Via Campesina protesta contra expansão da monocultura do eucalipto no norte do ES
No último dia 06 de outubro, a Aracruz Celulose, em parceria com produtores rurais e florestais, prefeitos e secretários municipais de agricultura e meio ambiente e empresários do ramo industrial florestal realizaram o Fórum Norte Capixaba de Florestas Plantadas, no município de Pinheiros, norte do ES. O seminário teve por objetivo “estimular o negócio florestal no estado”, o que significa discutir a ampliação da plantação de eucalipto no norte do ES.
Ao mesmo tempo em que esse evento acontecia, a Via Campesina do ES (MST, MPA – Movimento dos Pequenos Agricultores, CPT – Comissão Pastoral da Terra e Escolas Famílias Agrícolas) e comunidades quilombolas reuniram cerca de 600 pessoas numa mobilização no centro do município, para fazer um contraponto ao projeto da Aracruz com a sociedade local.
“Sabemos que o objetivo desse seminário é sugerir o plantio de eucalipto como forma de reflorestamento nos municípios. E o que pretendemos é dialogar com a sociedade sobre que tipo de conseqüências traz a implantação desse modelo”, afirma Wonibaldo Rutzen, coordenador da CPT.
A produção de alimentos saudáveis, a preservação do meio ambiente e a Reforma Agrária são as propostas apresentadas pela Via Campesina. “O governo precisa investir na produção de alimentos, não na monocultura do eucalipto. Os municípios onde há plantação de eucalipto possuem o menor Índice de Desenvolvimento Humano do estado e concentram bolsões de pobreza”, afirma Valmir Noventa, integrante do MPA. Ele também critica os órgãos públicos por financiarem esse tipo de empreendimento. “O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) é um dos maiores financiadores da Aracruz Celulose e o dinheiro investido nela é suficiente para toda a agricultura camponesa desse estado e de grande parte no Brasil. Nossa proposta é que os recursos do Brasil sejam investidos na produção de alimentos”, conclui. No último dia 20 de setembro, o BNDES anunciou que investirá R$ 12 bilhões no setor de papel e celulose até 2010.
Na mobilização, também foram distribuídos panfletos de apoio à luta indígena, tendo em vista a campanha racista realizada contra os índios pela Aracruz Celulose em todo estado.


