Mobilização
A importância da união latino-americana
Boletim Venezuela em Foco #18

Da Página do MST
Em discurso no Fórum Econômico Internacional da América Latina, no Panamá, o presidente Lula defendeu a união dos países latino-americanos contra intervenções militares ilegais, em uma crítica direta à ação dos Estados Unidos, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro. A posição brasileira reforça o debate sobre a soberania e legalidade internacional diante da ofensiva norte-americana.
No plano militar, reportagens internacionais apontam que os EUA teriam utilizado uma tecnologia inédita e invisível durante a agressão à Venezuela, com relatos de sintomas físicos extremos entre militares, reacendendo alertas sobre o uso de armas não convencionais. Paralelamente, Caracas levou uma denúncia contra Washington à Organização Mundial do Comércio (OMC), acusando os EUA de fragmentar o comércio global e enfraquecer o direito internacional ao bloquear instâncias centrais da OMC.
No campo diplomático, a presidenta interina da Venezuela, Delcy Rodríguez afirmou que os Estados Unidos iniciaram a liberação de recursos venezuelanos antes bloqueados por sanções e enquanto o país norte-americano deu sinais de reabertura da embaixada em Caracas, ao mesmo tempo em que confirmou a existência de canais de comunicação com a Casa Branca e o Departamento de Estado. As declarações contrastam com o tom adotado por Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, que no Senado voltou a ameaçar novas ações militares caso a Venezuela não coopere, embora depois tenha recuado parcialmente e destacado avanços na cooperação.
A política norte-americana para a Venezuela foi debatida no Senado dos EUA, onde Rubio detalhou a estratégia pós-sequestro de Maduro, ressaltando o papel central do petróleo venezuelano, e chegou a citar Lula e Bolsonaro ao tratar da situação política regional. No tabuleiro energético, a crise também impacta aliados históricos: o México reafirmou a solidariedade a Cuba e defendeu como soberana sua decisão de vender ou doar petróleo por razões humanitárias, em meio a pressões de Washington.
Enquanto isso, a mobilização popular cresce. No Brasil, movimentos sociais organizaram atos em dez capitais exigindo a libertação de Nicolás Maduro e Cilia Flores e denunciando a intervenção militar dos EUA. Os atos acontecem nesta quarta-feira (28).
Para saber mais:
Artigo – “Hoje é a Venezuela. Amanhã será a África do Sul”, alerta o sindicato NUMSA (Venezuelanalysis);
Vídeo – La otra cara del “Trump pacificador”: guerras afuera, caos adentro (Almaplus. TV).



