Eleições 2026
A “última dança” e a sua necessidade de virar um voto
Pode ser a última eleição de Lula, e a pergunta não é o que ele precisa, mas em que lugar da história cada um de nós vai estar

Por Vítor Peruch
Da Página do MST
Há quem passe pela história sem perceber. Outros têm o privilégio de saber, ainda em vida, que ela está passando por eles. Este sábado é desses dias.
Não vire um voto para Lula porque ele precisa. Vire porque você precisa. Um homem de 80 anos não deve disputar outra eleição, e dessas coisas que só acontecem uma vez a gente costuma entender tarde demais, quando já virou saudade. Quem hoje pensa “ah, não vai fazer diferença” é o mesmo que, anos adiante, vai soltar numa roda de conversa e contar que “estava lá” sem ter estado.
Não vire um voto para Lula porque ele precisa. Vire porque você precisa. Gaste o sábado inteiro com isso. Bata na porta da tia, ligue para o primo que sumiu, convença o vizinho que “não gosta de política”, mas gosta de feijão no prato. Porque existe a possibilidade de tudo se decidir já neste domingo, e uma história dessas não se assiste de camarote.
Não vire um voto para Lula porque ele precisa. Vire porque você precisa. As ruas não mentem. Mentem as pesquisas, os comentaristas, os algoritmos. As ruas não. Elas se encheram em Fortaleza, em Salvador, no Rio, em Belém, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e até em Santa Catarina. Foi gente de chinelo e de crachá, gente que pegou dois ônibus para estar ali, gente que carrega no corpo o que nenhuma planilha registra. O povo não vai a esses lugares por obrigação. Vai por reconhecimento.
Não vire um voto para Lula porque ele precisa. Vire porque você precisa. Porque esta eleição nunca foi sobre Lula contra o bolsonarismo, muito menos sobre Lula contra Flávio. É Lula contra Trump, contra o imperialismo, contra a velha ideia de que o Brasil nasceu para obedecer. E diante desse tamanho de inimigo, ele não se curvou nem um centímetro, não tremeu nem por um segundo.
Não vire um voto para Lula porque ele precisa. Vire porque você precisa. Lula fez uma campanha para a biografia. Não correu atrás do aplauso fácil, nem do afago da Globo, nem da simpatia dos influenciadores. Enfrentou o poder das bets. E, num país em que se ensina que o mercado precisa ser acalmado com a conta dos pobres, não acenou com corte algum. Prometeu o contrário: ampliar o acesso às políticas públicas, pôr mais gente à mesa.
Não vire um voto para Lula porque ele precisa. Vire porque você precisa. Pode ser a última dança do maior estadista que este país já teve, e de um dos maiores líderes da esquerda em toda a história do mundo. E que dança. Passo firme, de cabeça erguida, tendo aprendido na rua o que os livros demoram a ensinar.
Nesta última dança ainda sobrou tempo para um acerto de contas. A Globo, que em 1989 editou o debate da reta final com medo de que um operário chegasse ao poder e começasse, logo na reabertura democrática, um projeto de país, passou vergonha em rede nacional ao cancelar o debate para proteger Flávio Bolsonaro. E ainda teve de assistir, calada, a Lula, livre, leve e solto, bater recorde de audiência no Flow Podcast. Trinta e sete anos depois, o povo que ela tentou convencer de que não podia escolher finalmente escolheu a conversa sem edição. A mentira ficou sem horário nobre.
Para quem tem entre 16 e 21 anos e pode votar pela primeira vez para presidente: você tem a chance de escolher o país onde vai morar a vida inteira, e de fazer isso sabendo que ele pode ser mais justo do que o que herdou. Para quem viveu a ditadura: vote para que o medo que te ensinaram a ter nunca mais volte a mandar em ninguém. Para quem vota com Lula desde 2002: vote pela mesa que ficou farta, pelo filho que chegou à faculdade, pela esperança que você carregou nos dias ruins e que nunca foi ingenuidade.
Para quem começou a votar em 2022 para derrotar o fascismo e a extrema-direita: vote pelas mais de 700 mil mortes de covid, que não foram destino, foram escolha, e a única justiça possível é a que se faz nas urnas. E para quem nunca votou em Lula, mas reconhece a grandeza de um homem que tirou o Brasil do Mapa da Fome duas vezes, criou o Prouni, o Fies, o Bolsa Família, a Farmácia Popular, o Luz para Todos e o Gás do Povo, e que sempre aceitou suas derrotas, ao contrário dos adversários que jamais engoliram a vitória e o avanço do povo: vote pelo respeito. Pela ideia simples de que quem perde, perde de cabeça erguida, e quem ganha governa para todos.
Aconteça o que acontecer no domingo, Lula sai maior do que entrou. A pergunta que sobra é outra, e é sua: quando contarem essa história, em que lugar dela você vai estar?
Não vire um voto para Lula porque ele precisa. Vire porque você precisa, ao menos um pouco, fazer parte desta história.
*Editado por Fernanda Alcântara



