XX Encontro Estadual das Crianças Sem Terrinha 2017, acontece no Rio de Janeiro

Sob o lema ‘Por Escola, Terra e Alimento Sem Veneno! Rumo ao I Encontro Nacional’, encontro ocorreu entre os dias 28 e 30 de outubro

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Por Bárbara Vida
Da Página do MST

Entre os dias 28 e 30 de outubro, as crianças Sem Terrinha do Rio de Janeiro realizaram o seu XX Encontro Estadual. O evento faz parte do processo de construção do I Encontro Nacional das Crianças Sem Terrinha, em 2018.

O encontro foi um espaço para o desenvolvimento de oficinas lúdico-educativas; de conversas entre as crianças sobre temas de relevância nos seus quotidianos, nas áreas de Reforma Agrária. Para o conjunto do MST, foi um momento de mobilização por educação e de fortalecimento da identidade Sem Terrinha.

As crianças fizeram uma visita ao Aquário da Cidade, ao Museu do Amanhã, e à Cinemateca do Museu de Artes Moderna-MAM, onde assistiram o filme Menino e o Mundo, além de irem à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – ALERJ, onde participaram de um Audiência Pública. Oficinas, encontros, debates e muitas brincadeiras deixaram a programação mais animada.

Participaram do evento aproximadamente 200 crianças com idade entre 6 e 12 anos, que vivem nas áreas de acampamentos e assentamentos de Reforma Agrária do MST nas regiões da Baixada, Norte, Lagos e Sul Fluminense. Também participaram os Sem Tetinho da Ocupação Vito Giannotti (localizada na Zona Portuária da cidade do Rio de Janeiro). Aproximadamente 50 educadores populares e profissionais da educação, oficineiros, artistas e militantes do MST colaboraram nas atividades.

O encontro estadual do Rio de Janeiro desse ano teve o tema: Por escola, Terra e Alimentação Saudável! Rumo ao I Encontro Nacional das Crianças Sem Terrinhas! 

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Os encontros Sem Terrinha 

As crianças nos assentamentos e acampamentos têm um papel fundamental, pois criança em qualquer lugar é sinal de ânimo renovado. Vem daí a necessidade de mostrar a importância dos “Sem Terrinha” no meio em que vivem.

Os encontros estaduais Sem Terrinha são realizados desde 1997 no estado do Rio de Janeiro, contribuindo para a sensibilização das crianças, adolescentes assentadas e acampadas e seus familiares para temas como Reforma Agrária, meio ambiente e educação ambiental, agroecologia, história de luta pela terra e história de seus assentamentos e ou acampamentos. Também vem contribuindo para denunciar as condições que as crianças enfrentam nas escolas e proporcionar lutas em direção a exigências de seus direitos.

Trata-se de uma atividade realizada anualmente pelo Setor de Educação do MST, e tem o intuito de organizar as crianças Sem Terra do estado do Rio de Janeiro, juntamente com crianças de outros setores da sociedade, para uma confraternização e socialização de experiências.

Os encontros estaduais e regionais das crianças Sem Terrinha acontecem em todo Brasil desde 1994, com a realização do primeiro encontro estadual em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Em 2017, os encontros têm por objetivo ser um espaços de preparação para o I Encontro Nacional das Crianças Sem Terrinha, que será realizado em Brasília, onde se espera reunir 1500 crianças de todo o Brasil para estudar, brincar e lutar pela Reforma Agrária Popular e por uma Educação do Campo que as emancipe enquanto sujeitos.

O MST e a educação no campo 

A educação brasileira vive um processo de precarização generalizada, seja dos seus recursos estruturais, como a parte de infraestrutura e de pessoal, como também do seu projeto pedagógico. Podemos questionar sobre qual contribuição a educação precarizada pode influenciar na formação e na vida de das crianças, jovens e adultos? Se as escolas urbanas, principalmente das periferias, vivem essa escassez educativa, nas escolas do campo, essa situação é potencializada pela falta de profissionais, de estruturas mínimas de trabalho e pelo processo fechamento das escolas, que obriga crianças e jovens a se deslocaram quilômetros para estudarem na escola mais próxima da sua cidade. Processo que faz com que estes sujeitos simplesmente parem de estudar para se dedicarem ao trabalho e contribuírem financeiramente com suas famílias.

De acordo com os dados do Censo Escolar – INEP, de 2002 a 2013, 40.701 mil escolas do campo no Brasil foram fechadas. Pensando a realidade estadual, podemos observar com mais evidência esse quadro a partir do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo a Pesquisa de Cordeiro, no estado do Rio de Janeiro, entre os anos de 2008 e 2013, foram observados processos de fechamento e nucleação das escolas do campo, concentrando a oferta nas áreas urbanas, sendo que dos 92 municípios do Estado do Rio de Janeiro, na educação infantil para as áreas rurais diminuiu 48% da oferta; na educação fundamental, foram retraídos 70%; e no ensino médio 61% dos municípios, ou seja, os sujeitos do campo precisam se deslocar para concluir o ensino básico. E sobre as escolas do campo, dos 92 municípios, 57% fecharam escolas rurais.

Diante desta realidade, o MST vem lutando contra o fechamento das escolas e por uma Educação do e no Campo pública, de qualidade, popular e gratuita, nas escolas que ainda resistem abertas, bem como para a reabertura e construção de escolas no campo. Nesta perspectiva, a própria luta pela Educação do Campo e pela implementação de um projeto que valorize os seus sujeitos em sua gênese a luta dos movimentos sociais para a transformação da sociedade. O momento é de difícil conjuntura, portanto, entendemos que a formação da consciência para a luta deve estar presente desde as crianças da classe trabalhadora.

Desta forma, a organização XX Encontro das Crianças Sem Terrinha recoloca através da Audiência Pública, articulada pelo Deputado Flávio Serafini, da Comissão de Educação, que este espaço do brincar, da arte, da cultura é também de educação, formação, como um instrumento do trabalho de base, propiciando a auto- organização das crianças, como sujeitos de direitos e de luta.

O recado foi dado pelas crianças Sem Terra para Secretaria de Estado da Educação do Rio de Janeiro: fechar escolas é crime!

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Sem Terrinha em ação pra fazer revolução!

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