Mulheres em Luta
Usina com denúncias de trabalho análogo à escravidão é ocupada por mulheres do MST em Goiás
Ação da Jornada Nacional de Luta das Mulheres denuncia crimes trabalhistas, ambientais e cobra a desapropriação da área de 8 mil hectares da usina CBB para a Reforma Agrária

Da Página do MST
Cerca de 500 mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Distrito Federal e Entorno ocuparam na madrugada do dia 9 de março a área falida de 8 mil hectares da Usina da Companhia Bioenergética Brasileira (CBB), em Vila Boa de Goiás. A ação compõe a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, com o lema “Reforma Agrária Popular: Enfrentar as violências, Ocupar e Organizar”.
As mulheres do MST, organizadas nos Estados do Distrito Federal e Entorno, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia denunciam a demora do governo em desapropriar a usina que foi oferecida ao patrimônio da União para quitar as dívidas milionárias, e assim ser incorporada ao Programa Nacional de Reforma Agrária, resolvendo o passivo de famílias Sem Terra que vivem na região.
A Usina de 8 mil hectares de terra, compõe dois principais complexos: as fazendas Tábua de Cima e Prelúdio, dentre outras, que estão em processo de adjudicação, ou seja, estão sendo repassadas ao patrimônio da união como forma de pagar a dívida milionária que tem com o Estado.
Informações asseguram que a usina CBB deve mais de 300 milhões de reais, compostas por inúmeras dívidas tributárias, trabalhistas, embargos e multas ambientais. A área da usina, por si só, não quita as dívidas, pois a fazenda está avaliada em 200 milhões de reais.
Há inúmeras dívidas trabalhistas, em sua maioria com trabalhadores pobres assalariados que residem na região, mas também vem de outros estados do Brasil. Há denúncias de trabalhadores da usina que recebiam 27 reais de diárias, configurando assim trabalho análogo à escravidão.
Segundo dados públicos do Ministério do Meio Ambiente, a usina CBB tem uma área de aproximadamente 4 mil hectares de terras embargadas por cometimento de crimes ambientais, destruindo, desmatando áreas sensíveis de reserva sem nenhuma autorização, somando uma multa de 3 milhões e 200 mil reais pelos crimes cometidos, ferindo a legislação ambiental.
Importante ressaltar que essa usina se vale, em seus discursos, como Companhia “Bioenergética” ou na linguagem ambiental, como uma empresa verde, ou limpa, o que é uma grande mentira. A Usina CBB é inimiga do meio ambiente, operando o que chamamos de grennwashing, termo em inglês que se refere a práticas de maquiagem ou lavagem verde, pois escondem os crimes ambientais que cometem, explorando irregularmente o ambiente com práticas destrutivas.
Em setembro de 2025, o Ministério Público do Trabalho em Goiás (MPT-GO) resgatou 108 trabalhadores em condições análogas à escravidão após uma denúncia. O caso, amplamente divulgado apenas em 13 de outubro de 2025, revelou que os trabalhadores eram explorados no corte de cana-de-açúcar, submetidos a jornadas exaustivas, alojamentos precários, ausência de registro em carteira, além da falta de banheiros e de equipamentos de proteção.
A Usina CBB foi condenada a pagar mais de R$ 1,5 milhão em verbas rescisórias e indenizações por danos morais individuais.
Outra questão importante é que dentro da sede da usina tem instalada, de forma irregular e sem nenhum tipo de licenciamento, um Stand de tiros, que pode servir para diversas práticas irregulares, coagindo trabalhadores e utilizando deste espaço para inibir ações de Estado no território.
As 500 mulheres Sem Terra acampadas afirmam que não sairão da área até que o Estado encaminhe soluções e avance com o processo de desapropriação por dívida com a União, e de fato incorpore ela na política de Reforma Agrária, e dê uma solução definitiva para as famílias Sem Terra que se encontram em condições de acampadas no território.
Lutar! Construir Reforma Agrária Popular!



