Sem Terrinha
Crianças do MST entregam carta a Lula por Reforma Agrária, escolas e fim da violência no campo
Na carta, as Sem Terrinha reconhecem avanços do governo, mas cobram a transformação dos acampamentos em assentamentos e políticas públicas efetivas para o campo

Da Página do MST
Durante o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado entre os dias 19 e 23 de janeiro de 2026, em Salvador, 157 crianças Sem Terrinha de diversas regiões do Brasil elaboraram uma carta pública direcionada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento expressa sonhos, denúncias e reivindicações relacionadas ao direito à terra, à educação do campo e à proteção da natureza.
Organizadas na Ciranda Infantil Paulo Freire, as crianças afirmam representar todas as famílias Sem Terra que vivem em acampamentos e assentamentos espalhados pelo país. No texto, elas destacam a esperança renovada com o atual governo, mencionando avanços como a geração de empregos, o combate ao desmatamento e às queimadas, além das políticas de enfrentamento à desigualdade social.
Apesar dos reconhecimentos, a carta ressalta que o maior sonho das crianças Sem Terrinha continua sendo a efetivação da reforma agrária. Elas reivindicam que as áreas ocupadas pelos acampamentos sejam transformadas em assentamentos, garantindo às famílias um espaço digno para morar, trabalhar, brincar e viver. O documento também denuncia despejos forçados e episódios de violência no campo, cobrando do Estado a garantia da segurança e do direito à permanência em seus territórios.
“Nosso grande sonho de Sem Terrinha é ver a terra repartida e que todas as crianças e suas famílias tenham um lugar para morar, trabalhar, brincar e viver com dignidade. E queremos que essas terras onde estão nossos acampamentos virem assentamentos, queremos ver a Reforma Agrária acontecer. Queremos que não haja mais despejo e violência contra os Sem Terra e que o Estado cumpra sua obrigação de garantir a nossa segurança.”

A situação da educação do campo ocupa lugar central na carta. As crianças pedem o fim do fechamento de escolas rurais e a construção de novas unidades com infraestrutura adequada, incluindo acesso à internet, bibliotecas, laboratórios de informática, água potável, quadras esportivas e espaços para arte e cultura. Segundo elas, muitas escolas ainda enfrentam problemas graves, como a falta de água e de materiais básicos para o aprendizado.
Além da educação, a carta aponta deficiências nos serviços de saúde e na infraestrutura dos assentamentos, como a precariedade das estradas, que dificulta tanto o acesso às escolas quanto o escoamento da produção agrícola. As crianças destacam que os alimentos produzidos pelas famílias Sem Terra contribuem para o abastecimento das cidades e para o fortalecimento da economia local.
“Em alguns lugares conquistamos a terra, mas ainda precisamos de muitas melhorias, como na saúde [em que] é necessário ter médicos e atendimento de qualidade; precisa ter estradas de qualidade para chegarmos nas escolas do campo com segurança e [para] os alimentos que produzimos com nossos familiares chegarem até a cidade.”
Encerrando a mensagem, as Crianças Sem Terrinha reforçam a esperança em um futuro mais justo e afirmam que seguirão, junto às suas famílias, mobilizadas em defesa da reforma agrária popular. “Defender a natureza é defender o nosso chão”, afirmam, lembrando que as crianças são “as raízes do amanhã” e que lutar por terra, educação e dignidade é também lutar pelo futuro do Brasil.
Confira a carta completa:
*Editado por Fernanda Alcântara



