Internacionalismo
Sahel e soberania: povos africanos enfrentam o neocolonialismo e reafirmam a luta anti-imperialista
Os recentes acontecimentos no Sahel recolocam no centro do debate internacional a luta dos povos africanos por soberania

Por Gabrielly Preato
Da Página do MST
Os recentes acontecimentos no Sahel — região que abrange países como Mali, Burkina Faso e Níger — recolocam no centro do debate internacional a luta dos povos africanos por soberania, autodeterminação e controle sobre suas riquezas naturais. Em entrevista à TV Sem Terra, Elizabeth Cerqueira, militante do MST e integrante da Brigada Samora Machel, que atua há cinco anos na Zâmbia, analisa as raízes históricas e políticas desse processo.
Segundo Elizabeth, embora esses países tenham conquistado a independência formal há mais de seis décadas, as estruturas coloniais nunca foram efetivamente rompidas. O domínio francês, em especial, manteve-se por meio do controle econômico e monetário, além da exploração mineral, configurando um neocolonialismo que impede que as riquezas do continente se revertam em melhorias concretas nas condições de vida de seus povos.
A presença militar estrangeira, frequentemente justificada pelo discurso do “combate ao terrorismo”, aprofundou a instabilidade na região. Esse processo tem provocado deslocamentos forçados, aumento da violência e a desorganização das comunidades camponesas. “Não há segurança sem justiça social”, afirma a brigadista, ao destacar que a militarização historicamente serviu para proteger interesses externos e sufocar a organização popular.
Nesse contexto, a criação da Aliança dos Estados do Sahel e a expulsão das tropas francesas representam um passo importante na construção da soberania regional. A iniciativa fortalece a cooperação entre os países, amplia o controle sobre seus territórios e reafirma o direito dos povos de decidirem seus próprios caminhos políticos e econômicos, livres da tutela imperialista.

A luta do Sahel, no entanto, não se restringe ao continente africano. Para Elizabeth, o imperialismo que atua na África é o mesmo que avança sobre a América Latina e outros territórios do Sul Global. Por isso, a resistência desses povos dialoga diretamente com a luta da classe trabalhadora brasileira e com os processos de organização popular em todo o mundo.
“A soberania não é apenas territorial, mas também econômica, cultural e histórica”, reforça a militante. Nesse sentido, a solidariedade internacionalista entre os povos segue sendo um instrumento fundamental para enfrentar o capitalismo e construir projetos populares enraizados nas necessidades e na realidade das maiorias.
*Editada por Iris Pacheco



