Saúde dos povos
Estudantes de Medicina do MST assumem Comitê Executivo Estudantil das Américas na ELAM, em Cuba
Iniciativa busca o fortalecimento da integração da Juventude Latino-americana

Por Diego Vicente
Da Página do MST
A Escola Latinoamericana de Medicina (ELAM) deu mais um importante passo de integração entre os povos do continente com a formação oficial do Comitê Executivo Estudantil da Região das Américas, no período entre 2026 a 2027. Composto por estudantes do Brasil, Colômbia, México e Peru, e sob a presidência brasileira, o novo Comitê Executivo Estudantil reforça um espaço estratégico de articulação estudantil, fortalecimento da solidariedade internacional e defesa da saúde como direito dos povos.
Neste mandato, os brasileiros assumem a presidência do Comitê pela Região das Américas e participam de secretarias estratégicas, fortalecendo iniciativas voltadas à integração política entre os povos.
A iniciativa reafirma o compromisso da ELAM com a formação de médicos e médicas comprometidos com a transformação social, a soberania dos países latino-americanos e caribenhos e a defesa da vida. O Comitê atuará como elo entre os estudantes da região, fortalecendo a integração acadêmica, cultural e política, além de defender Cuba e os demais povos latino-americanos diante dos desafios comuns enfrentados pela região.
A criação do Comitê também representa um importante reconhecimento do papel da juventude nos espaços organizativos. Em um contexto marcado por profundas desigualdades sociais e pelos desafios impostos à educação e à saúde pública, a participação ativa das juventudes latino-americanas e caribenhas torna-se fundamental para construir alternativas coletivas e fortalecer os processos de integração entre a juventude de distintos países.

Janaína dos Santos, estudante do primeiro de medicina na ELAM é uma das integrantes da Brigada do MST de Estudantes de Medicina Maria Aragão fará parte da presidência do Comitê. Ela é filha de assentados do assentamento Conquista na Fronteira, no estado de Santa Catarina. E comenta sobre a importância dos jovens do MST em fazer parte deste comitê e do desafio em presidi-lo. “A participação da juventude do MST nos espaços de organização da ELAM representa um compromisso que vai além da formação profissional.”
Segundo ela, a tarefa dos militantes do Movimento em Cuba é formar médicos e médicas comprometidos com a classe trabalhadora, ao mesmo tempo em que fortalecem a defesa da Revolução Cubana e a solidariedade entre os povos. Nesse processo, o internacionalismo se concretiza por meio da convivência com estudantes de mais de 75 países, do diálogo entre diferentes realidades e da construção coletiva nos espaços de representação estudantil. “Assumir responsabilidades na organização da ELAM é também fortalecer a unidade dos povos e contribuir para uma formação comprometida com as necessidades da classe trabalhadora”, afirma.
Ela destaca ainda que a atuação da Brigada de Estudantes de Medicina Maria Aragão, organizada pelo MST, é fruto de um processo coletivo que busca ampliar a participação dos estudantes e contribuir com a vida da universidade. Para a estudante, essa experiência reafirma que: “a saúde é um direito universal e que sua defesa passa, necessariamente, pela luta por dignidade, justiça social e unidade internacional dos povos.”
Na ELAM, estudantes de dezenas de países compartilham experiências, culturas e conhecimentos, formando uma geração de profissionais comprometida com a medicina humanista e com a solidariedade internacional. Nesse sentido, o Comitê Executivo Estudantil amplia esse processo, estimulando o protagonismo da juventude na construção de uma América Latina e Caribe mais unidos, soberanos e socialmente justos.
Entre os principais objetivos do Comitê está a consolidação de uma rede estudantil interamericana ativa, inclusiva e sustentável, capaz de promover o intercâmbio cultural, a equidade de gênero, o respeito à diversidade e o fortalecimento da comunicação entre os estudantes. A proposta busca contribuir para a formação integral de futuros médicos e médicas preparados para compreender e transformar a realidade de seus territórios.
O plano de atuação está organizado em diversos eixos estratégicos de trabalho, entre eles o fortalecimento da unidade regional, a promoção da diversidade e da inclusão, a pesquisa voltada às realidades locais, a criação de uma rede de bem-estar emocional, a participação estudantil ativa, a sustentabilidade ambiental, a valorização da arte e da cultura, elaboração do Estatuto das Américas e a promoção de espaços permanentes de debate e construção coletiva.
Outro destaque é a proposta de criação de encontros de saberes e arquivos vivos digitais, voltados ao resgate, à valorização e à preservação dos conhecimentos dos povos originários, das comunidades afrodescendentes e dos setores historicamente marginalizados. Também integram a agenda do Comitê ações voltadas à equidade de gênero e à construção de espaços seguros, com atividades de formação sobre direitos, prevenção às violências e fortalecimento das redes de apoio entre os estudantes.
Além de uma instância de representação estudantil, o Comitê Executivo Estudantil das Américas simboliza o compromisso da juventude com a ciência, a solidariedade entre os povos e a transformação social. Em sintonia com os princípios que orientam a ELAM desde sua criação, a nova gestão reafirma que a integração latino-americana e caribenha se fortalece por meio da organização coletiva, da educação popular e da formação de profissionais comprometidos com a justiça social.
*Editado por Solange Engelmann



