Educação
MST na Bahia fortalece a luta pela alfabetização com formação de educadores no Nordeste
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Por Michele Lima e Andréa Almeida*
Da Página do MST
De 23 a 27 de fevereiro, mais de 200 educadores e educadoras das áreas de assentamento e acampamento da Reforma Agrária participaram de uma intensa jornada de formação promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Bahia. O encontro aconteceu no Centro de Formação Pátria Livre, no município de Barra do Choça (BA), na regional Sudoeste, e faz parte da Jornada de Alfabetização e Escolarização de Jovens e Adultos das Áreas de Reforma Agrária do Nordeste, uma ação do governo federal, Incra e Universidade Federal de Pernambuco, para fortalecer a educação popular e emancipadora nos territórios de luta.
Síntia Paula, do setor de Educação do MST na Bahia, explica que o encontro foi um momento fundamental para socializar o projeto de alfabetização, aprofundar a análise da conjuntura política e educacional, fortalecer os fundamentos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e estabelecer as metodologias de mobilização e alfabetização.
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Bebemos na fonte de Paulo Freire, que inspira toda a nossa metodologia. Reafirmamos sua contribuição para a leitura do mundo e para a construção de territórios e pessoas livres, por meio de uma educação libertadora”
Síntia Paula
Durante os cinco dias de encontro, os educadores e educadoras se aprofundaram na educação popular, como o uso de palavras e temas geradores e as vivências geradoras, que conectam o processo de ensino à realidade dos educandos. Oficinas práticas também fizeram parte da formação, abordando a construção de um ambiente alfabetizador e educativo, a história dos números, o papel da matemática e a relação entre escrita e letramento.
O encontro encerrou com um momento estratégico e organizativo, com a construção do planejamento coletivo a partir das 10 regionais envolvidas.
“Agora, cada educador e educadora retorna à sua base preparado para transformar a sala de aula em um espaço de diálogo, construção coletiva e emancipação. Queremos nossos territórios livres do analfabetismo”, conclui Síntia.
A Jornada de Alfabetização reafirma o compromisso histórico do MST com a educação popular, fortalecendo o direito à alfabetização de todos os níveis, do letramento à universidade, como ferramenta de resistência, autonomia e transformação social. Na Bahia, serão organizadas 340 turmas, que envolvem quase 150 municípios.
*Michele Lima e Andréa Almeida são do coletivo de comunicação do MST