Reconciliação nacional

Anistia e alívio de tensões na Venezuela

Boletim Venezuela em Foco #20: anúncio de lei de anistia busca “curar feridas” e reduzir tensões políticas internas

Imagem: Hugo Barreto

Da Página do MST

O governo interino da Venezuela anunciou a elaboração de uma lei de anistia com o objetivo declarado de “curar feridas” e reduzir tensões políticas internas. A presidenta interina Delcy Rodríguez afirmou que a medida busca promover a reconciliação nacional e defendeu a conversão do presídio Helicoide, conhecido internacionalmente como centro de repressão, em um espaço de uso social. 

No campo institucional, Delcy Rodríguez recebeu respaldo público da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB). O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, afirmou que a presidenta interina conquistou “legitimidade indiscutível” ao preservar a paz interna, e a FANB passou a reconhecê-la formalmente como Comandante e Chefe.

As relações entre Caracas e Washington avançam em meio a contradições. A chegada de uma nova embaixadora dos Estados Unidos à capital venezuelana marcou a retomada do diálogo bilateral a menos de um mês após o sequestro do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. Autoridades venezuelanas reiteraram que eventuais divergências devem ser resolvidas por meio do diálogo político, sem ingerência externa.

No setor energético, a Venezuela realizou sua primeira exportação de gás liquefeito de petróleo, considerada um marco para a diversificação da matriz energética e para a recuperação econômica. O país também aprovou uma reforma da Lei de Hidrocarbonetos que flexibiliza impostos e royalties, com o objetivo de atrair investimentos internacionais. A medida coincidiu com a emissão, por parte do governo Trump, de uma nova isenção parcial de sanções, facilitando negócios no setor petrolífero.

Ao mesmo tempo, declarações do presidente dos Estados Unidos elevaram o tom de tensão geopolítica. Trump afirmou publicamente que gostaria de transformar Canadá, Groenlândia e Venezuela em estados norte-americanos e anunciou que a Índia passaria a comprar petróleo venezuelano em substituição ao iraniano. Moscou reagiu duramente: o vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, classificou o sequestro de Maduro como uma violação grave do direito internacional e alertou que o episódio abalou as relações globais.

A Venezuela também condenou um decreto dos EUA que prevê tarifas contra países que comercializem petróleo com Cuba, classificando a medida como ataque às relações comerciais regionais e à soberania dos povos. Em movimento ambíguo, Trump sugeriu um possível acordo com Havana e declarou que investimentos chineses na Venezuela seriam “bem-vindos”, reforçando o cenário de disputa estratégica sobre energia, soberania e influência na América Latina.

Para saber mais:

ArtigoOs Estados Unidos e a nova desordem imperial, por Atul Chandra (Jornal GGN);

Vídeo Mujeres venezolanas ante la agresión (Almaplus. TV.).