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Feira Nacional da Reforma Agrária chega à 6ª edição com mais de 2 mil variedades de alimentos

Evento será realizado entre 14 e 17 de maio no Parque da Água Branca e reunirá cooperativas de todo o Brasil com produção agroecológica e programação cultural

Feirantes na V FENARA. Foto: Priscila Ramos

Da Página do MST

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) confirmou a realização da 6ª Feira Nacional da Reforma Agrária, entre os dias 14 e 17 de maio, no Parque da Água Branca, na cidade de São Paulo. O evento reunirá mais de 2 mil variedades de alimentos produzidos em assentamentos, acampamentos e agroindústrias da Reforma Agrária Popular de todo o país, além de programação cultural, debates políticos, oficinas e apresentações artísticas.

A edição de 2026 chega em um momento de disputa política explícita em torno do modelo agrícola brasileiro. Para os dirigentes do MST, a feira não é um evento comercial isolado: é uma ferramenta de posicionamento público do projeto de Reforma Agrária Popular.

João Paulo Rodrigues, da direção nacional do MST, falou sobre o vínculo entre o evento e o contexto político do país. Para ele, a Feira precisa ser lida como uma resposta coletiva e organizada aos desafios do presente.

A Feira da Reforma Agrária precisa ser uma resposta aos tempos mais difíceis, pois a arte e a cultura têm o papel de recuperar o ânimo e dar respostas à vida real. A Feira é a porta-voz dessa animação

João Paulo Rodrigues

A Feira Nacional surgiu há dez anos a partir da experiência acumulada nas feiras estaduais, com destaque para as realizadas em Alagoas. “A Feira Nacional é fruto da nossa experiência de articulação política nacional e também das duas grandes festas internacionais: a Festa do Partido Comunista da França e a Festa do Partido Comunista Português”, disse Rodrigues.

A 6ª edição da feira será organizada em torno de cinco objetivos estruturantes, com destaque para a disputa do modelo de agricultura que o MST defende: produção agroecológica, soberania alimentar e vinculação entre alimento, cultura e política.

Geraldo Alckmin na V FENARA. Foto: Priscila Ramos

Rodrigues explicou que a 6ª Feira Nacional deve dialogar com a conjuntura a partir desses objetivos e destacou que “o primeiro objetivo é fazer uma disputa do nosso modelo de país, do nosso modelo de agricultura, da agricultura que nós queremos: com base nos alimentos, na agroecologia, na culinária e no conjunto das ações”, afirmou o dirigente.

Débora Nunes, da direção nacional do MST, reforça essa leitura. Para ela, a feira é uma materialização prática, visível e tangível, do projeto político do Movimento. “A Feira não é só um espaço de comercialização, ela é uma ferramenta política de diálogo, de posicionamento político da Reforma Agrária Popular, uma perspectiva estratégica a partir da sua materialização”, declarou Nunes.

A maior diversidade da história

Feirante na V FENARA. Foto: Priscila Ramos

Em termos de escala produtiva, a 6ª Feira Nacional da Reforma Agrária pretende superar todas as edições anteriores. A estimativa é de que mais de 2 mil variedades de alimentos sejam comercializadas durante os quatro dias de evento, produzidas por cooperativas, acampamentos e assentamentos distribuídos em todos os estados do país.

João Paulo Rodrigues destacou o alcance que esse volume representa. “Faremos a maior feira da Reforma Agrária do mundo em termos de diversidade de produtos. Serão mais de 2 mil produtos, que falam com milhares de pessoas, não somente com as pessoas que estão indo ao Parque da Água Branca ou que estão em São Paulo”, afirmou o dirigente.

A Feira Nacional também cumpre uma função interna para o Movimento de organizar e visibilizar a produção dos assentamentos em escala nacional. Rodrigues destacou que o alimento precisa estar no centro da cultura e da política do MST e que o evento é um momento estratégico de articulação entre os estados.

Caminhos da Agroecologia da V FENARA. Foto: Larissa Lopes

Para Débora Nunes, o evento tem uma dimensão pedagógica que vai além da comercialização. A feira apresenta à sociedade, de forma concreta, o projeto do MST para a agricultura brasileira e o faz por meio de múltiplas linguagens: alimentar, cultural, artística e política.

Podemos dizer que, assim como as feiras nos estados, a Feira Nacional é a possibilidade de nós, de forma muito materializada, colocar para a sociedade qual é o nosso projeto de agricultura, o que nós queremos e entendemos como Reforma Agrária Popular”

A 5ª Feira Nacional da Reforma Agrária, realizada em maio de 2025, registrou 580 toneladas de alimentos comercializados, de 1.920 tipos diferentes, produzidos por 180 cooperativas de todo o Brasil. Ao longo dos quatro dias, 300 mil pessoas circularam pelo Parque da Água Branca. Além disso, foram doadas 40 toneladas de alimentos, e um acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) garantiu que os excedentes fossem comprados e destinados à merenda das escolas públicas por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

Nunes detalhou as dimensões do evento, que deve ser mais ampliado este ano. “A Feira traz a produção, o alimento saudável, mas também traz a culinária e o debate mais estrutural do modelo de agricultura. Também traz a dimensão da cultura, da arte, da saúde Sem Terra e popular. É, de fato, a pedagogia do Movimento Sem Terra materializada no espaço do Parque da Água Branca, com as suas diversas dimensões e proposições”, completou.

Formação política, cultura e arte

Ato MST Cultivando Solidariedade na V FENARA. Foto: Sara Gehren

Além da produção e comercialização de alimentos, a Feira Nacional é também um espaço estruturado de formação política e expressão cultural. Na edição de 2025, foram realizadas 30 oficinas e seminários temáticos, além de debates espontâneos em diversas barracas e de uma programação cultural que reuniu 42 grupos artísticos e mais de 350 artistas populares. Os shows de Marina Lima, Paulinho Moska, Djonga e Arnaldo Antunes integraram a grade de apresentações.

Para 2026, a ideia de “Organizar a produção, a cultura e a alegria” indica que, além do impacto externo — voltado à sociedade e ao debate público sobre agricultura —, a realização da Feira Nacional cumpre um papel interno fundamental para o MST: mobilizar os estados, articular cooperativas e agroindústrias e fortalecer os vínculos entre produção, cultura e política dentro do próprio Movimento.

A 6ª Feira Nacional da Reforma Agrária ocorrerá entre os dias 14 e 17 de maio de 2026, no Parque da Água Branca, em São Paulo. Informações e programação completa serão divulgadas pelo MST em ao longo deste mês!