Internacionalismo

Brigada de Solidariedade se mobiliza em territórios comunais de toda a Venezuela

Mais de 80 militantes de movimentos sociais do Brasil, participam de processo de formação, intercâmbio e apoio ao povo venezuelano

Foto: Brigada Internacionalista de Solidariedade Hugo Chávez

Por Brigada Internacionalista de Solidariedade Hugo Chávez
Da Página do MST

Formada por 83 militantes de diversos movimentos sociais do Brasil (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Central das Trabalhadoras e Trabalhadores do Brasil, Levante Popular da Juventude, Marcha Mundial das Mulheres, Movimento Brasileiro de Solidariedade com Cuba e Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz) e da Venezuela (Unión Comunera e Bloco das Comunas), a Brigada Internacionalista de Solidariedade Hugo Chávez encontra-se em território venezuelano desde o último dia 20 de março, em um processo de formação, trabalho e estudo coletivo sobre a conjuntura atual do país. O processo de organização popular das Comunas acontece em apoio ao povo venezuelano.

Nas duas primeiras semanas, o grupo permaneceu em Caracas e se dedicou a conhecer e compreender o contexto e a conjuntura atual do país, atravessada pelos acontecimentos de 3 de janeiro de 2026, que resultaram em mais de 100 mortos, dezenas de feridos e no sequestro do Presidente Nicolás Maduro e da Deputada e Primeira-Combatente, Cilia Flores. Entre os temas estudados, destacaram-se o processo histórico da Venezuela, a soberania popular, a organização e o poder popular, o chavismo e o socialismo bolivariano, o trabalho de base, a ativação territorial, o feminismo comunitário, a comunicação popular e a questão da construção da identidade da Brigada, que recebeu o nome de Hugo Chávez.

Durantes estes dias, os participantes da Brigada puderam compreender como o sequestro do Presidente da República Bolivariana da Venezuela se relaciona com a estratégia estadunidense de domínio do continente sul-americano, para o controle das riquezas naturais e a inviabilização de projetos alternativos ao capitalismo, como o socialismo bolivariano. Assim, o estudo sobre a organização das comunas e a construção do poder popular têm sido elementos de formação para que a solidariedade, na prática, possa contribuir com o processo revolucionário em curso.

Fotos: Brigada Internacionalista de Solidariedade Hugo Chávez

Como gesto de apoio e solidariedade internacionalista, os militantes aderiram às manifestações de luta do povo venezuelano. Primeiro, na manifestação contra os bloqueios estadunidenses à economia do país e, no dia 26 de março, à concentração na Praça Bolívar, em Caracas, pela audiência do presidente Nicolás Maduro e da deputada Cilia Flores, que ocorreu em Nova York, EUA.

Em ambos os momentos, testemunharam o apoio do povo a Maduro e Cilia, bem como à presidente encarregada, Delcy Rodríguez, que hoje lidera o processo da Revolução Bolivariana. Da mesma forma, presenciaram a clara denúncia ao imperialismo, que viola de forma cruel e constante a soberania do país.

Para vivenciar ainda mais a cultura local, compreender a história do povo venezuelano e os processos de luta e organização popular, a Brigada também pôde conhecer alguns pontos importantes de Caracas e do Estado de Miranda, tais como: o Quartel da Montanha, mais conhecido como 4F, o bairro de San Agustín, famoso por sua resistência cultural, pelo turismo comunitário e por uma forte identidade baseada na música e na arte urbana, bem como o Centro Cultural Nativa Crea e a Comuna José Félix Ribas, em Guarenas, além de participarem do programa “Con el Mazo Dando”, do Ministro de Relações Internas, Justiça e Paz, Diosdado Cabello.

Fotos: Brigada Internacionalista de Solidariedade Hugo Chávez

No Quartel da Montanha, os militantes se emocionaram com a memória do presidente Hugo Chávez e conseguiram “sentir a mística” que se cria em cada venezuelano quando seu nome é mencionado. No bairro de San Agustín, no Centro Cultural Nativa Crea e na Comuna José Félix Ribas, foi possível observar alguns processos de apropriação da cidade pelo poder popular. San Agustin, bairro de afrodescendentes com rota turística e cultural, murais que destacam a cultura do bairro e um teatro administrado pela comunidade. Nativa, também um espaço cultural apropriado por e para jovens, com oficinas que envolvem os moradores em atividades artísticas e esportivas. Já a Comuna José Félix Ribas compartilhou sobre as culturas musical e gastronômica.

No programa “Con el Mazo Dando”, os brigadistas puderam observar e vivenciar uma das estratégias de comunicação de massa da esquerda venezuelana. Os símbolos das organizações do Brasil e da Venezuela captados pelas câmeras demonstraram o apoio e a solidariedade ao povo irmão do país caribenho.

Foto: Brigada Internacionalista de Solidariedade Hugo Chávez

Concluída essa primeira etapa, os participantes da brigada partiram para os territórios a fim de conhecer e contribuir nos processos desenvolvidos pelas comunidades. Nas comunas das seis regiões da Venezuela: Los Llanos, Los Andes, Região Guayana, Centro Capital, Centro Ocidental e Oriente, os militantes vão passar cerca de 40 dias conhecendo e trocando conhecimentos e experiências com os comuneros e comuneras.

Como já disse o comandante Hugo Chávez: “A comuna é o espaço onde vamos conceber e dar à luz ao socialismo a partir do pequeno; grama a grama, pedra a pedra, vai-se formando a montanha”. 

A pátria segue, com solidariedade, organização, trabalho e luta.

*Editado por Solange Engelmann