Samba-enredo

Carnaval 2026: Acadêmicos do Tatuapé vai levar a luta do MST para o Sambódromo

O desfile da escola de samba acontece na madrugada do próximo dia 14 de fevereiro, no carnaval de São Paulo

Wagner Santos, Edmundo Fontes, Sebastião Aranha e Eduardo Santos no galpão da Acadêmicos do Tatuapé na Fábrica do Samba em São Paulo. Foto: Priscila Ramos.

Por Douglas Fortes
Da Página do MST

No Carnaval de 2026, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Tatuapé irá levar à avenida o samba-enredo “Plantar para Colher e Alimentar: Tem Muita Terra Sem Gente e Muita Gente Sem Terra”, celebrando a luta histórica do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o papel estratégico da agricultura familiar.

A proposta nasce de uma construção coletiva entre a Escola de samba e o MST, com o objetivo de ampliar o alcance da luta pela Reforma Agrária Popular, transformando a avenida em um palco de resistência, cultura e denúncia da concentração de terras no Brasil.

Em entrevista à Página do MST, representantes da escola detalham a escolha do tema, a mensagem política do desfile e o processo criativo que já mobiliza a comunidade do samba.

Patrícia Lafalce, Wagner Santos e Edmundo Fontes no galpão da Acadêmicos do Tatuapé na Fábrica do Samba em São Paulo. Foto: Priscila Ramos.

Entrevista

Como surgiu a parceria entre a Acadêmicos do Tatuapé e o MST?

Eduardo Santos, presidente da escola:

“Foi uma construção coletiva. O MST nos procurou para dialogar sobre temas como soberania alimentar e agroecologia, e percebemos uma sintonia imediata com a identidade da escola, que historicamente aborda causas sociais. Todo ano escolhemos o enredo com base em vários elementos: força visual, potência musical, impacto cultural e, principalmente, nas parcerias que conseguimos consolidar. Para 2026, esse tema reúne tudo isso. É uma grande oportunidade de levar esse tema para milhões de pessoas.”

Qual a mensagem central que o enredo busca transmitir?

Patrícia Lafalce, diretora de carnaval:

“Queremos mostrar que o MST vai muito além da ocupação de terras. O Movimento é um grande produtor de alimentos saudáveis e organiza comunidades inteiras com base na solidariedade e no cuidado com a terra. Vamos levar para o Anhembi a força da produção camponesa, da agricultura sem veneno e sem destruição ambiental.”

Wagner Santos e Eduardo Santos no galpão da Acadêmicos do Tatuapé na Fábrica do Samba em São Paulo. Foto: Priscila Ramos.
O que o público pode esperar para ver na avenida?
Wagner Santos, carnavalesco:

“O desfile vai fazer uma viagem simbólica pela história da terra e da luta. Começamos com a criação do mundo e o sopro divino da vida, depois apresentamos a crítica à concentração fundiária e ao agronegócio, contrapondo com a cultura do campo e a agroecologia. Queremos retratar o MST como guardião da natureza e da vida. A mensagem é clara: a terra deve ser cuidada, partilhada e cultivada de forma coletiva.”

E qual o impacto esperado após o desfile?

Wagner Santos, carnavalesco:

“Esperamos que o público compreenda que comida boa e saudável nasce da terra cuidada com amor e trabalho coletivo, não da ganância do latifúndio. O carnaval é um espaço privilegiado da cultura popular, e por isso também é território de luta. Se conseguirmos tocar corações e mentes, já teremos vencido.”

Desfile

À Acadêmicos do Tatuapé entra na avenida para disputar a consciência e apresentar a força de luta pela terra e pela Reforma Agrária, por volta das 02h15, na madrugada do dia 14 de fevereiro, no sambódromo do Anhembi, em São Paulo.

Em parceria com o MST, a escola transforma o samba em ferramenta de transformação. E sem abrir mão da alegria e da beleza, que fazem do Carnaval uma das maiores expressões da cultura brasileira.

O lançamento oficial do samba-enredo aconteceu em 9 de agosto do ano passado, com feijoada e festa na quadra social da escola (Rua Melo Peixoto, 1513 – Tatuapé, SP). E em 16 de agosto tiveram início os ensaios e a preparando do desfile que promete emocionar o país.

Parede com emblema da Acadêmicos do Tatuapé, em seu Galpão. Foto: Priscila Ramos.

*Editado por Pamela Oliveira.