Educação

Oficina fortalece produção de bioinsumos e agroecologia no Assentamento 2 de Julho (MG)

Formação reuniu agricultores e agricultoras para debater saúde do solo, agroecologia e autonomia camponesa nos territórios da Reforma Agrária

Foto: Alí Nacif

Por Alí Nacif
Da Página do MST

Na quarta-feira, 6 de maio de 2026, o Assentamento 2 de Julho, em Minas Gerais, realizou a Oficina de Bioinsumos e Saúde do Solo – Biopoder Camponês. A atividade reuniu assentados, assentadas e agricultores da região em um espaço de formação voltado à agroecologia, à recuperação da vida do solo e à construção da autonomia produtiva nos territórios da Reforma Agrária.

A oficina foi ministrada por Tomás Alvarenga e Pâmela Souza, com debates e atividades práticas sobre produção de bioinsumos, fermentação biológica, manejo agroecológico e fortalecimento da fertilidade do solo por meio de recursos produzidos nos próprios territórios camponeses.

Foto: Alí Nacif

A formação apresentou alternativas ao modelo agrícola baseado na dependência de fertilizantes químicos e agrotóxicos. Durante a atividade, os participantes debateram o papel da agroecologia na produção de alimentos saudáveis, na preservação ambiental e na permanência das famílias no campo.

Além das práticas de produção de bioinsumos, a oficina aprofundou o debate sobre o avanço do agronegócio e seus impactos sobre o solo, a água e a saúde da população. A atividade reafirmou a agroecologia como parte da organização popular no campo e como instrumento de enfrentamento ao modelo de monocultivo e destruição ambiental imposto pelo agronegócio.

Os participantes também compartilharam experiências de produção desenvolvidas nos assentamentos, fortalecendo a troca de conhecimentos entre agricultores e agricultoras. A formação teve como eixo central o fortalecimento da soberania produtiva e da capacidade das famílias camponesas produzirem com autonomia, reduzindo custos e ampliando o cuidado com a terra.

Foto: Alí Nacif

“A Reforma Agrária Popular só se constrói com um povo consciente da sua classe e do seu lugar na sociedade. Por isso, a formação política e a formação agroecológica são fundamentais. A agroecologia precisa estar no centro da matriz produtiva da Reforma Agrária Popular porque integra todas as pessoas e fortalece a soberania alimentar do povo. Quando as famílias produzem seu próprio alimento e seus próprios insumos, constroem autonomia e deixam de depender do mercado externo e dos insumos químicos do agronegócio. A agroecologia permite conservar a terra, cuidar do solo e garantir permanência no campo com dignidade.”

O MST também debate a massificação da produção agroecológica como forma de enfrentamento direto ao agronegócio. Produzir alimentos saudáveis em escala significa garantir que a população do campo e da cidade tenha acesso a alimentos sem veneno, produzidos com respeito à terra e à vida.

O agronegócio trabalha com monocultura e destrói a vida do solo. A agroecologia faz o contrário: fortalece a biodiversidade, recupera o solo e valoriza tecnologias populares construídas historicamente pela agricultura camponesa. Os bioinsumos fazem parte desse processo porque permitem que os camponeses e as camponesas permaneçam na terra produzindo com autonomia”, relata Pâmela Souza.

Foto: Alí Nacif

Ao longo do dia, foram realizadas atividades práticas sobre preparo de biofertilizantes, fortalecimento biológico do solo e manejo ecológico das plantações. A proposta da oficina foi fortalecer tecnologias populares construídas historicamente pela agricultura camponesa e ampliar o acesso aos conhecimentos agroecológicos dentro dos assentamentos.

Foto: Alí Nacif

A atividade reafirmou a importância da cooperação e da formação política na construção da Reforma Agrária Popular. Para o MST, produzir alimentos saudáveis e cuidar do solo são tarefas diretamente ligadas à defesa da vida, da soberania alimentar e da permanência das famílias no campo.

“Essa oficina mostrou para nós que produzir bioinsumos dentro dos próprios assentamentos é possível, acessível e necessário. Os agricultores e agricultoras participaram ativamente, tiraram dúvidas e perceberam que grande parte do que precisamos já existe na própria natureza e nos territórios. Isso fortalece a autonomia das famílias e reduz os custos da produção. O mais importante é entender que estamos cuidando do solo e da produção sem utilizar veneno. Um solo vivo e saudável é fundamental para garantir plantas sadias e alimentos saudáveis para o povo. Os bioinsumos fortalecem esse cuidado com a terra e ajudam a preservar a natureza.”

A oficina também reforçou a importância da troca de conhecimentos entre agricultores e agricultoras de diferentes áreas. Foi um espaço de aprendizado coletivo, com participação ativa das famílias e da equipe técnica. A expectativa é que essas práticas continuem sendo fortalecidas dentro do Assentamento 2 de Julho e também em outros territórios da Reforma Agrária”, comenta Dega, assentada do Assentamento 2 de Julho e coordenadora do Coletivo Juntos Somos Mais Fortes.

Foto: Alí Nacif

A Oficina de Bioinsumos e Saúde do Solo – Biopoder Camponês integra as ações de formação agroecológica desenvolvidas nos territórios da Reforma Agrária em Minas Gerais, fortalecendo a organização coletiva e a produção camponesa comprometida com o cuidado da terra e com a alimentação do povo brasileiro.

*Editado por Leonardo Correia