Internacionalismo
MST realiza curso sobre internacionalismo e mobiliza 41 brigadistas para a Venezuela
Diante do avanço das agressões imperialistas e do genocídio palestino, o MST fortalece sua rede de solidariedade ativa com os povos em resistência ao redor do mundo

Por Judite Santos e Milena Polini
Da Página do MST
Vivemos um momento histórico marcado pela crise e pela decadência do imperialismo. Diante da perda de hegemonia global, as potências imperialistas – em especial o imperialismo estadunidense – intensificam a violência e as agressões como forma de preservar sua posição na ordem internacional.
Esse cenário se expressa na escalada dos conflitos geopolíticos ao redor do mundo: guerras em curso, o genocídio do povo palestino, ataques militares ao Irã, a ofensiva contra a Venezuela com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira combatente Cilia Flores, o recrudescimento do bloqueio contra Cuba, além de conflitos no Sudão e na República Democrática do Congo.
Diante desse contexto de disputas e instabilidade, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) reafirma o internacionalismo como valor e princípio revolucionário, mas também como estratégia dos povos em luta para a construção de uma alternativa contra-hegemônica capaz de enfrentar a sanha imperialista de dominação global. Para o Movimento, torna-se cada vez mais necessário fortalecer a solidariedade ativa entre os povos que resistem às diversas formas de dominação e exploração.
O MST fundamenta sua prática internacionalista na tradição marxista e leninista, tomando-a como orientação ideológica, e reconhece a Revolução Russa como um grande marco prático e teórico da revolução socialista mundial. Mas é nas lutas de libertação dos povos, tendo como marco precursor a Revolução Haitiana de 1804, protagonista da primeira e única revolução de negros escravizados do mundo, que se encontram as raízes históricas do internacionalismo, além da referência nas lutas de independência latino-americanas lideradas por Simón Bolívar, defensor da unidade latino-americana e caribenha na construção da Pátria Grande.

Com o objetivo de compreender o atual contexto internacional e qualificar a prática da solidariedade internacionalista, foi realizado na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) o curso “MST e o Internacionalismo”, com a Turma 1804 Nou La– expressão do crioulo haitiano que significa “nós estamos aqui” ou “estamos presentes”, uma afirmação coletiva de existência e resistência.
O curso teve como objetivo enraizar o internacionalismo no seio da militância e contribuir para a formação de novos brigadistas para tarefas internacionais. Constituiu-se também como um espaço de produção coletiva e socialização do conhecimento, a partir da experiência concreta de brigadistas que vivenciam, na prática cotidiana, as transformações do cenário internacional.
Durante duas semanas, 63 educandas e educandos de 16 estados brasileiros dedicaram-se ao estudo da geopolítica mundial e da atualidade da luta internacionalista. Foram debatidos temas relacionados às reconfigurações do poder global diante das disputas hegemônicas, ao papel da América Latina, da África e da Ásia, bem como aos desafios da classe trabalhadora nesta quadra histórica.
O internacionalismo como práxis revolucionária
A materialidade do internacionalismo como valor humano e princípio ético, orientador das lutas e resistências frente à escalada das agressões imperialistas, deve constituir uma prática permanente e civilizatória. Nesse sentido, para além do processo formativo, o curso buscou fortalecer o compromisso militante nas mais diversas áreas de atuação, desde os territórios de assentamentos e acampamentos até outras trincheiras da luta pela emancipação humana.
A socialização das experiências concretas e do acúmulo histórico de mais de 20 anos de brigadas internacionalistas teve destaque durante as duas semanas de formação. Cuba, Venezuela, Haiti, Zâmbia e China são países com presença permanente do Movimento. Além destes, a Palestina contou com brigadas bi-anuais entre 2011 e 2018, durante o período da colheita das olivas.
Concluímos esta jornada com ânimo renovado para enfrentar os desafios da conjuntura atual, reafirmando o internacionalismo como uma práxis revolucionária. Como desdobramento desse processo, foi organizado o envio de 41 brigadistas para uma missão de solidariedade na Venezuela, como parte fundamental da defesa da soberania dos povos.

*Judite Santos e Milena Polini são do Setor de Internacionalismo do MST
**Editado por Fernanda Alcântara



