Polícia realiza despejo violento em Pedro Osório (RS)

Raquel Casiraghi,
de Porto Alegre (RS)

Integrantes do Movimento Sem Terra (MST) denunciam que a polícia abusou da violência durante o despejo realizado na manhã desta terça, dia 7, em Pedro Osório, Rio Grande do Sul. Cerca de 200 famílias ocupavam parte da Fazenda da Palma desde a última quinta.

A reintegração de posse da fazenda foi dada pela Justiça da cidade na sexta passada, mas a polícia cumpriu a ação somente na terça. Um dos coordenadores do acampamento, Marcelino Hanauer, conta que cerca de 400 policiais, da cavalaria e do Batalhão de Choque, desmontaram os banheiros, a escola e a horta que as famílias haviam feito na Fazenda da Palma.

Além disso, relata Marcelino, a polícia revistou os barracos do acampamento e até mesmo a casa de famílias já assentadas na área ao lado da fazenda, em busca de uma suposta arma de fogo. “Invadiram o acampamento e a gente conseguiu negociar que alguns acampados acompanhassem a revista dos barracos, com o único argumento de buscar arma de fogo. Revistaram inclusive as nossas escolas e não encontraram nada”, diz.

Esta é a terceira vez em que as famílias denunciam abuso da polícia em despejos realizados na fazenda. Os sem terra estão acampados, desde fevereiro, em uma área cedida pelo assentamento Novo Pedro Osório, que fica ao lado da fazenda.

Na vez em que as famílias ocuparam a fazenda em abril, a polícia também revistou os barracos e casas de assentados, em busca de uma suposta arma de fogo. Na época, os acampados também registraram ocorrência do espancamento de um integrante por policiais.

Todos estes casos serão denunciados pelo MST na audiência pública realizada nesta quinta, dia 9, em Pedro Osório. Marcelino espera que as denúncias sejam apuradas pelas autoridades e pela Justiça, que estarão presentes na reunião. “Já estamos denunciando a ofensiva da polícia, a forma com que o juiz de Pedro Osório trata isso. Inclusive, o administrador da fazenda, que é um engenheiro agrônomo, veio convidar os policiais aqui para comer um churrasco. Nós vamos denunciar tudo isso”, diz.

Audiência

As 200 famílias acampadas ao lado da Fazenda da Palma, em Pedro Osório, participam da audiência pública que ocorre nesta quinta, dia 9, para discutir o conflito agrário na cidade. Por volta das 9h, os Sem Terra saem em marcha da entrada do município para o centro, onde realizam um protesto em frente ao Fórum, a fim de repudiar as ações do juiz. Logo após, as famílias seguem para o Salão Paroquial, onde às 10h inicia a audiência pública, que será presidida pelo desembargador e ouvidor público federal Gercino José da Silva Filho.

Para Irma Ostroski, coordenadora estadual do MST, o juiz da cidade tem contribuído para a situação de conflito na região. Irma espera que a audiência possa resolver o desrespeito aos direitos humanos das famílias acampadas em Pedro Osório. “Nossa expectativa é de nessa audiência a população e as autoridades compreendam que somente a reforma agrária pode acabar com o conflito na região”, diz.