Romaria da Terra marca a luta pela permanência dos jovens no campo

Cerca de 8 mil pessoas de várias cidades do estado do Rio Grande do Sul participaram da 38° Romaria da Terra, no interior do RS.

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Por Leandro Molina

Com velas, cruzes e terços, instrumentos da fé católica, cerca de 8 mil pessoas de várias cidades do estado do Rio Grande do Sul participaram da 38° Romaria da Terra, um evento que acontece anualmente na terça-feira de carnaval, organizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Este ano, o município sede foi David Canabarro, no interior do Rio Grande do Sul. O tema trabalhado foi “Sucessão Rural Familiar, Políticas Públicas e Sustentabilidade”, que lembrou as dificuldades para a permanência dos jovens no campo.

Conforme o censo do IBGE de 2010, o Rio Grande do Sul possui 380 mil propriedades rurais da agricultura familiar, sendo que 30% não possuem sucessor. Isso significa que os filhos abandonam o campo e não voltam para dar continuidade ao trabalho dos pais.

 

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A Romaria da terra é uma celebração da vida, que une as pessoas na luta contra a desigualdade social e pela produção de alimentos saudáveis. É um espaço de fé e de denúncia contra injustiças, ganância, corrupção, agronegócio e toda opressão que impede o povo de ter uma vida digna.

Estiveram presentes especialmente grupos envolvidos com empreendimentos da economia popular solidária e agricultura familiar. Jovens da Pastoral da Juventude (PJ) também participaram, e exaltaram cânticos e palavras de valorização da terra e importância da nova geração rural permanecer no campo e dar sequência ao trabalho dos pais.

A programação abrigou ainda uma via-sacra, do centro da cidade até o parque de eventos do município, local onde foi celebrada missa campal aos milhares de romeiros e romeiras. Uma grande variedade de produtos artesanais, de panificação, hortigranjeiros e orgânicos foi exposta no parque de eventos em celebração à produção de alimentos saudáveis e sem veneno.

Além de representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Arquidiocese de Passo Fundo e CNBB Regional Sul, estiveram presentes milhares trabalhadores e trabalhadoras rurais, assentados da reforma agrária, entidades sindicais e movimentos sociais do campo e da cidade, como MST, MPA, MAB, MMC, CPT, PJR e CUT.

O evento também contou com a presença do ex-governador e tradicional romeiro Olívio Dutra, que destacou que a romaria tem caráter de fé, religiosidade e luta social, que são coisas muito enraizadas na cultura das pequenas comunidades da agricultura de economia familiar, ligada à base da Igreja Católica.

Ao final da Romaria foi anunciado o município de São Gabriel como sede do evento em 2016.