Sem Terra conquistam Unidade Básica de Saúde em assentamento

Por Solange Engelmann
Da Página do MST

Fotos: Andressa Moreira e Nanda Duarte

Foram nove anos de lutas, organização e trabalho coletivo para que os assentados do município de Nova Santa Rita – região metropolitana de Porto Alegre (RS) -, conquistassem a Unidade Básica Estratégia da Saúde da Família Rural, Marisa Lourenço da Silva.

Por Solange Engelmann
Da Página do MST

Fotos: Andressa Moreira e Nanda Duarte

Foram nove anos de lutas, organização e trabalho coletivo para que os assentados do município de Nova Santa Rita – região metropolitana de Porto Alegre (RS) -, conquistassem a Unidade Básica Estratégia da Saúde da Família Rural, Marisa Lourenço da Silva.

A inauguração da unidade básica de saúde aconteceu nesta segunda-feira (29) no Assentamento Santa Rita de Cássia II, e pretende atender cerca de 2.500 pessoas, incluindo os assentamentos Sinos e da estrada: Alcides Amorim, Granja Nêne e Porto da Figueira/Olaria. 

Agora, essa população não terá mais que se deslocar até os centros urbanos para o atendimento básico de saúde pública.

A construção do espaço só foi possível a partir da organização das 102 famílias do assentamento Santa Rita de Cássia II, em parceria com a prefeitura municipal. 

O casal de assentados Izione De Llazerisi e Juvenildo De Llazerisi comemoram a conquista do atendimento médico ao lado de casa, e explica que os assentados criaram uma comissão para atuar em conjunto com a prefeitura na construção do espaço, realizando mais de cem mutirões. 

Para o assentado José Carlos Almeida, uma das principais riquezas recuperadas na construção da Unidade de Saúde foi exatamente o trabalho coletivo das famílias. 

“O trabalho voluntário representa o fortalecimento da solidariedade e consciência de classe de um povo. Aprendemos que o mais importante é o interesse coletivo e que as mudanças no campo não estão vinculadas apenas à produção, mas a um conjunto de atividades na esfera do lazer, cultura, educação, saúde, que contribui para o fortalecimento do sentido de comunidade”, garante.

Esta será a primeira Unidade Estratégica de Saúde voltada para a realidade do campo, e servirá de referência no município. Segundo a Secretária de Saúde de Nova Santa Rita, Isabel do Canto, o objetivo é construir um modelo de atendimento voltado para a comunidade rural, organizando os horários de atendimento de acordo com a realidade do trabalhador e trabalhadora do campo e atuar na medicina preventiva. 

O coordenador nacional do MST, Cedenir de Oliveira, também destacou a importância da parceria com a prefeitura de Nova Santa Rita na reinserção dos médicos do MST formados em Cuba, aos assentamentos da região. A estratégia faz parte do desenvolvimento dos assentamentos e da luta por dignidade.

“No atual estágio de luta pela Reforma Agrária Popular e construção de um amplo processo de transformações no campo, essas mudanças passam pela produção de alimentos saudáveis, luta pelo direito à saúde, educação e cultura, para que os camponeses tenham a garantia de uma vida digna”, afirma Oliveira.

A Secretária Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, Sandra Fagundes, ressalta que o Estado tem criado políticas públicas voltadas à promoção da equidade social. 

“Criamos um índice de vulnerabilidade social para que as comunidades mais necessitadas recebessem mais recursos. A população do campo está sendo contemplada nesse processo, a partir da estratégia da saúde da família na zona rural e o aumento dos investimentos”, afirma.

O ato também contou com a presença da prefeita de Nova Santa Rita, Margarete Simon Ferretti (PT), autoridades estaduais e municipais, famílias assentadas e dois médicos, filhos de assentados do MST formados em Cuba, por meio da solidariedade do governo cubano com os movimentos sociais do Brasil.

Saúde Preventiva

A Unidade Estratégica de Saúde vai contar com o atendimento diário do médico Cubano, Danis Coello, do Programa Mais Médicos, uma técnica de enfermagem, duas agentes comunitárias de saúde, uma enfermeira e terá atendimento de odontologia uma vez por semana. 

Coello afirma que a prioridade será o desenvolvimento na área de saúde preventiva, juntamente com a comunidade assentada. 

“Nosso atendimento será mais preventivo, de promoção e prevenção em saúde, procurando prevenir as doenças. Mas, para que não apareçam doenças é preciso trabalhar com os fatores de risco e isso se faz na família”, aponta.

O assentamento Santa Rita de Cássia II foi conquistado pelas famílias Sem Terra em 2005, após mais de um ano de luta. O nome da Unidade de Saúde é uma homenagem à Marisa, de 13 anos, atropelada em 2005 na estrada de acesso ao local.