Internacionalismo

Venezuela NÃO é uma ameaça, mas SIM uma esperança

Em missão de solidariedade, integrantes do MST visitam comunas na Venezuela e denunciam impacto das sanções dos EUA na vida do povo venezuelano

Foto: Brigada Internacionalista de Solidariedade com a Venezuela Hugo Chávez

Por Brigada Internacionalista de Solidariedade com a Venezuela Hugo Chávez
Da Página do MST

Quatro meses após o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da deputada e Primeira-Combatente Cilia Flores, a Brigada Internacionalista de Solidariedade com a Venezuela Hugo Chávez, após 15 dias de preparação teórica, prática e organizativa, encontra-se mobilizada em seis regiões do país para conhecer em profundidade a realidade venezuelana e o processo político-organizativo que vem sendo construído nas comunas, no contexto da conjuntura atual.

Divididos em núcleos de base: Juventude Zamorana, Dandara a Avançadora, Nalú Farias, Raízes Latino-Americanas, Negra Matea e Cacica Apacuana, nos deslocamos para as regiões de Los Andes, Centro Capital, Los Llanos, Oriente, Guayana e Centro-Oeste do país. Ao percorrer as comunas desses diferentes estados, nos enriquecemos com a diversidade de experiências e nuances do processo revolucionário em curso, que tem muito a nos ensinar.

Fomos recebidos por um povo generoso, sensível e disposto a trocar ideias sobre a realidade dos países, nossas lutas e perspectivas futuras para a revolução. Ficamos encantados com as paisagens montanhosas, que também fazem parte da beleza do povo, e com a arte e a cultura; bebemos da alegria das pessoas, que sob nenhuma circunstância lhes foi tirada. Viemos dar nosso abraço mais fraterno de solidariedade ao povo e, em cada lugar, recebemos mais do que poderíamos dar.

Foto: Brigada Internacionalista de Solidariedade com a Venezuela Hugo Chávez

Em um país que luta e demonstra sua força nas ruas, nos unimos a diversas mobilizações para demonstrar nosso apoio e solidariedade como povos irmãos, como na concentração pela audiência de Nicolás Maduro e Cilia Flores, na Mobilização Nacional Venezuela Livre de Sanções e Bloqueios e na manifestação pelos 20 anos da Lei Orgânica dos Conselhos Comunais.

Em contraposição aos discursos veiculados pela mídia burguesa, que falam de uma “Venezuela caótica”, sem apoio ao presidente ou à presidente encarregada Delcy Rodríguez, vimos uma unidade política e a convicção de que somente a Venezuela e o governo revolucionário poderão garantir a paz. Por isso, exigem o retorno de Nicolás Maduro e Cilia Flores, bem como o fim das sanções e bloqueios que asfixiam a economia do povo, para governar em liberdade.

Desde 2014, a Venezuela é classificada pelos EUA como uma ameaça à segurança nacional estadunidense, o que se traduz em medidas coercitivas que afetam a economia venezuelana. A principal fonte de renda do país é o petróleo, mas as relações comerciais bloqueadas, além de diversas outras sanções, causam a escassez de divisas necessárias para se integrar ao mercado global. Vemos no dia a dia das pessoas como essa situação se reflete nos baixos salários, na desvalorização e na rápida flutuação da moeda (bolívar), na impossibilidade de importar tecnologia para melhorar as infraestruturas dos serviços de água, energia elétrica, educação, saúde e alimentação, afetando direitos humanos básicos. Um exemplo disso são as comunidades sem acesso à água potável nas residências, pois quem poderia vender ferramentas e tecnologias para consertar as tubulações é justamente quem impõe as sanções, e o mesmo ocorre com outros serviços. A guerra contra a Venezuela não começa em 2026, com o sequestro do presidente e os bombardeios que mataram 130 pessoas com tecnologias que impedem a identificação dos corpos. A guerra é histórica, midiática, econômica, e causa violência, fome e migração forçada do povo.

Como superar essa situação? Com o aparato produtivo afetado por sanções criminosas, pudemos observar os esforços constantes das comunas para se tornarem espaços autossustentáveis e autônomos, a partir de processos produtivos comunitários com capacidade de gerar excedentes destinados a resolver as necessidades das comunidades. Compreendemos como as consultas populares, implementadas em 2024 pelo governo de Nicolás Maduro, deram vida e impulso à organização popular, que a cada 4 meses decide quais projetos financiar com os recursos transferidos diretamente ao povo. Muitos deles são destinados, em primeiro lugar, à resolução de serviços básicos e outros a propostas de projetos produtivos que fortaleçam a economia comunal.

Foto: Brigada Internacionalista de Solidariedade com a Venezuela Hugo Chávez

Nesse sentido, imersos no processo organizativo de cada comunidade, realizamos trabalhos voluntários em diversas áreas produtivas: manutenção de hortas agroecológicas, limpeza e embelezamento de áreas, apoio na construção de espaços coletivos, entre outros, que contribuíram com o trabalho que planejam em sua agenda concreta de ação.

Para o diretor da Fundação para o Desenvolvimento e Promoção do Poder Comunitário (FundaComunal) do Estado de Trujillo, Pedro Gonzáles, essa é uma tarefa muito importante. “Com todo o compromisso, toda a humildade e valorizando enormemente o esforço que cada um de vocês faz por estar aqui, deixando para trás suas famílias, mas comprometidos com o projeto de Bolívar, com o projeto de Chávez”, enfatizou.

Da mesma forma, o representante da FundaComunal, Henry Ruiz, também falou da importância da Brigada e de suas características. “É entre todos, com a diversidade, que podemos construir, e vocês demonstram isso porque cada um tem formações diversas, pensamentos diversos, assim como cada um de nós vê a ação política no território. E isso, no final, nos levava a um consenso, a um acordo, e era construir, neste caso, o que é a comuna, um passo adiante na organização, no poder no território, que é o que nós queremos”, afirmou Ruiz. “Estamos muito gratos pelo fato de não estarmos sozinhos, somos muitos os que acreditamos na comuna”, concluiu.

Alimentados pela troca de experiências e por um profundo espírito de luta e solidariedade, alimentamos também nossa mística revolucionária. Sensibilizados com um povo que resiste, lembramos nossos mártires, aqueles que nos ensinaram que não há descanso para os povos que ainda se organizam pela liberdade. Por isso, no dia 17 de abril, Dia Internacional de Luta pela Terra, relembramos os 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, onde foram assassinados 21 camponeses do MST no Brasil, que marchavam em busca de terra para trabalhar. Além disso, relembramos também o dia 11 de abril, dia do golpe de Estado contra o presidente Hugo Chávez, que retornou 48 horas depois dos protestos do povo nas ruas. Todo 11 tem seu 13, e a memória disso nos instiga a continuar nos organizando; é aí que reside nossa força.

Continuamos fortes e motivados, convencidos de que somente o exercício do poder popular garante a plena felicidade de seu povo; por isso dizemos bem alto: Comuna ou Nada! Liberdade para Nicolás Maduro e Cilia Flores!

Foto: Brigada Internacionalista de Solidariedade com a Venezuela Hugo Chávez

*Editado por Fernanda Alcântara