismo sobre os povos do Sul Global. A Carta denuncia agressões contra países soberanos, como a Venezuela, a Palestina e as nações do Sahel africano, além das recorrentes tentativas de desestabilização de Cuba, Haiti, Irã e outros países que resistem à lógica imperial.

Segundo o MST, o objetivo central dessas ofensivas é o saque dos bens comuns da natureza — como petróleo, minérios, água, terras e florestas — e o bloqueio de alternativas ao modelo capitalista, como o multilateralismo e os projetos populares de soberania.

Agronegócio, extrema-direita e crise no campo brasileiro

Foto: Wellington Lenon

No Brasil, o Movimento aponta que o avanço do imperialismo se expressa na consolidação do agronegócio como braço do capital nacional e internacional no campo. Esse modelo, baseado na produção de commodities, no uso intensivo de agrotóxicos e na destruição ambiental, concentra terras, riquezas e poder político, ao mesmo tempo em que aprofunda a pobreza, a violência e o colapso ambiental.

A Carta denuncia que o agronegócio controla parcelas significativas do Congresso Nacional, do Judiciário e dos meios de comunicação, bloqueando a Reforma Agrária e impedindo a implementação de políticas públicas estruturantes. Como consequência, mais de 100 mil famílias seguem acampadas, à espera do direito à terra.

O MST também alerta para o fortalecimento da extrema-direita no país, impulsionado pela crise capitalista e pela manipulação ideológica promovida pelas big techs e pela mídia hegemônica, especialmente entre a juventude. Para o Movimento, “o enfrentamento a esse cenário não se dará apenas pela via eleitoral, mas sobretudo pela organização popular e pela luta de massas.”

Reforma Agrária Popular como projeto estratégico

Diante desse contexto, o MST reafirma a Reforma Agrária Popular como um projeto estratégico para o Brasil. Segundo o Movimento, trata-se de uma alternativa concreta ao modelo destrutivo do agronegócio, capaz de enfrentar a concentração fundiária, produzir alimentos saudáveis, recuperar os biomas, combater o analfabetismo e as violências no campo, além de construir territórios dignos para viver.

Inspirado em lutas históricas como Canudos, Contestado e as Ligas Camponesas, e carregando a memória dos mártires da luta pela terra — especialmente no ano em que se completam 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás —, o MST reafirma seu compromisso com o enfrentamento ao capital, ao imperialismo, ao racismo, ao patriarcado e a todas as formas de opressão.

Foto: Dowglas Silva

Durante o Encontro, o Movimento aprovou a atualização de seu Programa de Reforma Agrária Popular, de suas Normas Gerais e a reformulação de sua organicidade, com o objetivo de ampliar a participação da base e fortalecer a construção do poder popular.

O MST reafirmou ainda seus 42 anos de trajetória na luta pela terra, pela educação, pela saúde, pela moradia digna e pela agroecologia, destacando iniciativas de alfabetização, formação política, cooperação, solidariedade e projetos estratégicos voltados à reindustrialização do país.

“Estamos decididos a nos recriar”, afirma a Carta, apontando como tarefas centrais a massificação da agroecologia, a formação de militantes e quadros políticos, a disputa ideológica e cultural e o fortalecimento das lutas de massas contra os inimigos de classe.

Compromissos e convocação ao povo brasileiro

Entre os compromissos reafirmados, o MST destaca a luta pela terra, pela Reforma Agrária Popular e pelo socialismo; o enfrentamento ao modelo do agronegócio, minerário e energético; a unidade da classe trabalhadora; o apoio a candidaturas comprometidas com um projeto popular de país, incluindo a candidatura do presidente Lula; e a defesa do internacionalismo e da solidariedade entre os povos, com destaque para Venezuela, Palestina, Haiti e Cuba.

Ao final, o Movimento convoca toda a sociedade brasileira a se somar à luta por melhores condições de vida e trabalho, pela defesa da natureza, contra os agrotóxicos, contra as guerras e as bases militares, e pela construção de um projeto de país soberano, popular e justo, tendo a Reforma Agrária Popular como um de seus pilares centrais.

Confira na íntegra a Carta ao Povo Brasileiro.

Editado por Erica Vanzin