Soberania
Gigante produtor de Petróleo
Boletim Venezuela em Foco #17

Da Página do MST
A Venezuela prepara um novo impulso estratégico para se afirmar como potência produtora de petróleo. A presidenta interina Delcy Rodríguez liderou uma consulta pública decisiva para a reforma parcial da Lei Orgânica de Hidrocarbonetos, apresentada à Assembleia Nacional em 15 de janeiro, com o objetivo de consolidar um marco jurídico capaz de ampliar a produção, atrair investimentos e transformar o país em um “gigante produtor” de energia.
Rodríguez destacou que a reforma busca equilibrar abertura a contratos de participação produtiva e respeito à soberania, reforçando que a Venezuela não aceitará ordens externas sobre sua política energética.
A reforma ocorre em um contexto de expectativas de investimento substanciais: o governo projetou que o setor de hidrocarbonetos poderá receber cerca de US$ 1,4 bilhões em 2026.
O executivo Matthew Goitia, diretor da Pelorus Terminals, relatou os planos iniciais de reformar e construir terminais marítimos na Venezuela capazes de misturar e exportar petróleo bruto, além de embarcar produtos químicos, sinalizando o apetite crescente da indústria estadunidense pela infraestrutura energética venezuelana.
No plano diplomático, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar da situação na Venezuela e combinou uma visita a Washington. A ligação de 50 minutos abordou a crise venezuelana, a proposta de um “Conselho da Paz” promovido por Trump e questões regionais.
Movimentos políticos e sociais articulados na América Latina reforçam a crítica à intervenção externa. Ativistas progressistas e autoridades reunidos na cúpula “Nuestra América”, em Bogotá condenaram os ataques à Venezuela e chamaram à ação conjunta contra o que classificaram como retorno da Doutrina Monroe. A China também reiterou apoio à Venezuela na defesa de sua soberania, destacando a importância do respeito ao direito internacional e à autodeterminação dos povos.
No campo simbólico e narrativo, continua em circulação a declaração de Trump sobre o uso de uma “arma secreta” durante a operação que resultou no sequestro de Maduro, referida por ele como um dispositivo que desativou equipamentos — uma afirmação que intensifica o debate sobre as tecnologias empregadas e a natureza das ações militares dos EUA.
O impacto das sanções ao longo da última década também compõe o cenário energético atual: a produção de petróleo da Venezuela, que alcançou 2,5 milhões de barris por dia em 2015, sofreu um declínio profundo nos anos seguintes, chegando a patamares muito menores em 2020, em razão da política de “pressão máxima”.
No meio desse contexto, o Partido Socialista Unido da Venezuela reafirma que a libertação de Nicolás Maduro e de Cilia Flores, a paz nacional e a retomada do desenvolvimento econômico permanecem como prioridades políticas centrais. O filho de Maduro em diálogo com organizações aliadas e lideranças internas reafirmou a mensagem de que a Venezuela não “claudicará nunca”, refletindo uma determinação sustentada mesmo diante de pressões externas persistentes.
Para saber mais:
Artigo – A Groenlândia no tabuleiro de xadrez do imperialismo norte-americano, por Lotte Rørtoft-Madsen (Jornal GGN);
Entrevista – Ataque à Venezuela foi uma operação tecnologicamente baseada em dados, diz Sérgio Amadeu (Brasil de Fato);
Vídeo – Cuba e Venezuela: qual o futuro das experiências anti-capitalistas? (Brasil de Fato);
Vídeo – Quem é Laura Dogu? Trump nomeia “embaixadora do golpe” (TV Diálogos do Sul Global).



