MST ocupa pela 9ª vez Fazenda Guerra no RS

Cerca de 1.500 trabalhadores rurais organizados pelo Movimento Sem Terra ocuparam nesta manhã (14) a sede da Fazenda Guerra, em Coqueiros do Sul (RS).

É a nona ocupação da fazenda, que possui o tamanho de 9.000 campos de futebol, mas gera apenas dois empregos fixos e 20 temporários. A arrecadação de impostos da área é equivalente a de quatro pequenos aviários de agricultura familiar.

Além de exigir a desapropriação da área, os trabalhadores pedem o cumprimento do acordo assumido pelo INCRA, no final do ano passado, para o assentamento de mil famílias até o próximo mês de abril.

Desde o encerramento das Marchas à Fazenda Guerra, em novembro, quando o órgão assumiu a meta, até hoje, nenhuma família foi assentada.

Campanha

O MST fz uma campanha pela desapropriação do latifúndio Guerra, uma área de 7 mil hectares que fica no município de Coqueiros do Sul, no Rio Grande do Sul, desde maio de 2006.

O latifúndio pertencente à família Guerra, que ocupa 30% da área do município e gera empregos para apenas 15 funcionários temporários, além de ser um símbolo do atraso, da exclusão e do agronegócio, seja transformado em um assentamento para 450 famílias, gerando no minimo 950 empregos diretos e desenvolvendo uma produção diversificada e agroecologica, que vai movimentar a economia da região e produzir alimentos para matar a fome das pessoas.

Um bom exemplo dos resultados da Reforma Agrária fica bem próximo à Fazenda Guerra: trata-se da antiga Fazenda Anonni, área de 9 mil hectares que foi desapropriada em 1986, onde foram assentadas 420 famílias. O assentamento da Anonni produz hoje, por ano, cerca de 20 mil sacas de trigo, 6 milhões de litros de leite, 150 mil sacas de soja, 35 mil sacas de milho, 45 toneladas de frutas, 800 cabeças de gado, 5 mil cabeças de suínos e 10 mil quilos de hortaliças.

Uma delegação de representantes de 23 prefeitos da região norte do estado entregou carta ao presidente Lula pedindo a desapropriação da Fazenda Guerra. O documento também foi assinado pelo presidente do Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede) da Região da Produção, Nelson José Grasselli. Em nome do fim dos conflitos e do desenvolvimento da região, assinaram o documento representantes dos municípios de Almirante Tamandaré do Sul, Pontão, Jaboticaba, Ernestina, Taquaruçu do Sul, Nonoai, Nova Boa Vista, Constantina, Novo Xingu, Pinhal, Santo Antônio do Palma, São Pedro das Missões, Três Palmeiras, Trindade do Sul, Ronda Alta, Rondinha, Santo Antônio do Planalto, Lajeado do Bugre, Tio Hugo, Rio dos Índios, Planalto e Rodeio Bonito.

Outro ato de envio da carta coletiva contou com 300 representantes das famílias e foi realizado de forma pacífica em uma agência dos Correios de Porto Alegre. A ação foi repetida por agricultores da Via Campesina mobilizados no interior do estado.

Pedimos a todos e a todas que enviem correspondências – seja por correio eletrônico ou carta – ao senhor presidente Lula e ao senhor presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart

Contamos mais uma vez com a sua solidariedade! Veja abaixo um modelo de carta:

Sr. Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva

Sr. Presidente do Incra, Rolf Hackbart

Pedimos atenção para o que está ocorrendo no município de Coqueiros do Sul, na região norte do Rio Grande do Sul. Lá, cerca de 1,5 mil famílias de trabalhadores rurais Sem Terra estão acampadas desde fevereiro, denunciando à sociedade a existência de um latifúndio de mais de 7 mil hectares, a Fazenda Guerra. As famílias Sem Terra estão sofrendo a perseguição do Governo do Estado, da Polícia Militar, da Justiça, do latifúndio da terra e do latifúndio da mídia do Rio Grande do Sul.

A Fazenda Guerra abrange 30% da área do município e representa um atraso para a região. Um assentamento nesta área poderia abrigar 450 famílias de agricultores, gerando no mínimo 950 empregos diretos e desenvolvendo uma produção diversificada, que vai gerar renda pra a região.

Diante das constantes violações aos direitos humanos que as famílias Sem Terra têm sofrido nessa região e do descompromisso do Governo do Estado com a Reforma Agrária, solicitamos que o Governo Federal faça a desapropriação deste latifúndio.

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