Mídia alternativa debate liberdade de expressão em tempos de exceção

3º Encontro Estadual de Bloguei@s e Ativistas Digitais foi realizado nos dias 9 e 10 de junho, em São Paulo

 

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Por Leonardo Fernandes
Da Página do MST
Fotos: Agência PT

Entre os dias 9 e 10 de junho, foi realizado em São Paulo, o 3º Encontro Estadual de Blogueir@s e Ativistas Digitais, organizado pelo Centro de Estudos Barão de Itararé, com o apoio de diversas entidades. O evento aconteceu no Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias do Município de São Paulo (Sindisep), e foi transmitido ao vivo pela internet.

“Liberdade de expressão em tempos de exceção” foi o tema do encontro, que reuniu jornalistas, blogueiros, midiativistas e estudantes em torno de debate sobre o papel dos meios de comunicação alternativos na construção da resistência democrática ao estado de exceção que se agrava no país.

A mesa de abertura foi mediada pela coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Renata Mielli, e contou com a presença da senadora e presidenta do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, da deputada estadual e presidenta do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Luciana Santos e dos jornalistas Altamiro Borges e Maria Inês Nassif.

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Altamiro Borges

Gleisi Hoffmann fez uma autocrítica e reconheceu que o PT errou em não ter enfrentado o debate da regulação e consequente democratização dos meios de comunicação no Brasil, para isso, a senadora destacou o papel da mídia oligopolizada no golpe de estado em 2016.

“Nós vivemos um golpe que teve como braço operativo os meios oligopolizados. Acho que não enfrentamos essa temática como deveríamos ter enfrentado quando éramos governo. E penso que agora é o momento de fazer esse debate, de forma contundente, unificando forças com os nossos aliados, que são os meios alternativos de comunicação”, afirmou a senadora.

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Gleisi Hoffmann

A jornalista Maria Inês Nassif foi na mesma linha: &”39;o grande erro foi acreditar que ganhar a presidência da República era o mesmo que conquistar hegemonia&”39;. Para ela, a população de &”39;novos consumidores&”39;, criada pela pelas políticas sociais dos governo petistas não foi suficiente para defender esses governos dos ataques da mídia oligopolizada. “Hoje, a grande unidade da esquerda é a democracia”, destacou.

A programação do encontrou contou ainda com uma mesa de debate sobre a batalha comunicacional na América Latina, rodas de conversa sobre diversas temáticas, como o papel da mulher na mídia, a diversidade e a comunicação, e a relação da grande imprensa com o genocídio do povo negro, além de oficinas de memes, fotografia e transmissões ao vivo.

O debate de encerramento discutiu as semelhanças entre os golpes de 1964 e 2016, principalmente no que se refere à implantação de um estado de exceção que envolve, inclusive, a perseguição jurídica e policial contra jornalistas, blogueiros e formadores de opinião.

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Maria Inês Nassif

Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudos Barão de Itararé, organizador do encontro, destacou a necessidade de se avançar na articulação da comunicação popular para enfrentar os retrocessos aplicados pelo golpe. “O eixo central desse encontro é a defesa da liberdade de expressão. É uma maneira de dizer que não vamos nos calar frente a este governo ilegítimo e usurpador. Aqui é um momento de refletir sobre como vamos lutar juntos pelo Brasil”, afirmou. 

Os vídeos das conferências principais estão disponíveis aqui.

 

*Editado por Maura Silva