Jornada das Mulheres
MST realiza ocupações em áreas de monocultura e denuncia especulação imobiliária na Grande João Pessoa
Ação na Grande João Pessoa integra Jornada Nacional das Mulheres Sem Terra e pressiona por destinação de áreas improdutivas

Por Carla Batista
Da Página do MST
Na madrugada do último domingo (22), cerca de 300 famílias mobilizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra realizaram ocupações em duas áreas na Grande João Pessoa. As ações ocorreram em uma área de Gramame, na zona sul da capital paraibana, e no município do Conde, às margens da BR-101, e fazem parte da Jornada Nacional das Mulheres Sem Terra, mobilização anual que articula reivindicações por Reforma Agrária Popular.
De acordo com a direção estadual do Movimento, aproximadamente 200 famílias ocuparam uma área em Gramame com o objetivo de denunciar a concentração de terras e pressionar pela destinação de fazendas localizadas no município de Santa Rita. Essas propriedades, que somam mais de 2 mil hectares, estariam sem cumprir a função social prevista na Constituição Federal.

Eva Wilma, da direção estadual do MST, afirmou que as ocupações buscam evidenciar desigualdades históricas no acesso à terra.
“A gente denuncia a concentração de terras e reivindica fazendas localizadas no município de Santa Rita para que a gente possa assentar essas famílias Sem Terra e fazer com que essa terra cumpra sua função social . São terras improdutivas e seguem o modelo de exploração que nega o direito à terra aos trabalhadores e trabalhadoras. Essas áreas historicamente servem para monocultura da cana-de-açúcar e concentração de terra”.
Na mesma madrugada, outra frente de ocupação ocorreu no município do Conde, onde o Movimento afirma haver avanço da especulação imobiliária. A área, localizada às margens da BR-101, próximo ao km 80, onde antes funcionava uma fábrica, integra uma região que tem registrado especulação imobiliária e crescimento de empreendimentos turísticos e urbanos nos últimos anos.

No litoral sul da Paraíba, o Movimento afirma que a valorização imobiliária tem alterado o uso do solo. Áreas antes destinadas à produção rural estariam sendo direcionadas para grandes empreendimentos, o que eleva o preço da terra e restringe o acesso por populações de baixa renda.
Situação das famílias acampadas
A dirigente ainda afirma que cerca de 3 mil famílias vivem atualmente em 29 acampamentos no estado da Paraíba, muitas delas aguardando há anos pela regularização fundiária. Em alguns casos, a espera pode ultrapassar duas décadas.
As ocupações integram uma estratégia histórica de luta pela Reforma Agrária Popular. O Movimento afirma que a redistribuição de terras poderia ampliar a produção de alimentos e melhorar as condições de vida no campo. Para Eva Wilma, a Jornada Nacional das Mulheres Sem Terra, em março, também destaca o protagonismo feminino nas mobilizações e busca relacionar a pauta agrária a temas como violência, desigualdade e acesso a direitos.

*Editado por Fernanda Alcântara



