Luta pela terra
Movimentos do campo ocupam MDA em Maceió e cobram avanço da Reforma Agrária
Prédio onde funciona o Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (MDA), na capital alagoana, está ocupado desde a noite de domingo (1)

Da Página do MST
Movimentos populares de luta pela terra de Alagoas seguem em mobilização na defesa e avanço da Reforma Agrária no estado. No último domingo (1), o prédio do Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, em Maceió, foi ocupado por representantes das diversas organizações camponesas do estado. A principal reivindicação é que o governo federal acelere a resolução sobre a situação das famílias que vivem acampadas em terras que antes pertenciam às Usinas Laginha e Guaxuma, na região de Coruripe, União dos Palmares e Branquinha.
A ocupação cobra a imediata desapropriação, compra e destinação para fins de Reforma Agrária das áreas que integram a massa falida do Grupo João Lyra. E os movimentos populares também pressionam para o cumprimento do um acordo firmado entre o governo estadual e federal, que está parado, para o assentamento das famílias acampadas na região e que hoje seguem ameaçadas de despejo.
As organizações pautam ainda a suspensão dos despejos de outras áreas no estado e medidas que concretamente possibilitem o avanço na Reforma Agrária em todas as regiões de Alagoas.


A ação em Maceió segue mobilizando e articulando órgãos estaduais e federais para a garantia de uma reunião com o ministro do MDA, Paulo Teixeira, e o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), César Aldrighi.
A mobilização reúne representantes da Frente Nacional de Luta (FNL), Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), Movimento Popular de Luta (MPL), o Movimento Via do Trabalho (MVT), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento Terra Livre e do MST.
Entenda o caso
Desde o anúncio da abertura de falência do Grupo João Lyra, os movimentos populares do campo reivindicam o assentamento de milhares de famílias camponesas nos hectares de terras do grupo em Alagoas. De 2011 a 2014, os movimentos do campo ocuparam áreas das três usinas falidas no estado: Guaxuma, na região de Coruripe, Teotônio Vilela e Junqueiro; Uruba, no município de Atalaia; e Laginha, em União dos Palmares e Branquinha.
Somente em 2016 foi iniciado o processo de negociações entre os movimentos populares, o governo do estado, representantes da massa falida do Grupo João Lyra e do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas. Na tratativa, propôs-se um acordo que levou em conta a necessidade de pelo menos uma das usinas voltar a moer cana-de-açúcar, visando gerar recursos para honrar o pagamento aos credores. A proposta de acordo foi que as famílias Sem Terra desocupassem a Usina Uruba, em Atalaia, com maior possibilidade de retomar o trabalho de imediato e, como contrapartida, seriam destinados cerca de 1.500 hectares de terra da Usina Guaxuma para que as organizações que a ocupavam, e toda a Usina Laginha seria destinada para fins de Reforma Agrária Popular, porém o acordo que até então não foi cumprido.
*Editado por Solange Engelmann



