Luta pela terra
Sem Terra ocupam frente do Palácio do Governo de AL contra despejo de famílias em áreas da Laginha e Guaxuma
Cerca de 1 mil trabalhadores(as) rurais de vários movimentos ocupam na manhã desta segunda (6), a porta de entrada do Palácio do Governo de Alagoas contra despejo de famílias acampadas nas terras do Grupo João Lyra

Da Página do MST
Em mais uma jornada de mobilização, movimentos de luta pela terra de Alagoas iniciam nesta segunda-feira (6), um acampamento no Centro de Maceió, em defesa das terras do Grupo João Lyra para o assentamento das famílias Sem Terra de Alagoas. O objetivo é pressionar o Governo do estado para avançar na negociação e evitar o despejo de mais de 5 mil famílias acampadas hoje nas terras onde antes funcionavam as Usinas Laginha e Guaxuma.
A pressão ocorre, com os camponeses montando acampamento na frente do Palácio do Governo. Eles exigem uma reunião com o governador Paulo Dantas (MDB), com o presidente nacional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), César Aldrighi e com a ministra do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli.
Estamos há anos em luta na defesa dessas terras para fins de Reforma Agrária. Hoje diversas famílias que vivem nessas áreas, constituíram famílias, produzem alimentos e construíram sua dignidade e até agora o estado não avançou nas negociações anunciadas”, explicou Margarida da Silva, da coordenação nacional do MST.
De acordo com Margarida, o ato exige urgência no avanço da negociação pelo governo de Alagoas, após a sentença de encerramento da falência da massa falida do Grupo João Lyra, proferida pela Justiça de Alagoas.


“As famílias estão acampadas nessas terras desde 2014, e de lá para cá várias etapas de negociações foram realizadas tanto com o Governo do Estado, quando junto ao Governo Federal e nada avançou concretamente. Agora retornam as ameaças de despejo das famílias que vivem nas terras e nós não iremos admitir que a terra que hoje é palco de produção de comida de verdade, volte a ser espaço da cana-de-açúcar”, comentou Margarida.
Ao todo cerca de 1 mil trabalhadores e trabalhadoras participam do ato. Além do MST, integram a ação a Frente Nacional de Luta (FNL), o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), o Movimento Via do Trabalho (MVT) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Segundo as organizações que realizam o ato, o acampamento no palácio não tem previsão de finalização. Com cozinhas, barracos, ferramentas de trabalho e bandeiras, os camponeses seguem dispostos a permanecer em Maceió até uma sinalização positiva dos órgãos responsáveis pelo acompanhamento do caso.
Entenda o processo
Desde o anúncio da abertura de falência do Grupo João Lyra, os movimentos populares do campo reivindicam o assentamento de milhares de famílias camponesas nos hectares de terras do grupo em Alagoas. De 2011 a 2014, os movimentos do campo ocuparam áreas das três usinas falidas no estado: Guaxuma, na região de Coruripe, Teotônio Vilela, São Sebastião, Campo Alegre e Junqueiro; Uruba, no município de Atalaia; e Laginha, em União dos Palmares e Branquinha.
Somente em 2016 foi iniciado o processo de negociações entre os movimentos populares, o Governo do Estado, representantes da massa falida do Grupo João Lyra e do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas. Na tratativa, propôs-se um acordo que levou em conta a necessidade de pelo menos uma das usinas voltar a moer cana-de-açúcar, visando gerar recursos para honrar o pagamento aos credores.
A proposta de acordo foi que as famílias Sem Terra desocupassem a Usina Uruba, em Atalaia, com maior possibilidade de retomar o trabalho de imediato e, como contrapartida, seriam destinados cerca de 1.500 hectares de terra da Usina Guaxuma para as organizações que a ocupavam. A mesmo tempo, que toda a Usina Laginha seria destinada para fins de Reforma Agrária Popular, porém, o acordo até então não foi cumprido.
Grupo João Lyra
Liderado pelo empresário e ex-deputado federal (PSD), João Lyra, falecido em 2021, o Grupo JL teve falência decretada pela primeira vez há sete anos, com uma dívida bilionária aos governos estadual, federal, além de ex-funcionários.
Somente aos bancos públicos e à Fazenda Nacional, o grupo deve aproximadamente R$ 697 milhões.
A justiça alagoana decretou o encerramento da falência do Grupo e declarou extintas suas obrigações, além de autorizar a reativação das empresas que integravam o antigo grupo empresarial do usineiro. O processo arrastava-se desde 2013 e envolvia uma dívida estimada em mais de R$ 3 bilhões, gerada por aproximadamente 19 mil credores.
A quitação das obrigações baseou-se em um plano alternativo de liquidação que envolveu acordos para compensar créditos do grupo com a União e o arrendamento de terras para outros conglomerados do setor.
*Editado por Solange Engelmann



