Reforma Agrária Popular

Pela vida e contra a fome: MST reafirma a urgência da Reforma Agrária Popular na CIRADR+20

Movimento marca presença histórica em conferência internacional e defende ofensiva contra transnacionais e massificação da agroecologia

Foto: Agência Brasil

Por Fernanda Alcântara
Da Página do MST

A luta internacional camponesa esteve na pauta de países em Cartagena, na Colômbia, durante a realização da 2ª Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (CIRADR+20). O encontro retomou o debate global sobre a democratização do acesso à terra como ferramenta central para enfrentar a crise climática e garantir a Soberania Alimentar de todos os povos.

O MST marcou presença histórica no evento, representado por Jaime Amorim e Jailma Lopes, ambos da Direção Nacional do Movimento. A participação dos dirigentes reforçou o protagonismo das organizações populares na defesa dos Direitos dos Camponeses e Camponesas e na denúncia do projeto destrutivo do capital que avança sobre os territórios.

Jailma Lopes destaca que a primeira conferência foi um marco para a luta camponesa global: “A primeira aconteceu aqui no Brasil, em Porto Alegre, no marco dos 10 anos de Eldorado dos Carajás”. Segundo a dirigente, o encontro foi um “esforço de internacionalizar o tema da Reforma Agrária e dos conflitos que estavam emergentes”, sendo organizado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Essa articulação inicial ocorreu no início do primeiro Governo Lula, pautada pela forte presença internacional do Movimento.

Neste sentido, a CIRADR+20 serviu para atualizar o caráter da Reforma Agrária hoje, pautando uma perspectiva “integral, popular e de caráter anti-imperialista, anticolonial, antipatriarcal e antirracista”. O debate teve como foco o impacto social da terra, entendendo que a posse segura é a diferença entre a sobrevivência e a insegurança alimentar profunda.

Os números apresentados pela FAO durante a conferência revelam a face cruel da concentração fundiária: apenas 10% dos maiores proprietários concentram 89% de toda a área cultivável do planeta. Enquanto isso, 85% dos agricultores mundiais administram áreas menores que dois hectares, resistindo com apenas 9% da área agrícola total.

Para o MST, é fundamental retomar o 17 de abril como um dia internacional capaz de dar unidade às lutas de todos os povos do mundo, uma vez que a data simboliza a resistência frente à aceleração do capital sobre os territórios e a natureza. O exemplo do MST e de outras organizações brasileiras precisa partir, segundo Jailma, da retomada de lutas com caráter de ofensiva contra as corporações transnacionais que atacam os trabalhadores em todo o mundo. Para Jailma Lopes, o momento exige uma ofensiva contra o avanço predatório do agronegócio e da mineração.

Existe a necessidade da gente se posicionar e posicionar a Reforma Agrária e a soberania alimentar como alternativa urgente e necessária para esse contexto de aceleração do projeto do capital”

Jailma Lopes, da direção nacional do MST

Ela ainda apontou que a luta deve “impor limites às corporações transnacionais e construir instrumentos internacionais que pautem os governos”. Segundo a dirigente, é preciso avançar na “massificação da agroecologia” e na produção de alimentos saudáveis para que o campo seja sinônimo de dignidade e bem viver.

O encontro se encerrou com o consenso de que a terra é o espaço onde se protege a biodiversidade e se produz a vida. Com a esperança renovada, o MST segue em marcha para transformar a Reforma Agrária em uma verdadeira “revolução pela vida”, fortalecendo a unidade das lutas populares em todo o mundo.

Confira aqui o relatório sobre a “Situação Internacional da Posse e da Governança da Terra”, lançado no evento:

*Editado por Solange Engelmann