MST no Carnaval
Unidos da Lona Preta e Rosa do Povo são campeões do Carnaval de Curitiba
“[...]Mesmo que a gente ache que naquele lugar não tem resistência, no fundo sempre vai brotar uma rosa naquele canto pra te mostrar que tem gente lutando[…]”

Por Ana Clara Garcia Lazzarin, do Setor de Comunicação e Cultura do MST no PR
Da Página do MST
Com o coração na boca e lágrimas nos olhos, foi assim que toda a avenida Marechal Deodoro no centro de Curitiba ficou durante o último dia de desfile do carnaval de 2026. E depois de 15 dias de preparação, ensaiando, recortando, colando, lixando e estudando, a Unidos da Lona Preta estava lá no momento de mostrar pro mundo o que o povo tem pra dizer.
Carnaval com o MST
No decorrer do 5° Curso de Carnaval, companheiros e companheiras do Paraná e de outros estados, como Rio Grande do Sul e Espírito Santo, se juntaram às comunidades de Curitiba na construção do carnaval da avenida, com uma participação mais massiva na escola Rosa do Povo.

Nas duas primeiras semanas de fevereiro, quando aconteceu o curso, foram realizadas diversas formações teóricas em meio aos ensaios , como a formação ‘Música e Política no Brasil’ , com Ricardo Pazello, professor e pesquisador do carnaval, e ‘MST e a Música’ , com Ícaro Motta, artista militante do MST que atua no norte do Espírito Santo.
“Aqui é um espaço onde o MST tenta recompor esse vínculo histórico do samba que nasce no terreiro e do terreiro que é do campo, reestruturar essas relações, entendendo esse papel que é histórico do samba como um espaço político de resistência”, comenta Ícaro após o dia de formação.
Os desfiles e a comunidade
O ápice do curso foi nos três últimos dias, quando todo o empenho e dedicação das últimas semanas finalmente estão prontos para adentrar a avenida. Este ano, a Unidos desfilou com a Enamorados do Samba do grupo especial, que deu um show com seu enredo “Dois Bois e um Sonho: Parintins e Enamorados em uma só Festa!”.

Mas foi no segundo dia, com o grupo de acesso, que os 13 participantes do curso entraram todos juntos na avenida com a estreante Rosa do Povo, escola criada em meados de 2025 que debutou com o enredo “Nasce uma Rosa na Curitiba de todos os Povos”, trazendo a força e a diversidade dos povos que aqui habitam.

Lauriane Ribas, estudante de Agronomia com ênfase em Agroecologia pelo Pronera, afirma que o desfile mostra para a sociedade que “mesmo que a gente ache que naquele lugar não tem resistência, no fundo sempre vai brotar uma rosa naquele canto para te mostrar que tem gente lutando, lutando pelas minorias, contra a desigualdade e sempre pelo bem maior”.
Lauriane também comenta com emoção a oportunidade de assistir ao desfile da Acadêmicos do Tatuapé no sambódromo do Anhembi em São Paulo: “Esse carnaval foi especial pra mim, porque graças a nossa Unidos da Lona Preta eu consegui ir pra São Paulo ver o carnaval, ver a Tatuapé tocando um enredo sobre a Reforma Agrária”
Que venham outros carnavais
No último dia de curso, a Unidos se juntou com todas as comunidades e escolas de samba para conferirem a apuração dos desfiles no Memorial de Curitiba. A apreensão era sim muito grande, mas a felicidade de todos que entregaram o seu melhor nos 50 minutos de avenida e dedicam suas vidas a construir o carnaval e o samba no dia a dia era muito maior.
A festa explodiu quando o resultado do grupo de acesso foi anunciado: a Rosa do Povo na sua primeira vez na avenida é campeã e sobe para o grupo especial do Carnaval de Curitiba. Henri Stadzisz, ritmista e diretor da Rosa, fala sobre a conquista logo após o anúncio: “É muito trabalho escola samba, precisa estar muito unido, precisa gostar do que faz […] a gente é muito grato a todo mundo que fez parte dessa construção, todos fazem parte da grande comunidade da Rosa do Povo”.

A festa foi na comunidade e com a comunidade. O samba enredo que levou o troféu e foi cantado em uníssono na Marechal falava sobre uma Curitiba de todos os povos e exaltava a pluralidade e a beleza dessa mistura, e os povos do campo estavam presentes, no canto e na avenida.
Emily Paz, participante do curso que mora na ocupação urbana Marielle Vive em Palmas, interior do Paraná, explica: “Carnaval tem isso de estar lutando para sair na avenida, mostrar que está ali, e acredito que isso casa muito com o que a gente faz no Movimento, a gente luta, mostramos que existimos, que não é por que somos uma minoria que não fazemos uma revolução, a gente está ali lutando pelo que a gente acredita”.
Conheça o som da Unidos da Lona Preta
Para além do curso que acontece todo ano em Curitiba para acompanhar e contribuir com as escolas de samba parceiras, a Unidos também constroi o samba no campo, tendo lançado dois sambas enredos disponíveis no Spotify e com video clip no Youtube.

Acompanhe a Unidos durante o ano inteiro e aproveite para não sair do ritmo até o próximo carnaval!

Confira a galeria completa:
*Editado por Fernanda Alcântara











































