Combate ao analfabetismo

Cerimônia celebra formatura com mais de 30 mil alfabetizados no campo e periferias do país

Atividade acontece no próximo sábado (28), no Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães, em Recife (PE), com a expectativa de reunir cerca de 7 mil pessoas

Sala de aula no acampamento Canudos, na Paraíba. Foto: Carla Batista

Por Gustavo Marinho
Da Página do MST

Como parte das Jornadas de Alfabetização realizadas nos últimos meses nas áreas de Reforma Agrária e nas periferias do país, o próximo sábado (28) será marcado pelo ato simbólico de formatura de aproximadamente 30 mil educandos e educandas, representados nas 7 mil pessoas presentes no ato.

Os educandos e educandas integraram as iniciativas de alfabetização de jovens e adultos no âmbito do Pacto de Superação do Analfabetismo e Qualificação de Jovens e Adultos, do Ministério da Educação (MEC), em parceria com o MST, Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Projeto Mãos Solidárias.

O ato acontece a partir das 14h, no Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães, conhecido como Geraldão, em Recife (PE). E conta com a participação da secretária da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (SECADI), Zara Figueiredo; a representante da Coordenação Nacional do Pronera, Clarice dos Santos; o diretor de Desenvolvimento do Incra, José Ubiratan, e do coordenador nacional do Movimento Sem Terra, João Pedro Stedile.

Foto: Mãos Solidárias

“Este será um ato que simboliza parte da construção realizada tanto nas áreas de Reforma Agrária, quanto nas periferias de nosso país, numa demonstração da necessidade de seguirmos ampliando políticas públicas junto à sociedade que paute a superação do analfabetismo e possibilite ações concretas para encarar essa realidade ainda tão presente em nossa sociedade”, destacou Marcela Nunes, que integra a Jornada de Alfabetização de Jovens e Adultos nas áreas de Reforma Agrária. A ação em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que organizou cerca de 1.500 turmas nos nove estados do Nordeste, envolvendo aproximadamente 20 mil camponeses e camponesas na sala de aula.

Foto: Mãos Solidárias

De acordo com Nunes, o ato simbólico é mais uma etapa construída por educandos e educadoras que realizaram toda a Jornada ao longo dos últimos meses e que reafirma a disposição coletiva de acampados e assentados da Reforma Agrária na tarefa de seguir estudando.

Esse é mais um passo importante. Temos muitos outros pela frente na tarefa de superar o analfabetismo e construir uma nova história em nossos territórios”, sinalizou Marcela.

Unindo campo e cidade no direito de estudar

Assim como o mutirão de alfabetização realizado nas áreas de Reforma Agrária, as periferias urbanas do país também receberam uma diversidade de espaços educativos, abrindo salas de aula no cotidiano de bairros, becos e vielas em 11 estados do país.

Ao todo, 52 municípios integraram a Jornada de Alfabetização de Jovens e Adultos nas Periferias, organizada pelo projeto Mãos Solidárias junto ao MEC e a UFPE, envolvendo mais de 18 mil alfabetizados nas cidades.

“Nossa Jornada é um marco para os territórios mais vulnerabilizados em nosso país”, refletiu Luz Marin, da coordenação da Jornada no estado do Ceará. “Conseguimos construir num período de cinco meses de um amplo e diverso processo de alfabetização e isso é muito simbólico”.

Luz ressalta o destaque da iniciativa: o método cubano de alfabetização “Sim, eu posso!”, que possibilitou um exercício coletivo de aprendizagem de maneira rápida e relacionada com as reflexões sobre os desafios de cada território. 

“O método ‘Sim, eu posso!’ trouxe para as periferias que atuamos, e apontou para todo o Brasil que é possível transformar nossa realidade e nosso país através da educação”, pontuou a cearense.

Foto: Carla Batista

Expectativa para os próximos passos

A formatura realizada em Recife deve reunir representações de todos os estados onde as Jornadas foram realizadas e será também o espaço de lançamento do Cadastro Único da Educação de Jovens e Adultos, o CadEJA, ferramenta do Governo Federal que apoiará o levantamento de demanda para a oferta de turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA), além de novos referenciais para a implementação das políticas de EJA no campo e nas cidades.

Para além dos anúncios do Governo, as iniciativas também seguem mobilizadas em seus territórios a partir das milhares de turmas, educadores e educandos para a realização das próximas etapas do processo de escolarização, pautando o direito à educação como bandeira central para o próximo período.

*Editado por Solange Engelmann