Golpe no Chile

Salvador Allende e as alamedas rumo a uma sociedade melhor

53 anos após o golpe que matou Allende, o legado da via chilena ao socialismo segue vivo na luta dos povos contra o imperialismo

Foto: Aline Antunes


Aline Antunes, da Redação do MST

Há 53 anos, em 11 de setembro de 1973, a América Latina via mais um capítulo da sanha imperialista se concluir no continente. O golpe contra o povo chileno assassinou seu líder socialista Salvador Allende, democraticamente eleito três anos antes, em 1970. 

A eleição de Allende abria um novo caminho de construção do socialismo no Sul Global, pois diferentemente das mais recentes experiências em Cuba e China, a via chilena se dava a partir de uma maioria política que aprovava reformas estruturais que gradualmente iam substituindo políticas pró-capitalistas. 

“Que o espírito de Allende ilumine o povo brasileiro, para nos livrarmos das ingerências externas na eleição.” (João Pedro Stédile)

Médico de formação, Allende vinha de família de alta classe média chilena, e formou-se como socialista pela sua trajetória enquanto militante. No ano de 1933, participa da fundação do Partido Socialista do Chile, pelo qual é eleito deputado em 1937. Dois anos depois, em 1939, é nomeado para chefiar o Ministério da Saúde do governo de Aguirre Cerda, mas é a partir de 1952 que inicia sua caminhada até a presidência, para a qual concorreu por quatro vezes, até ser eleito em 1970, com um pouco mais de 36% dos votos.

Sua formação acadêmica aliada à sua formação enquanto militante socialista não se distanciou de seu trabalho enquanto presidente, e em seus primeiros seis meses de governo essa somatória de experiências se apresentou ao reduzir a taxa de crianças hospitalizadas por desnutrição. Uma baixa de 60% para 8%, graças à política de fornecimento de meio litro de leite ao dia para crianças nas escolas. 

Uma Revolução plural, cheia de vozes discordantes e objetivos comuns

A administração de Allende adotou um modelo que descentralizou o governo e mobilizou o povo para que alcançasse os seus próprios “desejos justos”. A cultura política construída pela revolução chilena foi a do diálogo e da práxis, e Allende deu sua vida a um projeto socialista profundamente democrático.

Os avanços de seu governo refletiram aqueles alcançados em vários outros projetos, como em Cuba, e aumentaram a confiança dos povos em todo o Terceiro Mundo para testar as suas próprias possibilidades. A erradicação da pobreza e a criação de moradias para todas as famílias foram uma inspiração para a América Latina. Se o projeto da Unidade Popular não tivesse sido interrompido, poderia muito bem ter encorajado outros projetos de esquerda para satisfazer desejos justos em um mundo no qual seria possível alcançá-los. 

“Se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre”(Salvador Allende)

11 de setembro marca um dos mais emblemáticos golpes na América Latina, dando início a uma sequência de brutais assassinatos, como foi o caso do cantor, compositor e folclorista Víctor Jara. 

Porém, são canções e histórias inacabadas, com um legado que segue vivo entre aqueles que lutam e constroem possibilidades concretas de uma nova sociedade, e seguem resistindo às ofensivas imperialistas, desde as eleições no Brasil, até a luta diária do povo cubano que enfrenta bravamente a asfixia energética provocada pelo governo Trump. 


Afinal, sabemos que “muito mais cedo do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor”!

Editado por: Vítor Peruch