Formação
17ª Semana Pedagógica das Escolas do Campo do MST debate educação e disputa por hegemonia, no CE
Luta de classes, ensino médio integrado e institucionalização das Escolas do Campo pautam encontro que reúne cerca de 300 educadores no Sesc Iparana, em Caucaia

Por Aline Oliveira
Da Página do MST
Entre os dias 26 e 29 de janeiro de 2026, o Sesc Iparana, em Caucaia, recebe a 17ª Semana Pedagógica das Escolas de Ensino Médio do Campo das áreas de Reforma Agrária do MST, que neste ano tem como tema central “O projeto de educação do MST e a disputa por hegemonia nas escolas do campo”.
O encontro reúne educadores(as), gestores(as), militantes do MST, representantes da Secretaria da Educação do Estado do Ceará (SEDUC), das CREDES e convidados(as). Ao todo, são cerca de 300 participantes refletindo sobre a realidade do campo e os rumos da educação nos assentamentos.
O educador João Alves resume a contribuição da semana pedagógica para a formação dos(as) educadores(as). “A semana pedagógica é de extrema importância na formação dos educadores e educadoras das escolas do campo. Essa formação, que realizamos anualmente, nos permite desenvolver processos formativos fundamentais para a nossa luta, como a integração de conhecimentos entre as escolas, o momento de avaliação de nossas ações e o planejamento da condução para o novo ano letivo que se inicia logo após a formação”.


Ao longo de quatro dias, a programação articula análise de conjuntura, balanço político-pedagógico das Escolas de Ensino Médio e Profissional do Campo (EEMPC) de 2025, debates sobre ensino médio integrado e educação politécnica, além de discussões sobre combate às violências, institucionalização das escolas do campo e atualização da pauta de lutas para 2026.
Dinara do Nascimento, da direção do setor de Educação do MST no Ceará, destaca que a semana pedagógica das escolas do campo é espaço de construção coletiva do projeto de educação do Movimentos. “É nesse momento que conseguimos reunir secretaria de educação, gestão, educadores, educandos e comunidades para planejar um ano letivo que integra a realidade do campo, valorize os saberes populares e fortalece a luta pela educação como direito. Também é espaço de troca de experiencias e vivências em todas as dimensões do currículo, desde a formação geral básica a parte diversificada”.

Helder Nogueira, Secretário Executivo da SEDUC, destaca o caráter estratégico do encontro. “Este é um espaço de atualização do nosso Projeto Político-Pedagógico e de reflexão sobre esse projeto na atual quadra histórica. O momento já nos indica muitos dos desafios que temos pela frente, nós, trabalhadores e trabalhadoras da educação. Nosso compromisso é estar juntos durante todo o ano letivo, com a equipe da Cociq [Coordenadoria de Educação Escolar Indígena, Quilombola e do Campo] para seguir organizando o trabalho, refletindo sobre muitas questões e encaminhando as soluções necessárias”.
Helder também parabeniza o MST pela importante conquista da institucionalização das Escolas do Campo no estado. “Não podemos perder de vista a importância da institucionalização das escolas do campo. Hoje nós temos um governo que olha atentamente para o projeto de educação do campo e que se compromete com ele numa perspectiva imediata, mas também histórica. A conquista da Lei 19.604/2025, lei estadual que institucionaliza as escolas do campo, é expressão concreta desse compromisso”.
A 17ª Semana Pedagógica das Escolas do Campo é uma realização do Movimento Sem Terra e da SEDUC, por meio da Cociq.
*Editado por Solange Engelmann



