Mulheres em Luta!

Mulheres do MST plantam 10 mil mudas de árvores durante Jornada de Lutas, no Paraná

Os plantios de árvores ocorreram em Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava, nos dois municípios mais atingidos pelos tornados que deixaram um rastro de destruição no estado em 2025

No assentamento Nova Geração, em Guarapuava, parte do plantio ocorreu próximo às áreas destruídas pelo tornado, em novembro de 2025. Foto: Ednubia Ghisi

Por Setor de Comunicação e Cultura do MST-PR
Da Página do MST

O Encontro Estadual das Mulheres Sem Terra do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná terminou nesta terça-feira (10), com a marca de 10 mil mudas distribuídas e plantadas em territórios dos Reforma Agrária. Os plantios massivos de árvores ocorreram em Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava, os dois municípios mais atingidos pelos tornados que deixaram um rastro de destruição em 11 municípios da região centro-sul do Paraná, em novembro de 2025. 

Realizadas entre segunda e terça-feira, 9 e 10 de março, as ações fizeram referência ao Dia Internacional das Mulheres e integraram a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra. O lema deste ano é “Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar!”. Na segunda-feira, uma marcha com cerca de mil mulheres de início às atividades, percorrendo a área urbana de Rio Bonito do Iguaçu. Com faixas, estandartes e músicas, a caminhada reafirmou a urgência do enfrentamento às violências contra as mulheres e meninas, à crise ambiental e pela superação do modelo do agronegócio, que desmata e degrada o meio ambiente. 

Entre mudas, enxadas e mãos sujas e calejadas pela terra, as mulheres reafirmaram que defender a natureza e cultivar a vida são pilares centrais da luta pela Reforma Agrária Popular. O pré-assentamento Herdeiros da Terra de Primeiro de Maio, em Rio Bonito, foi uma das áreas de Reforma Agrária mais afetadas pelos tornados. Nesta terça (10), as camponesas moradoras da comunidade se uniram às mulheres vindas de outras regiões do estado em um mutirão de plantio de árvores, formado por cerca de 700 pessoas.

Após um café da manhã reforçado, o coletivo atuou de forma descentralizada para realizar o plantio de mais de 5 mil mudas de frutíferas e nativas no pré-assentamento. A ação também faz parte do Mutirão da Jornada da Natureza, iniciativa que realiza plantios mensais com a meta de chegar a 1 milhão de mudas plantadas na comunidade.

Fotos: Danielson Postinguer
Um mutirão com cerca de 700 pessoas tornou possível o plantio de mais de 10 mil mudas na comunidade Herdeiros da Terra de Primeiro de Maio. Foto: Thiarles França

Segundo Sandra Alves, da direção estadual do MST e moradora da comunidade, o plantio é uma ação que pensa no futuro do território. “Esse plantio vai ajudar a nossa comunidade e as nossas crianças, com o cuidado da natureza e a garantia de um ambiente melhor para as próximas gerações”. Estes planos para um futuro melhor tiveram um reforço importante em janeiro deste ano, após dez anos de organização e resistência, a comunidade recebeu a notícia de que o governo brasileiro irá efetivar o assentamento das mais de 1 mil famílias acampadas no local. 

Já no acampamento Antônio Conrado, também localizado em Rio Bonito do Iguaçu, o mutirão de plantio de 1 mil árvores foi realizado em uma área de vegetação nativa e reservas legais destruídas pelo tornado. Segundo as camponesas, o significado desse plantio vai além da recuperação ambiental, pois se tratar também de um gesto coletivo de solidariedade e cuidado com a recuperação ambiental no território. 

Como resume a acampada Valquíria Rocha Leoncio, que vive no acampamento Antônio Conrado, a ação reuniu companheiras de acampamentos e assentamentos das regiões oeste e sudoeste do estado “num gesto de cuidado com a terra e de reconstrução do nosso território”. 

No acampamento Antônio Conrado, o mutirão de plantio de 1 mil árvores foi realizado em área de vegetação nativa e reservas legais destruídas pelo tornado. Fotos: Diangela Menegazzi 

“Nós ficamos muito felizes com a ação realizada hoje em nosso acampamento, porque logo após o tornado, o Movimento Sem Terra foi a organização que mais ajudou o município de Rio Bonito do Iguaçu, tanto na cidade quanto no interior. E a vinda das mulheres hoje novamente para Rio Bonito do Iguaçu é muito gratificante, porque hoje elas já vem para ajudar no reflorestamento, trazendo mudas, plantas medicinais”, completou a camponesa, se referindo à Brigada de Solidariedade do MST em apoio às vítimas dos tornados, que atuou durante cerca de 50 dias no município, desde o dia seguinte ao tornado.

Durante a permanência da Brigada de Solidariedade do MST na região, foram organizadas ações como a produção de marmitas, reconstrução de casas e telhados, mutirões de limpeza das ruas e atendimento à saúde. Cerca de 1 mil militantes do MST contribuíram com os trabalhos entre novembro e dezembro passados.

Mobilização em Guarapuava 

A Jornada das Mulheres Sem Terra do Paraná também chegou ao assentamento Nova Geração, em Guarapuava, atingido severamente pelos tornados de novembro de 2025. Logo na entrada da comunidade, duas mudas de ipê amarelos foram plantados ao lado de uma grande árvore de pínus, arrancada pela raiz pelos ventos de 400 quilômetros por hora. O ato simbolizou a esperança da resistência diante de tantas dificuldades trazidas pela catástrofe. Mais de 1 mil mudas também foram compartilhadas junto às famílias da comunidade e região. 

A camponesa Maria Etelvina Correa, que integra a coordenação do assentamento Nova Geração, em Guarapuava, e passou por momentos difíceis com os impactos do tornado no local, comemora a realização da atividade das mulheres Sem Terra no assentamento como um recomeço importante.

“É um recomeço para nós do assentamento Nova Geração, porque depois do tornado a gente teve um momento muito difícil, sem expectativa nenhuma. A gente tem um coletivo de mulheres que se preocupa com o bem-estar e a natureza, estamos implantando SAFs [Sistemas Agroflorestais] aqui, plantando mudas nativas, reconstruindo de novo o que no ano passado foi destruído pelo tornado”, relata Maria.

Foto: Vanderson de Oliveira
No assentamento Nova Geração, a mobilização simbolizou a esperança e resistência diante de tantas dificuldades trazidas com as catástrofes. Fotos: Ednubia Ghisi

Cestas de alimentos da Reforma Agrária foram distribuídas para as famílias atingidas. Os alimentos saudáveis foram comprados pelo Governo Federal por meio de uma parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a Associação de Cooperação Agrícola e Reforma Agrária do Paraná (ACAP). Centenas de pessoas participaram da ação, principalmente mulheres da Brigada Cacique Guairaçá (formada por comunidades do MST na região), de diversas regiões do estado e do coletivo Marmitas das Terra. 

As camponesas também fizeram panfletagem no centro de Guarapuava. Foto: Leonardo Henrique

No centro de Guarapuava, um grupo de mulheres do MST também realizaram uma atividade de panfletagem para dialogar com a população sobre os objetivos e sentidos da Jornada de Luta das Mulheres Sem Terra, durante o mês de março.

Os dois dias de atividades contaram com o apoio do projeto Semeando Gestão, fruto do convênio entre a Cooperativa Central da Reforma Agrária do Paraná (CCA-PR) e a Itaipu Binacional, por meio do Programa Mais que Energia, alinhado ao Governo do Brasil, e o Comitê de Cultura do Paraná. 

*Editado por Solange Engelmann