Tecnologia

Iniciativa do MST é escolhida pela China como um dos dez melhores exemplos de como a IA pode beneficiar o mundo

Laboratório busca avançar na digitalização da agricultura camponesa, desenvolvendo tecnologias próprias para este segmento

Foto:Baobab

Da Página do MST

O Laboratório de Agroecologia Familiar Digital foi escolhido pelo governo da China como uma das tecnologias de Inteligência Artificial desenvolvidas pelo país que beneficiam o mundo. O Laboratório é desenvolvido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade de Agricultura da China (UAC) e a Associação Internacional para a Cooperação Popular (Baobab).

O conjunto de iniciativas foi divulgado na Conferência Mundial de Inteligência Artificial (CMIA), em Xangai, de 17 a 20 de julho, na sequência do discurso do presidente Xi Jinping na sessão de criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (OMCI), da qual o Brasil passou a fazer parte junto a outros 28 países.

A escolha foi feita pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR) e publicada com o título “IA da China em Benefício do Mundo (2026)”. O CNDR é responsável por coordenar o planejamento econômico estratégico do país, elaborar os Planos Quinquenais e traduzir as metas do governo em projetos concretos.

O Laboratório de Agroecologia Familiar Digital faz parte do Centro Brasil-China de Pesquisa, Desenvolvimento e Promoção de Tecnologia em Mecanização para Agricultura Familiar. O Centro foi inaugurado em novembro de 2024, com a participação do Ministério da Educação da China e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar do Brasil.

“São tecnologias que até pouco tempo estavam reservadas ao agronegócio. Agora, geridas pelas próprias cooperativas, passam a estar voltadas à produção de alimentos saudáveis e à massificação da agroecologia”, avalia Gláucia Back, dirigente do MST.

A plataforma do Laboratório, desenvolvida pela estatal chinesa Sinomach Digital, integra sensores instalados nos campos para monitorar temperatura, umidade do solo e presença de pragas, além de maquinário com rastreamento em tempo real. A área experimental da UnB fica na Fazenda Água Limpa (FAL), com cerca de 20 hectares no entorno de Brasília. Os dados são armazenados e analisados no próprio Parque Científico Tecnológico da UnB (PCTec), no campus Darcy Ribeiro.

A estratégia do Laboratório de Agroecologia Familiar Digital se integra a uma perspectiva mais ampla de digitalização da Reforma Agrária Popular, que vem ganhando corpo no chão dos assentamentos, explica Bárbara Loureiro, coordenadora da Baobab para o Brasil.

*Editado por Fernanda Alcântara