Ciranda Infantil
Sem terrinha presentes no 14° Encontro Nacional do MST
Ciranda Infantil Paulo Freire fortalece participação de militantes e forma consciência política desde a infância

Por Camilla Sousa e Maria Leal
Da Página do MST
Durante o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que iniciou no dia 19 de janeiro em Salvador (BA), a Ciranda Infantil Paulo Freire se destaca como um espaço fundamental de cuidado, formação e organização política das crianças Sem Terrinha.
Ao todo, participam da Ciranda 148 crianças e 73 educadoras e educadores cirandeiros, além de uma coordenação geral composta por oito pessoas, conforme informa a coordenadora geral da atividade, Raquel de Jesus.
A organização das ações é estruturada em Núcleos de Base (NBs), que agrupam as crianças por faixa etária — desde bebês de zero a dois anos até crianças de nove a doze anos. Também participam adolescentes entre 13 e 15 anos, que atuam de forma integrada tanto no cuidado com as crianças quanto em processos formativos voltados à sua própria formação política e organizativa.

Ao longo da programação, que se estende até a sexta-feira (23), serão realizadas oficinas, atividades recreativas e momentos pedagógicos planejados a partir de temas específicos. As ações não se limitam ao entretenimento, mas fazem parte de um processo educativo contínuo, que busca introduzir desde cedo reflexões sobre justiça social, organização coletiva e luta política.
Entre as atividades desenvolvidas estão momentos de criação artística, como pintura e construção de bandeiras, intercalados com brincadeiras livres e dinâmicas orientadas. A Ciranda cumpre também um papel fundamental de apoio às famílias que participam da atividade nacional.
“Ao garantir um ambiente seguro, estruturado e pedagógico para as crianças, o espaço possibilita que mães, pais e responsáveis participem das plenárias e demais atividades com tranquilidade e presença integral”, afirma Raquel de Jesus.
A dirigente estadual do MST e mãe, Letícia Viana, também destaca a importância da Ciranda. “É o cuidado e a certeza que a gente tem de que, enquanto estamos estudando, nossas crianças estão sendo cuidadas por pessoas militantes, por educadoras que têm compromisso com a transformação da sociedade.”
Para atuar na Ciranda, é necessário passar por um processo prévio de formação. “Não é qualquer pessoa. É preciso ter o perfil de educador. Todos passam por um processo de formação para que, nesse momento, saibam lidar com imprevistos”, explica Raquel.

A segurança é outro aspecto prioritário, especialmente por se tratar de um espaço de formação política. A equipe conta com zeladoria própria, incluindo um grupo específico dedicado à Ciranda, responsável pelo controle de acesso, vigilância dos espaços e acompanhamento das atividades.
Mais do que um local de recreação, a Ciranda Infantil Paulo Freire se consolida como um espaço de vivência, formação política e construção coletiva desde a infância, baseado no cuidado coletivo, na educação crítica e em valores como solidariedade, organização e transformação social.
O Encontro Nacional realizado na Bahia reafirma o compromisso do MST com a formação de crianças e adolescentes em um ambiente seguro, pedagógico e politicamente consciente, integrando educação, luta e cuidado como dimensões inseparáveis do processo formativo.
Destaques da programação
Nos dias 19 e 20 de janeiro, aconteceram as oficinas “Plantando com Malik”, com a educadora Carol Afroinfância, e “Grafismo Indígena”, com Tiago Tupinambá. Também foi realizada a oficina “Construção das bonecas abayomis: entre retalhos, saberes e ancestralidade”, conduzida pelas educadoras Jamaiara. Nesse período, as crianças produziram ainda cartazes e faixas para a intervenção coletiva.
No dia 21, a manhã foi dedicada à preparação e à realização da intervenção coletiva. Ao longo do dia, ocorreram também as oficinas “Comunicação Coletivo MST” e “Vem pro canto da cantoria”, com a professora doutora Lela Queiroz.

Em 22 de janeiro, a programação inclui a oficina “Plano Nacional Plantar Árvores e Produzir Alimentos Saudáveis”, com Meryele e coletivo; a oficina “Saúde na infância”, promovida pelo Setor de Saúde do MST; e a oficina “Culinária da Terra: o que comemos e o que nossa família produz?”. Os alimentos preparados nessa atividade são destinados ao Cinema Kiriku, que também acontece no mesmo dia.
A programação se encerra em 23 de janeiro, com a Festa Sem Terrinha, reunindo brincadeiras e músicas. O restante do dia é dedicado a vivências em família pela cidade de Salvador.
Editado por Iris Pacheco



