Arquivo e memória

Movimentos e organizações populares realizam atividade rumo a 2º Conferência Nacional de Arquivos

A Etapa Livre Nacional: Arquivos da luta popular pela terra e por direitos, memória e reparação, ocorre neste sábado (11), a partir das 14h30, em formato híbrido

Marcha histórica do MST com 100 mil pessoas em Brasília em 1997, no marco de um ano do massacre de Eldorado do Carajás. Imagem: Douglas Mansur / Arquivo e Memória MST

Por Solange Engelmann
Da Página do MST

Como objetivo de discutir propostas de valorização e estruturação da história documental dos trabalhadores e trabalhadoras no Brasil, no próximo sábado (11), entre 14h30 e 18h, acontece a Conferência da Etapa Livre Nacional em preparação para a 2ª Conferência Nacional de Arquivos (CNArq) do Brasil, que ocorre entre os dias 26 e 28 de maio, em Brasília-DF, e tem como lema: “Arquivos: Agentes da Cidadania e da Democracia”.

A atividade será híbrida, com espaço presencial em São Paulo, SP, e virtual para os inscritos que não puderem comparecer presencialmente. No encontro está prevista a participação de representantes de movimentos e organizações populares como do MST, Movimentos dos Atingidos por Barragens (MAB), da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Armazém Memória e a Rede Acervos. Também serão convidados trabalhadores e trabalhadoras de arquivos e centros de memória, pesquisadores, militantes sociais e representantes de outros movimentos populares interessados para participar.

Por que os movimentos e organizações populares sentem a necessidade de debater a importância da memória? A coordenadora da equipe de Arquivo e Memória Nacional do MST, Lucimeire Rocha, explica que a memória representa o alicerce da identidade coletiva e da resistência de uma organização, de um movimento e de um povo, ao permitir a conexão entre as lutas do passado e as demandas do presente, evitando assim que os acontecimentos sejam esquecidos ou distorcidos.

Ela [memória] funciona como um combustível político que fortalece o sentimento de pertencimento ao movimento e serve como uma ferramenta estratégica para impulsionar as novas gerações, garantindo que a trajetória fundamente a legitimidade de suas lutas”, resume.

Para o MST, o debate sobre o papel da memória também é crucial por ser uma ferramenta de resistência e identidade. “O acervo documental, material de sua caminhada pela terra, pela Reforma Agrária, é fundamental. A preservação desses arquivos é fundamental porque permite disputar a “verdade” histórica contra narrativas que tentam apagar a resistência popular. É um passo para garantir que documentos históricos da organização sejam preservados por quem os produz”, enfatiza Lucimeire.

O debate central da atividade será focado no Eixo 6: “Arquivos Privados e Comunitários, Pluralidade da Memória e Interesse Público e Social”, na tentativa de dar visibilidade aos acervos de organizações e movimentos populares que documentam a história de luta e as violações de direitos. Ao mesmo tempo, também estão ocorrendo as etapas estaduais em todo o país, que discutem os seis eixos delimitados nacionalmente para a Conferência Nacional.

A 2ª Conferência Nacional de Arquivos está sendo organizada pelo Ministério da Gestão e da Inovação. A primeira ocorreu em 2011. Após 15 anos da realização da primeira conferência, a realização da 2ª CNArq é especial para os movimentos sociais por criar espaços de discussão sobre os arquivos e espaços de memória dos trabalhadores organizados.

“Para nós dos movimentos sociais essa conferência é de extrema importância porque, diferente da primeira, essa conferência está falando também dos arquivos comunitários de movimentos sociais, arquivos populares que têm a sua especificidade, que têm toda a sua organicidade, diferente de um arquivo público ou de um arquivo privado”, destaca Lucimeire.

A atividade da Etapa Livre Nacional irá fundamentar o debate no texto base da 2ª CNArq, que possui papel importante na elaboração de propostas, com potencial para serem unificadas e levadas para a Conferência Nacional, que acontece em Brasília, em maio. Além de definir propostas, o objetivo dessa etapa preparatória do dia 11 é eleger um delegado para participar da Conferência Nacional.

“Nessa Conferência Livre iremos conversar sobre arquivos comunitários, a importância de se ter esses arquivos e de serem preservados por quem os produz. É de extrema importância que as organizações e os movimentos populares possam cuidar e preservar o seu acervo. Vamos também discutir propostas e pautar políticas públicas para arquivos comunitários, para que a gente consiga trabalhar com os acervos dos movimentos populares e ter o respaldo da lei de arquivos”, conclui Lucimeire.

*Editado por Fernanda Alcântara