Reforma Agrária Popular

Escola do MST no RJ lança projeto que envolve agroindústria e geração de renda

Agroindústria de beneficiamento de frutas será instalada no assentamento Zumbi dos Palmares, em Campos dos Goytacazes

Previsão é de que projeto beneficie 200 jovens e adultos de forma direta. Foto: Alice Muniz/Divulgação

Do Brasil de Fato

Nesta segunda-feira (16), a Escola Estadual de Formação e Capacitação à Reforma Agrária (Esef), ligada ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), realizou o lançamento do projeto Campo-Cidade no assentamento Zumbi dos Palmares, localizado em Campos dos Goytacazes, norte fluminense. A iniciativa prevê a construção de uma agroindústria de beneficiamento de frutas e capacitação em economia solidária realizada em parceria com a Petrobras.

“O projeto se articula no tripé geração de renda, sustentabilidade e direitos humanos. Ele está sendo executado em três municípios da região norte-fluminense: Macaé, São João da Barra e Campos dos Goytacazes”, explica a coordenadora-geral do projeto Livea Bilheiro.

No núcleo 4 do assentamento Zumbi dos Palmares, em Campos, será instalada uma agroindústria de beneficiamento de frutas, para a transformação em polpa e geleias e alguns outros produtos como aipim e batata doce. “A ideia é que essa agroindústria atenda não só os assentados do assentamento Zumbi dos Palmares, mas também de outros assentamentos da região, fortalecendo a produção agroecológica e diversificando a produção na região, onde predomina o plantio de cana-de-açúcar”, acrescenta Bilheiro.

O projeto também prevê a construção de centros de capacitação para a geração de renda e produção agroecológica de acordo com as especificidades de cada município.

Dia histórico

“Esse é o marco principal de valorizar esses 30 anos de resistência que o nosso povo no assentamento Zumbi dos Palmares, transformando essas terras que eram da usina São João, marcadas pelo trabalho análogo à escravidão, pela degradação ambiental”, disse a deputada Marina do MST (PT) ao Brasil de Fato.

Na área onde se localiza o assentamento, a Usina São João, destinada ao beneficiamento de cana e abandonada desde a década de 1980. A ocupação realizada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), uma das primeiras no estado, foi feita em 12 de abril de 1997. Em outubro do mesmo ano saía o documento de posse.

“Vir aqui assinar essa parceria com MST neste dia é histórico. Marca também a retomada do papel social da Petrobras, nesse novo momento do governo federal – desde 2023 para cá. Temos muito a caminhar ainda e vamos caminhar com muitos outros atores de movimentos sociais”, disse o gerente executivo de Responsabilidade Social da Petrobras, José Maria Rangel.

Memorial

Ainda dentro do projeto está previsto a construção do Memorial Cambahyba, por meio da implantação de um portal interativo e da produção de vídeos educativos. O Parque Industrial da Companhia Usina Cambahyba foi palco de lutas recentes e antigas dos trabalhadores. No período da ditadura militar, o local serviu de espaço para incineração de corpos de 12 desaparecidos políticos.

O Complexo faliu em 1995 e desde então o MST realizou ocupações na região para que essas terras de 3.500 hectares fossem destinadas à Reforma Agrária. Cícero Guedes, assentado em Zumbi do Palmares, coordenou a ocupação desta usina e foi assassinado em 2013 com 12 tiros. Dez anos depois, o governo federal concedeu a posse da terra para os ocupantes do terreno. A criação do Memorial é uma demanda dos assentados desde 2023, quando o assentamento foi criado.

Editado por: Vivian Virissimo