Pressão

Novo nome na diplomacia dos EUA amplia ameaças à soberania da Venezuela

Boletim Venezuela em Foco #15

No Brasil, a solidariedade à Venezuela ganhou novamente as ruas, com a realização de uma marcha do MST, em Salvador nesta quinta (22). Foto: Ana Flávia

Da Página do MST

Washington nomeou a diplomata Laura Dogu como nova responsável pelos assuntos venezuelanos, um movimento que sinaliza a intenção de conduzir diretamente a transição política desejada pelo governo Donald Trump. Com passagens por Honduras e Nicarágua, Dogu construiu uma trajetória marcada por atuação abertamente injerencista, alinhada aos interesses estratégicos norte-americanos na América Central, o que reforça a leitura de que sua designação está menos associada à mediação e mais à contenção e ao controle político da crise venezuelana.

Um editorial do jornal chinês Global Times destacou o retorno de uma Nova Doutrina Monroe, apontando que a ação contra a Venezuela e a retórica agressiva em relação a outros países da região indicam a consolidação de uma política externa baseada na força, na intimidação e no desprezo às normas multilaterais. 

No campo militar, novas informações aprofundam a gravidade da agressão de 3 de janeiro. O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, confirmou que o ataque utilizou armamentos de nova geração e sistemas de Inteligência Artificial, empregados em larga escala, transformando o território venezuelano em um verdadeiro laboratório de guerra. Embora tenha reconhecido a assimetria tecnológica, Padrino afirmou que a supremacia militar encontra limites políticos diante da coesão das Forças Armadas e da resistência do país, reforçando a ideia de que a tecnologia, por si só, não garante controle político duradouro.

Paralelamente à ofensiva militar, a chamada guerra cognitiva segue como um eixo central do conflito. O governo venezuelano desmentiu reportagens de veículos ocidentais que disseminaram acusações contra a presidenta interina Delcy Rodríguez sem apresentar provas, classificando o conteúdo como parte de uma estratégia sistemática de desinformação. 

Enquanto isso, a resposta política e social se articula dentro e fora do país. O presidente cubano Miguel Díaz-Canel manteve conversa com Delcy Rodríguez e reafirmou a solidariedade histórica de Cuba com a Venezuela, destacando os laços de cooperação e fraternidade entre os dois povos em um momento de forte pressão externa. Em Caracas, organizações e movimentos sociais protocolaram uma carta na sede da ONU exigindo a libertação do presidente Nicolás Maduro e de Cilia Flores, sequestrados após a agressão dos Estados Unidos, reforçando a dimensão internacional da denúncia.

No Brasil, a solidariedade também ganhou novamente as ruas. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou uma marcha em Salvador em apoio à Venezuela e anunciou o envio de uma nova brigada internacionalista a Caracas, prevista para fevereiro, ampliando a rede de apoio popular ao povo venezuelano. 

Desde a Venezuela, o governo convocou uma mobilização global pela libertação de Maduro e Cilia marcada para o dia 3 de fevereiro, articulando atos internacionais como parte da estratégia de pressão política e diplomática contra o sequestro.

No plano humanitário, o retorno de 183 venezuelanos por meio do Plano Vuelta a la Patria reafirma o esforço do Estado em garantir o direito de seus cidadãos regressarem ao país, mesmo sob bloqueio, sanções e agressões externas. 

Para saber mais:

VídeoA guerra simbólica se intensifica a duas semanas do dia 3 de janeiro (La Iguana TV – Espanhol)
Artigo – A multipolaridade: um novo ordenamento mundial? (Correo del Alba – Espanhol)
Artigo – Fidel tomou Caracas (Granma – Espanhol)