Batalhas das ideias

Encontro de comunicação popular fortalece a luta do povo Sem Terra em Goiás

O Encontro de comunicação popular, realizado na Regional Edson Pintor, buscou fortalecer a comunicação popular como estratégica na divulgação das lutas e resistência, na defesa da Reforma Agrária Popular 

Foto: MST GO

Por Ivaneides Bernardes, Silma Raquel Quirino de Oliveira, Rui Franco Ramos, Rosemira de Sousa Ferreira e Júlia Barbosa*
Da Página do MST

O Iº Encontro de Comunicação Popular do MST da Regional Edson Pintor aconteceu no último fim de semana, entre 04 e 05 de abril, no pré-acampamento Oziel Alves, no município de Catalão, em Goiás. A atividade promoveu oficinas de Texto, Rádio, Foto e Vídeo, com o objetivo de aprimorar conhecimentos e fortalecer a comunicação popular como estratégica para divulgação das lutas e resistências, fundamental na luta pela terra e pela reforma agrária popular. 

O encontro contou com a participação das comunidades do acampamento Eliane Prado e do pré-assentamento Oziel Alves, que acolheu a atividade. A formação foi realizada a partir da parceria de longa data entre o MST em Goiás, o Coletivo Magnífica Mundi, da Universidade Federal de Goiás (UFG), e a Universidade Federal de Catalão. O grupo, com cerca de 40 participantes, se dividiu entre as oficinas, que foram propostas de forma integrada, de modo que todas as pessoas pudessem experienciar práticas diversas e compartilhadas em comunicação popular.

Os e as participantes consideraram o encontro bastante produtivo, com grandes aprendizados: “As oficinas foram todas muito boas e eu espero que a próxima etapa aconteça o mais rápido possível para trocarmos mais conhecimentos”, expressou Juliano José Teles, do acampamento Eliane Prado. Liliane Belchior, da mesma comunidade, afirmou que sua expectativa é levar os conhecimentos trocados durante as oficinas e colocá-los em prática.

Foto: Ludmila Pereira

Esse também é o desejo de Andreia Aparecida Silva, que contribuiu na cozinha durante o encontro. A companheira acrescentou que considera a atividade importante pela oportunidade das pessoas que participaram aprenderem e ensinarem às outras que estão na luta.

A formação, que já vem de uma construção coletiva e continuada à alguns anos pelo setor de comunicação do MST, foi mais um momento para fortalecer a comunicação popular do MST no estado, bem como aprimorar as práticas compartilhadas de registro, produção e divulgação de narrativas próprias, enraizadas no cotidiano da luta pela terra, a partir de quem luta por direitos sociais, contra os discursos e as práticas violentas e manipuladas do agronegócio.

De acordo com Tatiane Maria da Silva, dirigente estadual do setor de Comunicação e Juventude do MST, “a comunicação é um meio de aproximar a sociedade do movimento e fazer com que as pessoas saiam desse momento com consciência em fortalecer a comunicação popular, em cada acampamento e assentamento”.

Reconhecida como articuladora social e transformadora de realidades, o professor Luiz Carvalho, da UFCAT, refletiu que a comunicação, para a formação social, vai de encontro com as necessidades da formação política, auxiliando no processo de luta para libertação da sociedade dos interesses capitalistas.

Segundo Willian Oliveira, do Coletivo Magnífica Mundi, a importância da comunicação na conscientização de um povo se dá, primeiramente, pelo princípio do compartilhar, do pensar e construir coletivamente, em rede:

A comunicação popular cria uma conexão entre diversos territórios que compartilham da mesma luta, que é a Reforma Agrária Popular”, afirmou o jornalista.

O encontro demonstrou que a luta pelo direito à terra e o direito à comunicação caminham juntas, rumo ao território livre – das cercas físicas do latifúndio e das cercas simbólicas da mídia burguesa.

“Ocupar, comunicar, construir Reforma Agrária Popular!”

*Ivaneides Bernardes, Silma de Oliveira, Rui Ramos e Rosemira Ferreira vivem no acampamento Eliane Prado, em Goiás e Júlia Barbosa faz parte do Coletivo Magnífica Mundi da UFG.

**Editado por Solange Engelmann