A solidariedade internacional da ENFF traduzida na vivência do estudante canadense Eric White

“Creio que a luta seja universal, por que os nossos inimigos comuns são maiores. Não podemos reduzir isso a um só território, são processos e sistemas que estão interligados”.

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 Eric White esteve entre os jovens que estiveram na ENFF em 2015, ele decidiu voltar em 2016 para contribuir no que ele mesmo classificou como “a solidariedade que aprendeu no MST”.

 

Por Hildebrando Silva
Da Página do MST

Desde a sua inauguração a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) tem como lema o internacionalismo e a solidariedade entre os povos. 

Ao longo de seus 10 anos de atividades passaram pela escola pessoas de diversos países e organizações que compreendem a causa da luta social, da formação política e da busca de uma sociedade mais justa e igualitária no Brasil e no mundo.

No ano de 2015 passaram pela ENFF jovens canadenses que tinham como tarefa conhecer essa experiência da escola nacional e contribuir com seus conhecimentos nesse processo de formação e solidariedade internacional. 

O canadense, Eric White, estudante de desenvolvimento internacional, esteve entre esses jovens que estiveram na ENFF em 2015. White decidiu voltar em 2016 para contribuir no que ele mesmo classificou como “a solidariedade que aprendeu no MST”.

Durante os dois meses na ENFF, Eric contribuiu voluntariamente em diversos espaços e contou em entrevista o como foi essa experiência:
 

O que te motivou a participar das atividades na ENFF?

 

Estar aqui é uma oportunidade de conhecer um mundo, um mundo que quero levar ao Canadá. Esse foi é um dos grandes motivos pelos quais permaneço na ENFF. 

Para você qual o verdadeiro significado do internacionalismo e solidariedade entre os povos?

Creio que a luta seja universal, por que os nossos inimigos comuns são maiores. Não podemos reduzir isso a um só território, são processos e sistemas que estão interligados. A solidariedade praticada aqui é fundamental para que um mundo novo renasça. 

O que agregou de conhecimento durante esse período na escola?  

Eu aprendi muitas coisas, muitas mesmo, mas o que mais me chamou atenção aqui na escola a coisa que eu percebi aqui na escola foi que todas as pessoas participam do MST, são pessoas que tem uma ideia/ideal político. Aprendi muito também sobre a história do Brasil na perspectiva da esquerda, ou seja, o que não é contado nos livros de história. E isso foi muito crucial para a minha leitura sobre o país. 

Que mensagem você deixa para os militantes da ENFF e para as demais pessoas que passam  pela escola?

A ENFF é especial por diversos motivos, o maior deles é conseguir concentrar pessoas entorno de um único ideal. Transformar o mundo para melhor.  A escola e sua dinâmica me trouxeram muita esperança, muitas coisas boas, por isso, é difícil descrever por completo esse lugar. Aqui tá todo mundo junto na luta, é o tipo de mística e relação que nos impulsiona. 

Aprendi coisas aqui que vou levar para toda a vida. Volto para o Canadá para maduro e consciente do mundo em vivo. O que aprendi aqui em dois meses eu não aprendi nos meus cinco anos de universidade. Essa foi com certeza uma das experiências mais ricas que pude ter.