Resistência
Boletim nº 21 – ‘Ajoelhados, jamais’
Boletim Venezuela em Foco #21: governo de Delcy Rodríguez amplia diálogo, reorganização política e participação popular das comunas

Da Página do MST
Lideranças chavistas relembraram o levante de 4 de fevereiro de 1992, liderado por Hugo Chávez, reafirmando a rejeição a qualquer forma de submissão externa. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, destacou a lealdade e a resiliência da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), apresentando o espírito daquele episódio como fundamento da defesa atual da soberania nacional. O anúncio ocorreu durante no 34.° aniversario da Rebelião Civil-Militar, no último dia 4 de fevereiro.
No plano interno, o governo interino ampliou a aposta no diálogo e na reorganização política. Delcy Rodríguez anunciou a criação de uma Comissão de Convivência Democrática, com o objetivo de pactuar regras de participação política e reduzir tensões. Em paralelo, determinou que todo o gabinete econômico passe a se dedicar à economia comunal, fortalecendo cadeias produtivas lideradas pelo poder popular. Já as comunas assumem papel central na produção em larga escala de alimentos básicos — como milho, arroz, café, soja e feijão — com foco na substituição de importações e na soberania alimentar.
A mobilização popular segue como eixo estruturante. Manifestações massivas voltaram a exigir a libertação e o retorno de Nicolás Maduro, enquanto protestos internacionais denunciaram o sequestro do presidente e o avanço dos Estados Unidos sobre decisões estratégicas do Estado venezuelano. No Brasil, o MST realizou ações simbólicas em solidariedade à Venezuela e a Cuba, reforçando a dimensão regional da resistência. Ação realizada no dia 3 de fevereiro, relembrou e denunciou um mês da agressão militar dos Estados Unidos contra a Venezuela.
No campo diplomático, Delcy Rodríguez manteve conversas diretas com Donald Trump e com representantes do governo norte-americano, em meio a sinais ambíguos de distensão e pressão. Washington devolveu à Venezuela o valor restante da primeira venda de petróleo realizada após o sequestro de Maduro, ao mesmo tempo em que empresas internacionais retomam compras e negociações.
Segundo reportagem da Reuters, a empresa indiana Reliance Industries (RELI.NS) adquiriu dois milhões de barris de petróleo venezuelano, enquanto Rodríguez se reuniu com executivos da Repsol e da Maurel & Prom para consolidar alianças após a reforma da Lei de Hidrocarbonetos. A Rússia voltou a denunciar novas sanções como tentativa de expulsar empresas russas do setor energético venezuelano.
O petróleo permanece no centro da disputa geopolítica. A retomada de exportações, o interesse de multinacionais e as articulações entre governos contrastam com a permanência de sanções e com a presença militar dos EUA no entorno do Caribe.
Em paralelo, o tema da Venezuela também foi pauta da reunião entre o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e o presidente norte-americano Donald Trump. O encontro ocorreu para aliviar tensões diplomáticas após ameaças dos EUA contra colombianos e críticas de Petro à política imperialista Trumpista.
Para saber mais:
ANÁLISES:
Artigo – Será que a Índia pode trocar o petróleo russo pelo venezuelano, como Trump deseja? (Al Jazeera)
Vídeo – Manifestantes vão às ruas pela libertação do líder da Venezuela (Uol)
Vídeo – Esto no va a cesar (Almaplus.Tv)
Vídeo – Sur vs. Donroe: Venezuela entre la guerra psicológica y la organización popular (
Barricada TV e ARG Medios)
Vídeo – As mentiras da grande mídia sobre a Venezuela (FNDC).



